Paralelo as investigações sobre o envenenamento das castanheiras que serviam de sombra para os frequentadores da Praia da Baleia, em Anchieta, litoral Sul do Estado, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente realizou o plantio de 60 mudas nativas de diferentes espécies na orla, afim de recuperar a área.

Para o hoteleiro Edson Luiz Sabbagh Alochios e morador da região, a tentativa de impedir o crescimento das mudas pode ter sido realizada pelo mesmo autor do envenenamento das árvores.
“É uma coincidência insistir no crime ambiental. Acreditamos que possa ser a mesma pessoa que envenenou árvores. É muita audácia. Há também vestígio de produto químico no local. Temos câmeras de monitoramento, e estamos realizando o levantamento de imagens para entregar à polícia. Confiamos na Justiça e esperamos que a Justiça seja feita. A pessoa não pode ficar impune”, disse o hoteleiro.
A titular da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Anchieta, a bióloga Jéssica Martins, destaca que uma equipe de fiscalização esteve no local e recolheu as sementes.
“São sementes que foram jogadas nas mudas para atrapalhar o crescimento. Levamos para avaliação do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), que confirmou ser sementes de gramínea. Essas sementes espalhadas provocam o crescimento de capim e abafa as mudas”, explicou a secretária.
As informações foram levadas ao conhecimento da polícia, e adicionadas ao Boletim Unificado (BU) aberto na quinta-feira, sobre o envenenamento das castanheiras. Os documentos serão encaminhados ao Ministério Público.
“Temos a suspeita de que o autor não quer que a área seja recuperada, porque há interesse na especulação imobiliária. Com a área degradada, no entendimento deles, a área pode deixar de ser uma APP (Área de Preservação Ambiental), e poderão ocupar as áreas próximas. Hoje não é possível construir nada em terrenos próximas da praia porque é uma APP”, completou a secretária.
O autor do envenenamento pode responder administrativamente, judicialmente e criminalmente por crime ambiental. Pelo município, a multa pode chegar a R$ 10 mil.
