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Adaptar garagens com carregadores de carros elétricos pode custar até R$ 100 mil

Equipamento de recarga, atualização do sistema de prevenção e combate a incêndio e infraestrutura elétrica têm impacto no valor

Adaptar garagens com carregadores de carros elétricos pode custar até R$ 100 mil
- Andrison Cosme explicou que as exigências da norma técnica publicada em março surgiram após estudos realizados por bombeiros de todo o País
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Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

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Com o aumento da venda de veículos elétricos no País, cresce também a procura por carregadores em condomínios. Mas é preciso ficar atento: regras publicadas para garantir a segurança nas instalações exigem adaptações nas garagens que, dependendo da estrutura existente, podem exigir investimentos de até R$ 100 mil para os moradores.

A instalação dos carregadores em vagas de garagem hoje no Espírito Santo é regida por algumas regras. Entre elas, o Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo publicou uma norma técnica para prevenção e atuação em caso de incêndios.

Uma das exigências para edificações maiores — com área superior a 900 m ou altura acima de 9 metros — é que passam a ser exigidos sistemas adicionais de segurança, como detecção e alarme de incêndio, chuveiros automáticos (sprinklers), entre outros.

O engenheiro mecânico e de segurança do trabalho Igor Dadalto explica que a primeira etapa para a instalação dos carregadores é verificar se a infraestrutura elétrica do condomínio suporta a nova demanda de energia.

“É necessário fazer uma análise da capacidade elétrica da edificação para verificar as condições atuais das instalações e quantos carregadores comporta”.

Segundo ele, além da avaliação elétrica, os condomínios precisam atualizar os projetos de prevenção e combate a incêndio para atender às novas exigências estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros.

Dadalto ressalta que apenas o equipamento de recarga custa entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Já com custos com a infraestrutura elétrica e contratação de profissional para estudos e laudos técnicos, pode chegar a R$ 15 mil.

O maior impacto financeiro, entretanto, costuma estar nas adequações das garagens. “Em um edifício com garagem de cerca mil metros quadrados, por exemplo, obras para atualização do sistema de prevenção e combate a incêndio podem custar entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, dependendo das intervenções necessárias”.

O subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, perito de incêndio e presidente da Comissão Estadual de Eletromobilidade e Segurança Contra Incêndios, coronel Andrison Cosme, explicou que as exigências da norma técnica publicada em março surgiram após estudos realizados por bombeiros de todo o País sobre incêndios envolvendo baterias de lítio, utilizadas em veículos elétricos.

“Esse tipo de incêndio apresenta características diferentes dos veículos convencionais. Ele pode atingir temperaturas muito elevadas, gerar gases tóxicos e exigir um volume maior de água para o combate. Por isso, a norma estabelece medidas como sistemas de detecção e alarme de incêndio e chuveiros automáticos”.

Saiba mais

Carregadores de veículos elétricos

Com o crescimento da frota de veículos eletrificados, os condomínios residenciais e comerciais passaram a ter uma nova demanda por instalação de carregadores em suas vagas privativas de garagem.

O tema tem regras fixadas quanto à instalação elétrica e segurança contra incêndios, mas cada condomínio tem estabelecido regras quanto à instalação dos equipamentos.

Nesta semana, a Assembleia Legislativa também aprovou uma lei que garante direito à instalação na vaga privativa do morador, desde que ele arque com os custos e siga as normas de segurança estabelecidas.

Regras

1 – ABNT

Nos últimos anos, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) vem publicando uma série de regras para instalação elétrica dos carregadores.

Elas normatizam como as instalações devem ser realizadas, a exemplo da NBR 5410 (instalações elétricas de baixa tensão) e NBR 17019 (instalações de sistemas de alimentação de veículos elétricos em locais especiais).

As normas definem critérios como dimensionamento dos cabos e circuitos; proteção elétrica dos equipamentos; controle da potência de recarga e outros.

2 – Norma técnica do Corpo de Bombeiros no Estado

Após análises e discussão em nível nacional e estadual, em março deste ano, o Corpo de Bombeiros publicou a norma técnica com as regras para garantir a segurança na instalação, reduzir o risco de incêndio e dar condições de atuação das equipes em caso de emergência ligados aos carregadores.

No caso de novas edificações, a norma entra em vigor em setembro (projetos apresentados a partir dessa data).

Já para edificações existentes, entra em vigor em três anos.

Entre as exigências, a Norma Técnica nº 23/2026 estabelece critérios de afastamento das rotas de fuga e determina que as estações não podem ser instaladas em corredores ou áreas destinadas à evacuação de pessoas.

Em garagens localizadas em edificações maiores — com área superior a 900m ou altura acima de 9 metros — passam a ser exigidos sistemas adicionais de segurança, como detecção e alarme de incêndio, chuveiros automáticos (sprinklers) e sistemas de ventilação ou extração mecânica de fumaça.

3 – Projeto de Lei aprovado

De autoria do governo do Estado, um projeto de lei foi aprovado nesta semana pelos deputados estaduais. Agora, segue para a sanção.

O projeto assegura ao morador o direito de instalar estação de recarga individual para veículo elétrico em sua vaga de garagem privativa, desde que arquem com as despesas e desde que respeitadas as normas técnicas e de segurança vigentes.

O Texto diz que o condomínio não pode proibir a instalação da estação de recarga sem justificativa técnica ou de segurança fundamentada.

Fonte: Especialistas consultados.


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