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“Acordei cego dois meses após acidente de moto”, conta mecânico

A deficiência visual, causada por um acidente automobilístico, poderia ser um grande problema na vida do mecânico de motos Dalmir da Silva ...

Mecânico Dalmir Evangelista trabalha na própria oficina, na Serra. Ele ficou cego há 5 anos, após acidente de moto

Última atualização

A deficiência visual, causada por um acidente automobilístico, poderia ser um grande problema na vida do mecânico de motos Dalmir da Silva Evangelista, conhecido como “Maluco”.

Porém, o autônomo, que atua no ramo há mais de 35 anos, conseguiu vencer seus limites e hoje segue trabalhando em sua oficina em Nova Almeida, na Serra, provando para ele mesmo e para seus clientes que a visão não o impede de exercer a profissão.

“Acordei cego dois meses depois de um acidente de moto. No início, foi muito difícil e até pensei que não fosse conseguir voltar ao trabalho, porque minha rotina mudou, mas a saudade e amor que eu tenho pela minha profissão eram tão grandes que eu venci os obstáculos”, relata o mecânico, de 49 anos.

Para conseguir consertar as motocicletas, Dalmir conta com a ajuda de amigos e familiares, que passam sempre pelo local.

Segundo ele, trabalhar os sentidos, como a audição e o tato, foi uma de suas estratégias cruciais para conseguir voltar ao trabalho.

Mecânico Dalmir Evangelista trabalha na própria oficina, na Serra. Ele ficou cego há 5 anos, após acidente de moto (Foto: Kadidja Fernandes/ AT)

“Antes eu tinha uma pessoa que trabalhava para mim, mas como tive problemas, resolvi desenvolver melhor meu tato e audição para eu mesmo fazer os serviços. Hoje, conserto praticamente sozinho, uma média de cinco motos por semana. Consigo até descobrir quais os modelos delas”, conta.

O acidente que causou a deficiência em Dalmir aconteceu há cinco anos, em Domingos Martins, quando ele voltava para Serra, em sua motocicleta. “Só lembro de ter visto uma vaca e de ter batido nela. Depois, só me lembro acordando no hospital e pedindo para que as enfermeiras acendessem as luzes, já que eu não sabia naquele momento que estava cego”, conta o autônomo.

Para realizar o seu principal sonho (voltar a enxergar), o mecânico relata que vive em orações.

“Peço a Deus todos os dias para que me ajude a voltar a enxergar. Esse é o meu primeiro sonho. O outro é reformar minha oficina, que é o local que me devolveu a vida”, revelou Dalmir.

Sobre a possibilidade de voltar a enxergar, contou que chegou a procurar especialistas em clínicas particulares do Estado, mas devido ao alto custo dos procedimentos, incluindo consultas, ele não pode continuar o tratamento.

Cliente

Surpreso com conserto

Precisando de reparos urgente em sua motocicleta, o policial militar Isaac Rubim, de 38 anos, decidiu parar o veículo em uma oficina de Nova Almeida, na Serra. Ele não sabia, mas ali quem o atenderia e consertaria sua moto seria uma pessoa cega: o mecânico Dalmir.

O policial militar Isaac Rubim, de 38 anos (Foto: Acervo pessoal)

“Cheguei a duvidar se ele ia conseguir consertar minha moto, mas quando eu o vi falando até o modelo dela e principalmente resolvendo meu problema, fiquei positivamente surpreso e feliz”, disse.

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