Um estudo elaborado todos os anos há 30 décadas revela dados de consumo de todos os municípios brasileiros. E ele aponta que, no Estado, a cidade campeã em consumo é Vila Velha.
O relatório do estudo IPC Maps 2024 indica que Serra vem logo atrás, seguida por Vitória e Cariacica. Diretor da IPC Marketing Editora e responsável pelo levantamento, Marcos Pazzini, explica que nem sempre cidades que têm um PIB per capita elevado mantém o dinheiro no município:
“Nosso estudo mostra, na prática, quanto do PIB se mantém num município e gira a economia local.”
O economista Heldo Siqueira Júnior observa que Vila Velha e Serra, por terem populações maiores, têm um potencial de consumo maior do que Vitória, apesar de a capital concentrar domicílios de classes mais altas (A e B).
“No ponto de vista de demografia, Vila Velha tem mais habitantes e domicílios que Vitória. E já lidera há alguns anos. Serra tomou a vice-liderança ano passado, muito por também ter uma população maior que a capital”, explica Pazzini.
Presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis no Espírito Santo (ABIH-ES), Fernando Otávio Campos, observa que a pesquisa IPC Maps usa dados de várias bases, principalmente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para criar um perfil de consumo das famílias por domicílio e estabelecer o potencial de consumo das cidades.
“O ranking de 2023 para 2024 não alterou a posição da maioria das cidades. No Top-12, por exemplo, não houve alteração neste ano, até porque estamos em um processo de estabilização do crescimento demográfico”, frisou.
No Estado, como ele destaca, 25% dos domicílios estão classificados como de classes A e B e respondem por 56,1% do potencial de consumo — pouco mais de R$ 75 bilhões.
“Isto muda de cidade para cidade. Vitória, por exemplo, tem 34,3% dos domicílios como A e B, e estes representam 65,9%, o que afeta diretamente o que é mais consumido em cada município”.
As quatro primeiras do IPC Maps são as que mais tiveram envio de declarações do Imposto de Renda este ano: das 818.086 enviadas no Estado, 141.186 foram em Vila Velha, 129.035 em Vitória, 119.540 na Serra, e 65.468 em Cariacica, segundo a Receita Federal.
Cachoeiro se destaca e é a número 1 fora da Grande Vitória
Fora da Grande Vitória, Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Estado, se destaca como a cidade com maior potencial de consumo, seguida de Linhares e Colatina.
Cachoeiro tem potencial de consumo de R$ 8,195 bilhões, um aumento de 2,4% em relação ao ano passado. E seu número de empresas subiu 6,4%: de 24.246 para 25.793.
Já Linhares ocupa o sexto lugar na lista regional e tem potencial de consumo de R$ 6,044 bilhões, um aumento de 7,1% em relação ao ano passado. Mas também caiu no ranking nacional: foi da 185ª posição no ano passado, para a 191ª. Além disso, seu número de empresas subiu 8,5%, indo de 19.350 para 21.004.
Presidente Kennedy, localizada em áreas de extração de petróleo e gás, no Sul do Estado, e é uma das cidades mais ricas do País, está fora do Top-50 estadual: ocupa a 66ª posição no ranking sobre potencial de consumo no Estado, e a 2.498 posição no ranking nacional, com uma previsão de consumo de cerca de R$ 300 milhões.
Saiba mais
O estudo
– Quanto gira a economia local
O relatório intitulado “IPC Maps 2024”, elaborado anualmente há três décadas pela IPC Marketing Editora é voltado para calcular índices de potencial de consumo com base em fontes oficiais.
Dados nacionais
Segundo o levantamento, o consumo das famílias brasileiras deverá desembolsar cerca de R$ 7,3 trilhões com os mais diversos itens de bens de consumo, o que representa um aumento real de 2,5% em relação ao ano passado.
Situação do Estado
– Fora do Top 10
O Espírito Santo está em 12º lugar no ranking nacional de projeção de consumo, com uma projeção, para 2024, de R$ 147.207.937.857.
– Categorias
A maior projeção de consumo no Estado está em Habitação, com R$ 35.178.835.259.
– Na sequência, destaque para a categoria de Veículo Próprio, com R$ 17.680.758.873 e da categoria de Alimentação no Domicílio, com R$ 10.009.546.658
– O top 5 é completado pelas categorias Materiais de Construção, que tem previsão de consumo de R$ 6.836.700.843.
– Outros destaques, também na sequência, são para Plano Saúde/ Tratamento Médico e Dentário, com previsão de consumo de R$ 6.615.139.578.
– Na sequência, aparecem as seguintes categorias: Medicamentos (R$ 5.154.203.712); Alimentação fora do Domicílio (R$ 4.802.756.632); Higiene e Cuidados Pessoais (R$ 3.563.171.989), Educação (R$ 3.540.916.751) e Vestuário Confeccionado (R$ 2.902.776.106).
– Completam a lista as categorias de Recreação e Cultura (R$ 2.278.308.637); Eletroeletrônicos (R$ 1.833.011.536); Mobiliários e Artigos do Lar (R$ 1.826.580.572);
– E mais: Viagens (R$ 1.713.328.984); Transportes Urbanos (R$ 1.346.677.234); Calçados (R$ 1.056.739.191); Bebidas (R$ 893.068.454); Livros e Material Escolar (R$ 884.662.305); Produtos de Limpeza (R$ 491.799.707); Fumo (R$ 304.021.972); Joias, Bijuterias, Armarinhos (R$ 200.631.281).
– Há ainda a categoria de Outras Despesas (24.867.309.945).
Aqui, segundo o diretor da IPC Marketing Editora e responsável pelo levantamento, Marcos Pazzini, explica que “são basicamente pagamento de prestações feitas a prazo, e também despesas gerais, como: quanto você gasta para cortar cabelo, manicure, depilação, reconhecimento de firma, alimentação de pet, entre outras”.
Fumo
Dados do IPC apontam que até o final deste ano, os brasileiros gastarão cerca de R$ 29 bilhões com produtos derivados ou relacionados ao tabaco.
Neste cálculo, são levadas em conta as despesas com cigarros, charutos, fumo para cachimbo, fumo para cigarros e outros artigos para fumantes, como fósforos, isqueiros, entre outros.
Ranking municipal
1- Vila Velha
Com um potencial de consumo de R$ 23,096 bilhões, o município, além de liderar no ranking estadual, está no Top-50 do País, na 44ª colocação. O número de empresas no município subiu 5,8% em relação ao ano passado: eram 72.287 e agora são 76.500.
2- Serra
Com um potencial de consumo de R$ 20,766 bilhões, a Serra se manteve na segunda colocação, posição que assumiu no ano passado. Nacionalmente, também figura no Top-50 do País, na 48ª colocação, e vem se aproximando de Vila velha. O número de empresas na cidade subiu de 65.904 para 69.502.
3- Vitória
Com potencial de consumo deR$ 17,234 bilhões, curiosamente, Vitória é a única capital de um Estado no País a não liderar, em seu estado, o ranking de potencial de Consumo.
“Vitória tem uma população menor que Serra e Vila Velha, e isso acaba afetando. Mas por estarem próximas, pode ocorrer de parte do consumo potencial de Vila Velha e Serra serem efetivados em Vitória”, explica Pazzini.
Segundo os dados divulgados pela IPC, Vitória teve um aumento de 5,6% no número de empresas subindo de 63.457 para 67.025 .
4- Cariacica
Com potencial de consumo de R$ 12,815 bilhões, Cariacica caiu 9 posições no ranking nacional, indo da 80ª posição para 89ª, mesmo tendo aumentado sua projeção de consumo em 4,4% (era R$ 12,3 bilhões no ano passado). O número de empresas subiu 4%: foi de 40.909 para 42.549.
5- Cachoeiro de Itapemirim
Fechando o “top 5” do Estado, Cachoeiro é o município de fora da Grande Vitória melhor colocado em potencial de consumo, com R$ 8,195 bilhões. O município também caiu no ranking nacional: era o 137º e agora é o 145º. Sua variação do potencial foi de 2,4% e o número de empresas também subiu: foi de 24.246 no ano passado, para 25.793 neste ano.
6- Linhares
Com potencial de consumo de R$ 6,044 bilhões (um aumento de 7,1% em relação ao ano passado), Linhares também caiu no ranking nacional, indo da 185ª posição no ano passado, para a 191ª posição no ranking atual. O número de empresas subiu 8,5%, indo de 19.350 para 21.004.
7- Colatina
Com potencial de consumo de R$5,313 bilhões (um aumento de 11,1% em relação ao ano passado), Colatina também caiu no ranking nacional, indo da 217ª posição no ano passado, para a 222ª posição no ranking atual. O número de empresas subiu 5,4%, indo de 16.466 para 17.353.
8- Guarapari
Com potencial de consumo de R$ 4,689 (um aumento de 11,% em relação ao ano passado), também caiu no ranking nacional, indo da 246ª posição no ano passado, para a 250ª posição no ranking atual. O número de empresas subiu 4,5%, indo de 18.792 para 19.641.
9- São Mateus
Com potencial de consumo de R$ 4,1 bilhões (um aumento de 8,4% em relação ao ano passado), também caiu no ranking nacional, indo da 276ª posição no ano passado, para a 289ª posição no ranking atual. O número de empresas subiu 4,6%, indo de 12.170 para 12.724
10- Aracruz
Com potencial de consumo de R$ 3,635 bilhões (um aumento de 3,5% em relação ao ano passado), também caiu no ranking nacional, indo da 298ª posição no ano passado, para a 323ª posição no ranking atual.
O número de empresas subiu 7,4%, indo de 10.229 para 10.987.