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Aos 24 anos, vendedor de pão fala 3 idiomas e estuda mais 4

Foi assistindo a uma reportagem em sua casa, ainda na infância, que o vendedor de pães Ramon Rodrigues Omero, 24 anos, morador de Feu Rosa, na Serra, ...

Ramon Rodrigues Omero fala inglês, francês e espanhol, e ainda estuda chinês, alemão, italiano e japonês

Última atualização

Foi assistindo a uma reportagem em sua casa, ainda na infância, que o vendedor de pães Ramon Rodrigues Omero, 24 anos, morador de Feu Rosa, na Serra, pôde ver uma pessoa se comunicando em diferentes idiomas.

Essa lembrança ficou em sua memória e, anos mais tarde, ele teve oportunidade de morar, por dois anos, em Portugal e aprender inglês e espanhol. Hoje, fala de forma fluente, além do português, três idiomas (inglês, francês e espanhol) e está estudando mais quatro, já tendo o nível intermediário: chinês, japonês, alemão e italiano.

Seu objetivo: criar cursos de idiomas gratuitos na internet. Para bancar todas as despesas, Ramon vende pães.

Além de seu esforço para aprender as línguas, ele conta com a ajuda da internet, por onde aprendeu a maior parte do conteúdo. Segundo Ramon, outros fatores foram fundamentais: as oportunidades.

“Infelizmente, o Brasil não é um país que oferece chances para todos. Eu tive, quando morei por dois anos em Portugal, o que me deu acesso ao inglês e espanhol”.

“Já no ensino médio, participei das aulas de Inglês pelo governo do Estado, o que me deu a oportunidade de fazer o intercâmbio de cinco meses no Canadá. Lá, a família que me recebeu também falava o francês, e eu pude aperfeiçoar meu francês também. Sem falar que tenho uma família que me apoia”, salienta.

Ainda no ensino médio, para aprender mais do alemão, japonês e chinês, o vendedor fazia malabarismo no sinal de trânsito para arcar com os custos dos cursos.

Ramon quer ainda realizar o sonho de traduzir um curso da Universidade de Harvard (EUA), o CS 50, de Ciências da Computação, para o português e espanhol, e disponibilizá-lo gratuitamente.

“Eu tive a oportunidade de fazer esse curso, mas ele está todo em inglês. Entrei em contato com a Universidade de Harvard, e eles autorizaram a tradução”, conta.

Atualmente, Ramon, que já foi vendedor ambulante de pão, tem sua própria padaria, onde comercializa os pães que produz. E ele não pensa em abandonar seu negócio. “Não quero cobrar pelos cursos. Por isso, vou continuar com os pães”.
Ramon Rodrigues Omero fala inglês, francês e espanhol, e ainda estuda chinês, alemão, italiano e japonês (Foto: Dayana Souza/AT)

“Acredito em uma educação gratuita”

Aos 24 anos, o vendedor de pães Ramon Rodrigues Omero está em busca de realizar grandes sonhos por meio da sua fluência em três idiomas: a criação de cursos online gratuitos para quem tem vontade de, assim como ele, aprender outras línguas.

A TRIBUNA – Como surgiu seu interesse por aprender outros idiomas?

Ramon Rodrigues – Quando eu tinha 10 anos, fui para Portugal morar com minha mãe. Lá, pude aprender inglês e espanhol. De volta ao Brasil, pela internet, fazia cursos que, naquela época, não eram tão fáceis de encontrar.
Já no ensino médio, participei das aulas de inglês pelo governo do Estado e fiz um intercâmbio em Portugal. Trabalhei com malabarismo em rua para poder pagar os cursos de alemão, japonês e chinês.

Quais são seus objetivos?

Lançar dois cursos. Um é o da Universidade de Harvard, o CS50, de Ciências da Computação. Pretendo traduzi-lo para o português e espanhol e disponibilizá-lo de forma gratuita. Também estou produzindo cursos de idiomas próprios, que quero lançar em um site e plataforma gratuita.

Você pensa em abandonar a venda de pães?

Não. Esses cursos sempre serão gratuitos, não quero cobrar. Serão completos, em que as pessoas vão poder se tornar fluentes no idioma. Eu acredito que a educação tem de ser gratuita. Durante muito tempo, usufruí de uma educação gratuita. Agora, é a minha vez de contribuir para ajudar outras pessoas”.


ANÁLISE


“Instrumento para ascensão social”

“Historicamente, o Brasil apresenta significativos percentuais de desigualdade social, o que distancia muito a população menos favorecida de possível ascensão.

Entender que a educação pode ser um instrumento norteador para a ascensão social e superação de inúmeras situações é o combustível para manter a chama da esperança viva.

É extremamente saudável que alguém transforme sua vida, através da educação, e tenha o desejo de se tornar um agente que se utiliza das próprias experiências de vida e coloque à disposição de outros, do próximo. Isso, sim, é empatia.”

Edna Tavares, doutora em Educação

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