
Foi depois de ter extraído dois dentes, para fazer um tratamento de implante, que o aposentado Paulo de Castro, de 68 anos, morador de Vila Velha, descobriu um tumor recentemente, mais precisamente na língua.
Em março, após fazer a extração, o aposentado aguardava em casa para retirar os pontos quando veio a pandemia e os consultórios foram fechados. A família de Paulo acreditava que os pontos cairiam sozinhos, segundo relatou sua filha, a microempreendedora Fernanda Ramos de Castro, 40.
“Quando ele extraiu os dentes, a dentista não viu o tumor. Ele começou a reclamar de nevralgia nos pontos, porém, não tinha mais dente. Foi aí que decidi, eu mesma, retirar os pontos. Quando olhei, vi o caroço. No outro dia, já estava no hospital”, contou Fernanda.
Após passar por um clínico geral que encaminhou o aposentado para o médico de cabeça e pescoço, Paulo vai realizar 32 sessões de radioterapia e quatro de quimioterapia no Instituto de Radioterapia Vitória (IRV).
Segundo Fernanda, o pai deixou de fumar e tem se alimentado corretamente. “Se eu pudesse, falaria para todas as pessoas que fumam os problemas que o cigarro causa”, desabafou Fernanda.
Aftas que não cicatrizam, machucados que sangram, caroços no pescoço e rouquidão por vários dias são alguns dos sinais de câncer de cabeça e pescoço, de acordo com a radio-oncologista Anne Karina Kiister, do Instituto de Radioterapia Vitória.
“Há também aquelas pessoas que pensam que pode ser o aparelho ou a prótese dentária que está machucando. Para ter certeza, deve ir ao especialista e pedir para avaliar”.
Risco de tumor aumenta com uso de cigarro e álcool
A ingestão em excesso de bebidas alcoólicas e o uso de cigarro podem aumentar o risco de câncer de cabeça e pescoço, segundo médicos.
Esse tipo de câncer afeta regiões como boca, lábios, cavidade oral, laringe, faringe, garganta e tireoide.
“O cigarro e o álcool atuam destruindo as células sadias. Eles conseguem alterar a divisão celular de forma correta. Com isso, geram essas mutações que, consequentemente, levam ao aparecimento do câncer. Tanto o álcool quanto o cigarro possuem substâncias cancerígenas”, explicou radio-oncologista Anne Karina Kiister.
A oncologista Luana Pescuite, da Samp, destacou que infecções virais crônicas também podem promover a formação de tumores.
“Temos dois vírus principais que são: o epstein barr, em que a transmissão ocorre por gotículas de saliva, e causa tumor de nasofaringe; e papilomavírus ou HPV, que pode causar tumores de cavidade oral e orofaringe”.
O cirurgião de cabeça e pescoço Jeferson Lenzi, do Cecon, explicou que o câncer de boca, faringe e laringe são mais comuns em homens, e o de tireoide, em mulheres.
“É importante dizer que, quanto mais precoce for detectado, maiores as chances de cura. As pessoas precisam melhorar os hábitos de vida para que não tenham o câncer. Caso tenha, que seja detectado o mais rápido possível”.
De acordo com os médicos, o tratamento varia de acordo com o paciente, podendo ser cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
Saiba mais
- Neste mês, é realizada a campanha Julho Verde, de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. Esse tipo de câncer afeta regiões como boca, lábios, cavidade oral, laringe, faringe, garganta e tireoide.
- Ingestão de álcool em excesso e uso de cigarro podem aumentar o risco de câncer de cabeça e pescoço. Além disso, também são fatores de risco a infecção pelo vírus HPV.
- Caroços na boca e pescoço, aftas que não cicatrizam, machucados que sangram e demoram a cicatrizar, rouquidão, dor e dificuldade para engolir podem ser sinais do câncer.
- Os tratamentos podem incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia.
- Não fumar, não beber em excesso e ter alimentação saudável podem reduzir o risco da doença.