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“A China virou um cenário de filme”, relata executiva capixaba

“Parece cenário de filme. Ninguém se fala nem no elevador. É difícil encontrar alguém passando na rua”.É assim que a executiva capixaba de comércio ...

Renata Thiébaut, executiva capixaba

Última atualização

Renata usa máscara para evitar contaminação. “Ordem é sair raramente” (Foto: Acervo Pessoal)“Parece cenário de filme. Ninguém se fala nem no elevador. É difícil encontrar alguém passando na rua”.

É assim que a executiva capixaba de comércio eletrônico Renata Thiébaut, de 37 anos, descreve a vida na China em meio à epidemia do coronavírus, que já causou mais de 3 mil mortes no país, o epicentro da crise.

O surto começou com pessoas que tiveram alguma associação a um mercado de frutos do mar da cidade chinesa de Wuhan, o que despertou a suspeita de que a transmissão ocorreu a partir de animais marinhos.

Há 14 anos vivendo em Xangai, a ex-moradora de Vila Velha tem dois filhos, de 10 e 5 anos, que estão tendo de estudar em casa para evitar a contaminação.

Nas ruas, o comércio está fechado. No condomínio, vizinhos evitam se encontrar. Já o trabalho, só remoto. Renata conversou com a reportagem de A Tribuna.


ENTREVISTA | Renata Thiébaut, executiva capixaba


A TRIBUNA – Como está a rotina dos estudantes?
Renata Thiébaut – A rotina das escolas está afetada. Eles não têm aulas, que são feitas por um aplicativo na internet, são on-line. Tem sido assim desde o começo de fevereiro e não há previsão de reabertura das escolas.

Houve uma previsão de retorno no dia 2 deste mês, que não se cumpriu. Agora, falam na normalização em abril, mas os pais acreditam que todo o semestre seja feito de forma on-line. As crianças, em sua maioria, assim como meus dois filhos, ficam confinadas.

A ordem é se expor ao mínimo, sair raramente, porque a contaminação também é feita de forma indireta, como encostar num botão no elevador, por exemplo.

E os trabalhadores?
Eu trabalho de forma remota porque estou na indústria de comércio eletrônico. Eu faria treinamento com delegações de vários países, mas agora é tudo on-line. Trabalhava no escritório todo dia, agora nem pensar.

Você vai às ruas?
Muito pouco. Em uma semana, vou duas vezes. Só quando necessário. Por exemplo, quando a gente compra on-line, os produtos, antes, eram entregues na porta de casa. Agora, é proibido. Eles colocam a caixa na entrada do condomínio e tem que sair para buscar.

Tudo está vazio: shoppings, cinemas, supermercados e isto tem afetado muito a economia. Também não recebo visitas em casa.

Quando sai, quais as precauções?
Luva médica nas duas mãos, máscara cirúrgica e óculos de sol. Na rua, é tudo muito deserto. A China virou um cenário de filme. Eu durmo e acordo com medo porque recebemos informações diferentes. O que a gente lê em sites internacionais são coisas diferentes, parece que é cada vez pior.

Agora aumentaram os casos para todo mundo, né? A gente vive com medo. E o pior é que não é a primeira vez que enfrento uma situação dessa. Eu estava na China quando aconteceu a epidemia de H1N1, mas não tem como comparar. E o medo também, porque agora a contaminação se dá de uma forma diferente. Para piorar, o valor das máscaras triplicou, e começou a faltar nos mercados.

Há relatos de que a contaminação começou num mercado chinês, com pessoas consumindo animais silvestres. O que mudou na sua alimentação?
Eu evito comer produtos da China, sobretudo carne nacional. Compro produto importado, como frango. Carne, só importada. A mídia não fala muito isso, mas tem muitos frangos com vírus na China, por conta da gripe aviária.

Quais são as ordens do governo?
Em relação às escolas, todas estão fechadas. O governo também sugere que a gente fique em casa e sempre emite notas oficiais em relação à quarentena, a não ir para o trabalho. Por isso, muitos estabelecimentos fecharam por falta de cliente. Pontos de comércio local, principalmente os restaurantes, estão todos fechados. Estão em situação muito crítica.

Conhecidos seus pensam em deixar a China?
O problema é que muitos voos seguem cancelados. Tem muita gente que está fora, que não pode voltar, ou que está aqui e não consegue ir para casa. Porém, acho que está melhorando, porque tem mais opções de voos do que há duas semanas.

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