Animal comum no cerrado, vegetação existente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Minas Gerais e Bahia, o lobo-guará está sendo encontrado em algumas regiões do Sul do Espírito Santo.
E o bicho, que será símbolo da nova nota de R$ 200 a ser lançada esta semana pelo governo federal, vem assustando moradores do interior, que chegaram a acionar órgãos ambientais pensando se tratar de algum animal feroz.
No entanto, especialistas afirmam que não há motivo de preocupação, pois o animal não é agressivo.
“Muito pelo contrário, é extremamente tímido, arredio e não ataca”, explicou o biólogo Helimar Rabello.

“Surgiram boatos de lobisomem em Presidente Kennedy. Coincidiu de terem ocorrido na mesma época em que dois lobos-guarás foram vistos na região. É um bicho que muitos não conheciam”, afirmou Helimar.
O biólogo chegou a avistar uma espécie durante trabalho de campo com alunos no distrito de Rive, em Alegre.
“Topamos com o lobo no pasto. De longe, ele foi andando e entrou no meio de uma capoeira, sumindo de vista”, relatou.
Registro
O primeiro registro da aparição dessa espécie no Espírito Santo, segundo o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), foi em 2003, em Afonso Cláudio.
De lá para cá, o animal foi avistado em Alegre, Jerônimo Monteiro e Itapemirim, além de Presidente Kennedy.
“Somente aqui, em Itapemirim, viram o lobo-guará em cinco locais diferentes”, ressaltou o biólogo Evanderson Conceição, 44 anos.
Os pontos estão situados ao redor da Usina Paineiras, que mantém uma mata. Para ele, há mais de um bicho vivendo na região. “Acredito que existam famílias de lobos-guarás habitando nesses locais”, disse o biólogo.
No meio da lavoura – “Passou bem perto”

O líder operacional Gelciano da Silva Carvalho, 40, se encantou com o animal “É bonito e sempre quieto, calmo”. Ele disse que não há registro de ataques. “Tem mais de um rodando por aqui”, afirmou.
Moradores confundem com leão
Há alguns anos, a Polícia Ambiental recebeu a informação de que um felino de grande porte, provavelmente um leão, teria sido avistado na área entre Alegre e Jerônimo Monteiro.
“Embora tivéssemos estranhado, realizamos diligências e procuramos as pessoas que o teriam avistado. Constatamos que, na verdade, se tratava de um lobo-guará”, explicou o comandante da 4ª Companhia de Polícia Ambiental, capitão Reinaldo Faria.
Os policiais ambientais não chegaram a encontrar o animal na ocasião. De acordo com Reinaldo, não há motivo de preocupação. “É um animal dócil e não existe registro de ataque da espécie a humanos. Na verdade, é muito mais fácil o animal se assustar e fugir”, ressaltou.
Ele complementa: “Vendo um lobo-guará no ambiente natural aberto, não há nada a se fazer, a não ser observar, sem afugentá-lo”.
Capitão Reinaldo alerta que o lobo-guará é protegido pela legislação ambiental, que prevê pena de prisão de seis meses a um ano, além de multa, para quem matar, perseguir, caçar ou apanhar o animal.
Desmatamento facilitou saída do cerrado para o litoral
Na avaliação de órgãos ambientais e especialistas, o lobo-guará chegou ao Espírito Santo em função do desmatamento. Para o biólogo Helimar Rabello, o bicho entrou a partir da divisa com Minas Gerais.

Na avaliação do biólogo, no Espírito Santo, o lobo-guará encontrou ambiente propício. “Aqui chove mais e eles estão encontrando mais roedores, coelhos do mato, aves terrestres e frutas para se alimentar”, destacou.
O capitão Reinaldo Faria explicou que os lobos-guarás vêm ocupando principalmente áreas próximo ao litoral, que dispõem de pouca cobertura vegetal e têm formação mais parecida com os cerrados, com espaços descampados e árvores de menor porte do que nas florestas.
Animais são vítimas de atropelamento em rodovias
Lobos-guarás estão sendo vítimas de atropelamento no Sul do Estado. Há relatos de pelo menos quatro animais da espécie mortos na região, principalmente na área litorânea, que é cercada de rodovias.
Um deles foi atingido por um carro em Presidente Kennedy. Em Itapemirim, um lobo-guará morto foi fotografado em Perobas, próximo do distrito de Campo Acima, caído às margens da rodovia.
O biólogo Evanderson Conceição, 44, disse que há uns cinco anos outro lobo-guará foi atropelado por uma moto e morreu, em uma estrada de chão no meio do canavial, em Itapemirim.
Para Evanderson, o ideal era fazer o monitoramento da espécie no Espírito Santo, para estudar melhor o hábito do animal e ajudar a protegê-lo.
