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PLANOS DE SAÚDE

Aposentado desabafa: “Deixei de viajar e comer fora para manter o plano”

Para manter o plano, Antonio de Castro abre mão de algumas coisas, a exemplo do lazer

Antonio e Eunice usam calculadora para acompanhar os gastos mensais e temem reajuste dos planos de saúde

Última atualização

É com planilha e calculadora em mãos que o contador aposentado Antonio de Castro Reis, 79 anos, acompanha os gastos para que a conta, ao final do mês, feche. Só que nos gastos mensais, os planos de saúde dele e da mulher, a dona de casa Eunice de Castro Reis, 71, comprometem o orçamento. 

Para manter o plano e as despesas da casa, ele faz manobras abrindo mão de algumas coisas, a exemplo do lazer. Diante da sinalização de reajuste em até 18%, ele teme que não consiga manter o plano para os dois.

 













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A Tribuna – Há quanto tempo paga plano de saúde? 

Antonio de Castro Reis – Há mais de 10 anos, mas há cerca de dois anos migrei para outro plano, pois o primeiro ficou inviável devido ao preço.

No anterior, eu pagava pouco mais de R$ 800 para cada um, mas o valor subia bastante, pois era  coparticipativo, então pagava consultas e exames. Já cheguei a pagar mais de R$ 2 mil. Atualmente, gasto cerca de R$ 1,5 mil para os dois, mas não é mais coparticipativo.   

Dá para pagar?

Sim, mas o pagamento é muito apertado. Embora o meu rendimento (benefício da aposentadoria) seja razoável, os gastos têm sido cada vez mais elevados. Além disso, duas filhas que não estão trabalhando com carteira assinada no momento também dependem da minha ajuda financeira.

Para a conta fechar, cortou alguma coisa?

Cortei o lazer. Deixei de viajar e ando de carro raramente, por causa do preço da gasolina, que está muito alto. Fiz mudanças também na alimentação. Sempre almoçava fora, mas isso agora faz parte do passado. Nada de comer fora ou comprar lanches. 

Viajava muito?

Bastante. Ia para o Rio de Janeiro, onde temos parentes, para a Bahia e tantos outros locais. Essa mudança de hábitos me entristece muito. Pensei que ao chegar nesta idade, quase 80 anos, iria aproveitar a vida, viajar, queria relaxar, mas infelizmente não existe essa possibilidade. 

O gasto com remédios é muito alto?

Eu gasto uma média de R$ 150 por mês. Tenho artrose e tomo remédio para controlar a pressão. A minha mulher gasta mais, uma média de R$ 250 por mês, com medicamento para o estômago e ansiolítico contra ansiedade. Somando todos os gastos, fechamos o mês bem apertados. 

É a primeira vez que convive com essa realidade?

É. Está tudo muito caro. Agora, com a previsão do plano subir 18%, como é que vai ficar? Eu tive 10% de reajuste (aposentadoria) e querem reajustar o plano em 18%? A conta não bate. Em último caso, vou sacrificar o meu plano de saúde, mas espero sinceramente que não tenha que chegar a esse ponto. Sei que ter plano de saúde na nossa idade é fundamental. Nunca me senti tão temeroso.

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