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Anticoncepcional masculino está em fase de teste

O procedimento é realizado por meio de uma injeção no canal por onde o espermatozoide passa, sem corte cirúrgico

Fernando Chagas: “A busca por um método contraceptivo masculino já vem de décadas”

Última atualização

Em nova iniciativa, ainda em fase de testes, a responsabilidade de se evitar uma gravidez passa a ser compartilhada com os homens. 

Em Melbourne, na Austrália, cientistas testam a aplicação de um hidrogel não hormonal para bloquear o esperma ainda dentro do órgão genital masculino. O procedimento é realizado por meio de uma injeção no ducto deferente, canal por onde o espermatozoide transita.  

 
















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Essa é considerada uma das inovações mais relevantes no controle da fertilidade por meio de intervenções no corpo masculino desde a vasectomia. 

As técnicas, inclusive, são semelhantes. Entretanto, no lugar de um corte cirúrgico, realizado no procedimento de vasectomia, é o gel que propicia, nessa nova técnica, a obstrução da passagem. 

Embora esteja cercada de expectativas, o médico urologista Fernando Chagas pondera que a técnica não é exatamente uma novidade. “A busca por um método contraceptivo masculino já vem de décadas, à medida que vão surgindo novos materiais, menos alérgicos e com menos efeitos colaterais”, explicou.

Com o aprimoramento da tecnologia, a indústria da medicina avança no sentido de garantir viabilidade para as novas formas contraceptivas. Para o  urologista Camilo Milanez, com o possível advento dessa técnica em análise, há um estímulo à divisão de responsabilidades entre os gêneros.

“O grande benefício da divulgação desse novo procedimento é trazer informação para os homens, que já têm o preservativo masculino e a vasectomia como opções”, ressaltou.

Idealizado pela empresa de biotecnologia Contraline, o projeto foi batizado de “Adam” e está em fase de testes. Dos 25 participantes que fazem parte do estudo, quatro  passaram pelo procedimento e estão com a substância no organismo.

O procedimento é temporário, já que, após dois anos, a substância em gel é absorvida pelo corpo. Os resultados, no entanto, ainda devem demorar a ser divulgados. Isso porque a pesquisa deve se estender até 30 de junho de 2025, analisando as amostras de sêmen coletadas ao longo de três anos.


Mudança de comportamento

Apesar do estudo ainda estar em fases iniciais, o urologista Fernando Chagas avalia como positivas as novas iniciativas científicas. “A pesquisa demonstra que a comunidade científica dedica esforços humanos e financeiros para incentivar e estimular novas alternativas de contracepção”, observou. 

Para o urologista Camilo Milanez, trata-se de uma importante mudança de

 
















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comportamento em sociedade.

“Historicamente, a responsabilidade da contracepção sempre foi feminina. O estudo aponta para uma divisão com os homens”, comentou.

“Também é uma questão de autonomia do próprio indivíduo, que pode decidir quando ter filhos, ou não”, acrescentou Milanez.

Para Chagas, os homens estão mais conscientes sobre a busca por métodos contraceptivos. “Hoje em dia, os planos de saúde estão custeando a vasectomia. Isso aumenta a procura da técnica, que é muito simples”, frisou.

Por outro lado, Milanez pondera que ainda há muita desinformação sobre o tema. “Ainda existe muito preconceito por parte dos homens, inclusive jovens. Muitos acreditam que a vasectomia, por exemplo, atrapalha no desempenho sexual ou na própria sexualidade”, relatou.

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