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Artista erra ao fazer escultura e arte vira sucesso até no exterior

Alguns gênios da arte e da ciência alcançaram sua obra mais importante após uma falha ou resultado do acaso. Com a artista Gracinha Sabadini, ...

Artista Gracinha Sabadini com algumas peças de barro. Ela desenvolveu um estilo próprio em seu trabalho

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Artista Gracinha Sabadini com algumas peças de barro. Ela desenvolveu um estilo próprio em seu  trabalho (Foto: Alessandro de Paula)Alguns gênios da arte e da ciência alcançaram sua obra mais importante após uma falha ou resultado do acaso. Com a artista Gracinha Sabadini, moradora do distrito de Burarama, interior de Cachoeiro de Itapemirim, não foi diferente.

Quando ainda era principiante no artesanato de barro, fez uma peça usando a massa muito úmida. O peso fez com que a obra ficasse levemente achatada, com proporções mais cheias e sem pescoço.

“No dia seguinte, quando vi a peça, eu adorei o resultado. Ficou muito original”, lembrou a artista, que desenvolveu uma identidade própria. Quem conhece o trabalho de Gracinha, consegue identificar sua obra em qualquer lugar.

Ela lembra que iniciou as primeiras esculturas por acaso, quase como uma brincadeira. Gracinha já trabalhava com artesanato, produzindo tintas usando diferentes tonalidades de terra. Certa vez, ela resolveu reaproveitar a argila que sobrou deste processo para fazer algumas peças.

A partir das primeiras obras que não saíram do jeito que ela imaginou, Gracinha começou a desenvolver habilidades, retratando no barro as personalidades da história, porém de um jeito diferente: gordinhas, sem pescoço, baixinhas e com cabeça e pés desproporcionais.

Ela já retratou artistas famosos como Luz Del Fuego, Roberto Carlos e Rubem Braga. Natural do Rio de Janeiro e moradora de Burarama há quase 40 anos, Gracinha expôs as obras em feiras e exposições no Espírito Santo, São Paulo e Minas Gerais.

Com o tempo, as obras da artista caíram no gosto popular e começaram a surgir pedidos de várias partes do País. Geralmente uma peça sai entre R$ 300 a R$ 650, de acordo com o tamanho e características do personagem. Já uma obra personalizada fica mais cara, normalmente o dobro do valor.

“A escultura personalizada exige muito mais atenção. Normalmente, eu deixo tudo de lado para me concentrar apenas nesta obra”.

Para esculpir a peça personalizada, Gracinha se baseia em fotos da pessoa. “Preciso de várias fotos, de frente, de perfil”, explicou. A arquiteta e urbanista Cristina Zigoni, 62, foi retratada pela artista e gostou: “Todo mundo que vê me reconhece imediatamente”, disse.

Peças na Europa e Estados Unidos

Artista Gracinha Sabadini com algumas peças de barro. Ela desenvolveu um estilo próprio em seu  trabalho (Foto: Alessandro de Paula)As obras esculpidas pela artista Gracinha Sabadini estão em várias partes do Brasil, da Europa e nos Estados Unidos decorando casas, escritórios e outros ambientes.

As peças normalmente são encomendadas para presentear parentes e amigos. No Brasil, Gracinha já enviou obras para diversos destinos, como São Paulo, Goiás, Brasília e Rio de Janeiro.

Em Vitória, o escritor e jornalista Romulo Felippe, 46, mantém a escultura da artista em um local de destaque no escritório de sua casa, onde escreve seus romances e guarda seus livros e a coleção de espadas medievais.

“Tem um lugar especial. Gracinha é uma artista muito sensível, com capacidade de captar a essência da pessoa”, destacou.

Em função do sucesso das obras, a artista foi convidada para participar de feiras em várias partes do País. Uma delas foi a ArteSanto, realizada anualmente na Praça do Papa, em Vitória. Também participou do Brasil Original, feira do Sebrae em São Paulo, em 2016, e da exposição Mãos de Minas, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

Algumas de suas peças podem ser conferidas também no balneário de Iriri, em Anchieta, na loja Bella Casa 22. Esse ano ela foi convidada para participar de uma live com a jornalista Margô Dalla, de Amsterdã, na Holanda.

Confecção dura 40 dias

O que parece ao primeiro olhar algo simples exige muita habilidade e paciência. Cada peça demora em média 40 dias para ficar pronta. Todo o processo é artesanal. Até a cor usada é natural. Ao invés de tinta, Gracinha Sabadini utiliza diferentes tonalidades de terra.

O trabalho da artista de Burarama começa com a escolha da argila, que é especial. Retira o excesso de umidade, bate e aperta a massa para extrair o ar e vai acrescentando o barro e esculpindo a peça, um trabalho que normalmente dura uma semana.

Após concluir toda a escultura, a peça descansa por 15 a 20 dias antes de ser levada ao forno. Esse período é essencial para a perda natural da umidade da argila. Se for aquecida antes desse tempo, pode provocar rachaduras.

A queima da peça exige muita atenção. O cozimento da cerâmica ocorre a 800 graus centígrados e o aquecimento precisa ser gradativo. “Faço tudo em um forno de alvenaria. É um trabalho desgastante, leva o dia inteiro, mas o resultado é ótimo”, disse.

A técnica de queimar de forma correta a argila ela aprendeu com um mestre de cerâmica da região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais.

Por fim, a peça recebe o acabamento. A pintura é outro item curioso. Gracinha não utiliza pigmentos químicos. As cores são produzidas por meio de tonalidades diferentes de terra. O tom azul, por exemplo, ela consegue com o feijão.


ADMIRAÇÃO


Atenção à careca

O barista aposentado José Luiz Garcia Barbosa, de 53 anos, conhecido em Cachoeiro de Itapemirim como Barbosa, contou que recebeu uma peça da artista Gracinha Sabadini como presente de um amigo. (Foto: Alessandro de Paula)O barista aposentado José Luiz Garcia Barbosa, de 53 anos, conhecido em Cachoeiro de Itapemirim como Barbosa, contou que recebeu uma peça da artista Gracinha Sabadini como presente de um amigo.

“Foi um presente que recebi de um grande amigo, o doutor Higner Mansur. Era para ser segredo, mas quando as pessoas chegavam no Mourad’s – bar e cafeteria onde eu trabalhava – e viam a careca do boneco, logo me identificavam: aquele é o Barbosa. Sou um admirador do trabalho dela”, contou Barbosa.

Essência no boneco

O escritor e jornalista Romulo Felippe, de 46 anos, tem uma peça exclusiva da artista Gracinha Sabadini retratando a si mesmo no boneco. (Foto: Alessandro de Paula)O escritor e jornalista Romulo Felippe, de 46 anos, também tem uma peça exclusiva da artista Gracinha Sabadini, retratando a si mesmo no boneco.

“Ficou um trabalho genial. Ela uniu a ideia do Monge Guerreiro, nome do livro que lancei. Me senti imensamente honrado em ter sido retratado pela artista. Com um estilo caricato, ela captou com perfeição a essência do Rômulo e suas paixões literárias”, destacou, entusiasmado.

Caricatura

Para a arquiteta e urbanista Cristina Zigoni, 62, a obra da artista Gracinha Sabadini é uma espécie de caricatura. “Gracinha é um ser humano iluminado. Quando vi a escultura, falei: é a minha cara. Usou coisas minhas, como capacete, a régua, a bolsa que sempre carrego. Todo mundo que vê a peça me reconhece imediatamente. A obra é uma espécie de caricatura, não é a pessoa em si”, ressaltou a arquiteta.
 

 

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