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Um problema mecânico no motor do barco que o segurança Ervando Andrade da Silva, de 57 anos, saiu para pescar na semana passada fez com que ele passasse mais de 80 horas perdido no mar.
A saída de casa foi na madrugada do dia 1º e Vandin, como é conhecido, só foi encontrado às 9h30 do último dia 4. Ele retirou água de dentro do barco, bebeu água da chuva e não se alimentou.
O segurança perdeu 10 quilos no mar. Para ele, só resta uma certeza: a de que a fé o salvou.
A Tribuna – Como começou essa situação?
Ervando da Silva – Eu saí para pescar no meu dia de folga, era de madrugada, e eu pretendia voltar antes do almoço para casa. Pesquei alguns peixes e na hora de voltar o motor do barco não ligava mais, o tempo fechou e começou um vento Sudoeste, acompanhado de uma chuva muito forte.
Foi assim todos os dias, vento e chuva fortes que enchiam o barco de água, eu não podia nem descansar, senão o barco afundava. Era dia e noite com o balde na mão jogando água para fora.
A Tribuna – Você ficou sem água e sem comida todos esses dias. Como conseguiu aguentar?
Ervando da Silva – Eu tive muita fé e aproveitei da minha experiência no mar. Desde pequeno eu pesco e vou ao alto-mar, então eu sabia que não adiantava me desesperar, estava muito longe para tentar nadar e com o tempo fechando as coisas iriam piorar. Não pude comer os peixes que pesquei, então descartei eles, mas na questão da água eu aproveitei a chuva e bebi o que eu pude, não era muito, mas consegui o suficiente para continuar a sobreviver.
A Tribuna – É a primeira vez que algo assim acontece?
Ervando da Silva – Não. Há 10 anos, enquanto eu pescava embarcado com meus irmãos, aconteceu algo semelhante. Nosso barco parou de funcionar e não tinha ninguém perto para oferecer resgate. Dessa vez eu pulei no mar e nadei por umas três horas, até que cheguei em Meaípe e lá achei uma pessoa que pôde nos ajudar.
A Tribuna – O que passou pela sua mente enquanto ficava dias à deriva?
Ervando da Silva – Nunca faltou fé. Eu pensava na minha família, queria vê-los novamente. Minha família é a melhor do mundo e eu sabia que voltaria para eles. Diversas vezes eu ia para o canto do barco, onde me abrigava da chuva forte, e orava para Deus pedindo ajuda, pedindo resgate e pedindo para ver novamente minha família.
A Tribuna – Após esse sufoco, vai voltar ao mar?
Ervando da Silva – Claro! Pescar para mim é a melhor coisa do mundo. Faço isso desde criança e pretendo continuar fazendo, claro que eu fico com alguns lembretes daqui pra frente e alguns cuidados extras que eu vou tomar para impedir que ocorra isso novamente. Dessa vez Deus me livrou.
A Tribuna – Fica a certeza de que sua oração foi ouvida?
O ensinamento que tiro disso tudo é que vale muito a pena viver e com Deus tudo é melhor. Eu não tenho dúvidas, a fé me salvou.