- Vitória, ES 23°C

Vitória 23°C

Anúncio
Cidades

Após morte de paciente, família acusa hospital em Vila Velha de negar atendimento

Omissão de socorro será investigada pela polícia e pelo Conselho Regional de Enfermagem

Nilson de Almeida Gogi, de 54 anos, morreu após não receber atendimento
Foto de perfil de Nathália Cantarela

Nathália Cantarela

Formada em Jornalismo pela Faesa, Nathália escolheu o curso porque ama escrever. Durante o curso também se apaixonou pelo audiovisual, e estagiou apresentando o jornal da faculdade. Após formada, fez curso de imersão no jornalismo e hoje apresenta o Boletim de Notícias, além de escrever para o site.

Última atualização



A família de Nilson de Almeida Gogi, de 54 anos, acusa a equipe de enfermagem de um hospital em Vila Velha de não atendê-lo diante de um possível ataque cardíaco, que resultou na sua morte. O caso aconteceu na noite dessa quinta-feira (15), quando o paciente foi levado pela família sentindo fortes dores no peito. As informações são da TV Tribuna/Band.

Nilson já apresentava problemas cardíacos e histórico de internações, inclusive no mesmo hospital. Ele passou mal no início da noite dessa quinta-feira e foi levado até o hospital Evangélico, localizado no bairro Alecrim. Na unidade, porém, enfermeiras disseram que ele estava bem e que não poderia ser atendido.

“A enfermeira colocou um negócio no dedo dele, aferiu a pressão, e simplesmente falou que ele estava bem. Uma pessoa que não estava conseguindo respirar, não estava conseguindo falar. Falei com ela que ele precisava de atendimento, pelo menos que o médico olhasse ele, e ela falou que o médico não poderia olhar, que eu teria que ir com ele até um posto de saúde”, contou a sobrinha de Nilson, Mara Rúbia de Almeida.

A sobrinha, juntamente com outro tio, chegou a insistir pelo atendimento, relatando que ele já havia sido internado por 19 dias na UTI daquele mesmo hospital, em novembro do ano passado, e que sofria de problemas cardíacos e depressão. Segundo ela, uma enfermeira falou que não poderia atender por causa de procedimentos do local. “Implorei por ajuda, ela falou que era norma do hospital”, disse Mara.

A família então visualizou uma viatura da Guarda Municipal que fazia ronda na região e pediu ajuda para levar Nilson até o PA da Glória. Durante o trajeto, no entanto, a família relata que o paciente acabou morrendo. No Pronto Atendimento, ele chegou a ser levado para uma tentativa de reanimação, sem sucesso.

A equipe da Guarda, então, retornou ao primeiro hospital para questionar a recusa de atendimento ao paciente. No local, as enfermeiras novamente alegaram que estavam seguindo normas e procedimentos do hospital. “Infelizmente Seu Nilson não resistiu devido à demora, à falta de compromisso, à falta de humanidade por parte do hospital”, afirmou Inspetor Salomão, que participou da ocorrência. 

VOZ DE PRISÃO

Diante do fato, os agentes da Guarda deram voz de prisão a duas enfermeiras, de 22 e 36 anos, que foram levadas à Delegacia Regional de Vila Velha para prestar depoimento. 

Inspetor Salomão contou que a guarnição chegou a pedir para que Nilson fosse atendido. “Foi negado atendimento a ele, foi negado apoio a ele. A guarnição chegou, mais uma vez conversou com as enfermeiras, foi negado. Uma das enfermeiras ainda informou que ali não era SUS”, relatou.

“Olharam para o meu tio como se meu tio fosse um nada”, declarou Mara. Nilson morava no bairro Ilha dos Aires, em Vila Velha e era muito conhecido na região, sendo ritmista da MUG e atendendo pelo apelido de “Mocreia”. 

INVESTIGAÇÃO

A reportagem entrou em contato com o hospital. Por meio de nota, o Evangélico afirmou que “o caso está sendo apurado, lamenta profundamente o desfecho e manifesta solidariedade à família”.

O Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren) também foi procurado e respondeu que irá apurar os fatos devidamente. “Caso sejam comprovadas irregularidades na assistência, será instaurado, por ofício, o procedimento administrativo competente para apuração das responsabilidades”, disse também em nota.

A Polícia Civil informou que as duas enfermeiras, de 22 e 36 anos, assinaram um termo circunstanciado por omissão de socorro, e foram liberadas após assumirem o compromisso de comparecer em juízo.



Mais Lidas

Ver tudo ›

    Bem-vindo(a) ao
    Tribuna Online!

    Seu bloqueador de anúncios está ativo.

    A publicidade ajuda a manter nosso jornalismo. Libere os anúncios para apoiar o Tribuna Online.

    Obrigado por apoiar o jornalismo local.