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REMÉDIOS NATURAIS

Aposentado se dedica ao poder medicinal das plantas há 50 anos

Aposentado de 81 anos já ajudou milhares de pessoas com seus chás, xaropes e pomadas na região de Vargem Alta, no Sul do Estado

No quintal de sua casa, no distrito de Jaciguá, Nilton Francisco tem mais de 500 plantas medicinais e nativas |

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Aos 81 anos de idade, o aposentado Nilton Francisco Altoé mostra com orgulho a variedade de ervas medicinais que cultiva no quintal da casa onde mora, no distrito de Jaciguá, em Vargem Alta, no Sul do Estado.

Na região, ele  já ajudou, nos últimos 50 anos,  milhares de pessoas com o poder das plantas. O dom para fabricar as pomadas, os extratos para chás e xaropes caseiros foi  herdado dos antepassados. 

“Naquela época, não existia farmácia por aqui, só em Cachoeiro de Itapemirim. Então, a gente se virava como podia, né? Meus antepassados sabiam como aplicar. Então, aplicavam na gente”, conta  o aposentado.

Emocionado, ele relembra ainda que, quando era criança, sempre foi medicado com as ervas pela avó materna. “Era só eu reclamar de dor de barriga que ela me dava o sumo da arruda”.

Apesar do crescimento da cidade ao longo dos anos, Nilton Francisco mantém o seu recanto verde ocupando uma área de mil metros quadrados com mais de 500 plantas medicinais e nativas. 

Ele revela que a paixão   para cuidar e cultivar ervas veio depois de ter participado de um evento nas montanhas capixabas.

“Fui em São Paulinho do Aracê, em Domingos Martins, numa festa da verdura e o moço que estava ao microfone falou que lá estava acontecendo uma exposição. Fiquei curioso, fui até lá e gostei. Pedi para trazer aquelas plantas e, assim, comecei o meu jardim aqui”, recorda.

De acordo com o aposentado, para preparar chás para curar diarreia, má digestão,   xaropes para resfriados,  e pomadas para tratar problemas de pele, ele se profissionalizou.  O fato de ter participado da construção do horto municipal de Vargem Alta também  aumentou sua experiência.  

“Em 1991, prestei concurso na prefeitura e comecei a montar o horto. Participei de várias palestras, encontros e cursos. Fiz um curso pela Universidade Federal Fluminense (RJ), de 360 horas, e outro pela Universidade Federal de Viçosa (MG). Também fiz pela Ufes. Se juntar os diplomas, tenho mais de três mil horas em cursos”, relata. 

Ele ressalta que confia na medicina, mas acredita que a natureza também ajuda a vencer problemas de saúde. “Eu estudei, procurei saber a substância que tem em cada planta e a quantidade certa que deve ser utilizada”, destaca.

Chá evitou cirurgia no coração

O aposentado Nilton Francisco Altoé conta que há anos, quando participava de um curso em Colatina, no Noroeste do Estado, um amigo com problemas cardíacos estava apreensivo porque poderia   precisar fazer uma cirurgia e o procurou para pedir ajuda. 

Nilton, então, indicou chá de casca da embaúba, também conhecida como árvore-da-preguiça ou pau-de-lixa. 

“Ele me disse que talvez precisasse até pegar as veias safenas de uma das pernas para a cirurgia do coração, e eu falei para ele tomar  chá de embaúba durante 10 dias. Antes da cirurgia, ele pediu para o médico repetir os exames e já não tinha mais nada. Depois isso, até veio aqui na minha casa para mostrar os exames junto com sua esposa”, relatou Nilton. 

O aposentado explicou que, dentre várias propriedades, essa árvore possui ativos cardiotônicos, vasodilatadores e diuréticos e anti-hemorrágicos. 

Assim, ela pode ser utilizada para auxiliar no tratamento de hipertensão, taquicardia e alterações cardíacas, no sistema nervoso e renais, resfriado, asma, tuberculose, coqueluche e outras doenças.  

Todas as partes da embaúba, segundo o aposentado, podem ser utilizadas para preparar extratos, pomadas ou chás. 

Os sucos são normalmente indicados no tratamento da tosse e de problemas respiratórios, enquanto a pomada, que é feita com os galhos, é utilizada para favorecer a cicatrização de feridas, sempre com a autorização do médico.

Xaropes e pomadas fazem sucesso

 













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Por sua sabedoria em ervas medicinais, Nilton Francisco tornou-se, ao longo do tempo, uma figura querida e requisitada pelos vizinhos, em Vargem Alta.

O funcionário público Julimar Paiva Ferraz Neves, 34 anos, compra seus produtos naturais e só tem elogios.  

“Ele realmente é uma enciclopédia viva, é um querido. Faz tudo isso para nos ajudar. Temos muito orgulho dele, com certeza”, afirma. 

Julimar disse ainda que compra os produtos para tratar a gripe em seus filhos. Já a   sua mulher  utiliza desde criança.

“Eu já tinha ouvido falar do seu Nilton, mas nunca tinha usado seus produtos até me casar. Depois que casei e tivemos filhos, minha mulher me trouxe aqui e nunca mais parei. O que mais compro são os xaropes. Nossas crianças gripam muito. Nosso lugar aqui é muito frio”, cita. 

O aposentado comercializa os remédios caseiros que ele mesmo produz em sua própria residência.  As pomadas para curar feridas na pele, que vêm em uns potes de 30 gramas, vende por R$ 5. Os extratos para chás saem por R$ 2, e os xaropes, por R$ 10.

“Os  que mais saem são os xaropes mesmo e custam um pouco mais caro porque o mel está caro. E tem muita gente que compra as outras coisas e nem voltam aqui para me falar do resultado. Isso dificulta a nossa mensuração”, brinca. 

Dentre as 500 plantas que cultiva no quintal, na maioria das vezes, os remédios são feitos com cavalinha, sálvia, guaco e pata-de-vaca.


SAIBA MAIS


Ervas viram receitas

Algumas ervas utilizadas por Nilton Francisco Altoé para a fabricação de remédios caseiros.

 













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Cânfora

Também conhecida como canforeira, cânfora-de-jardim, muito utilizada em problemas musculares ou de pele. Suas partes utilizadas são seus ramos, folhas e raízes para fazer chás, infusões ou pomadas.

 













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Bardana

Também conhecida como orelha-de-gigante, é muito utilizada em pomadas para tratamento de problemas dermatológicos, como acne ou eczemas. Por ter boa propriedade calmante e anti-inflamatória, ela pode ser usada em chá para casos de gastrite ou até dor de estômago sem causa específica, pois alivia a irritação da mucosa gástrica.

 













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Sete-sangrias

Conhecida por outros nomes, como balsamona e erva-de-sangue, em forma de chá, ela auxilia na limpeza do organismo devido às propriedades laxativas, diuréticas e antioxidantes. 

Contribui para a limpeza do sistema digestivo e intestinal, diminui a pressão arterial, reduz o inchaço e a retenção de líquido.

 













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Tanchagem

Muito utilizada na preparação de remédios caseiros para tratar a gripe, o resfriado comum e inflamações da pele, garganta, útero e intestino. Suas folhas podem ser usadas para temperar refeições, preparar chás ou fazer pomadas, ao mesmo tempo  que as suas sementes podem ser ingeridas.

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