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Até 3 horas na fila para provar que estão vivos

Para garantir o recebimento do benefício, aposentados e pensionistas são obrigados a fazer anualmente a prova de vida. O que era para ser algo ...

Aglomeração na fila, no meio da rua, para atendimento a aposentados e pensionistas em agência da Caixa

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Para garantir o recebimento do benefício, aposentados e pensionistas são obrigados a fazer anualmente a prova de vida. O que era para ser algo simples tem levado diversos beneficiários a ficar por até três horas na fila, sob o sol e, muitas vezes, passando mal, esperando pelo atendimento.

Para acompanhar de perto esse drama, a reportagem de A Tribuna percorreu ontem a avenida Expedito Garcia, em Campo Grande, Cariacica, onde ouviu muitas reclamações de quem encarava o sol enquanto esperava a vez de ser atendido.

O problema, segundo disseram aposentados, não é exclusivo de Campo Grande. “Isso acontece em outros lugares. O jeito é ter paciência”, reclamou um aposentado de 70 anos que pediu para o seu nome ser preservado.

Aglomeração  na fila, no meio da rua, para atendimento a aposentados e pensionistas em agência da Caixa (Foto: Kadidja Fernandes/ AT)Mesmo tendo passado por uma cirurgia no fêmur há dois meses e se locomovendo com auxílio de um andador, a aposentada Analice Javarini Fernandes, de 70 anos, teve de ir a uma agência bancária para fazer a prova de vida para não ficar sem receber o benefício mensal.

Com a filha Simone Javarini, a aposentada foi à Caixa Econômica Federal para renovar o benefício e esperou mais de duas horas para ser atendida. “É complicado ter de vir aqui, sentindo dor, tendo de andar com andador, para fazer essa prova de vida”, lamentou.

Marli Silveira, de 79 anos, também foi a uma agência para provar que está viva. No caso dela a prova seria feita no Banco do Brasil. A aposentada chegou às 7h30 e às 10h30 ainda não havia sido atendida. Além de idosa, ela tem um neto de 14 anos especial e quando sai de casa precisa levá-lo junto.

Marli reclama da falta de organização na fila, que não segue a ordem de prioridade: “É um descaso com a gente. Tenho de trazer meu neto especial para cá porque não tem com quem deixar. Eu sofro, e ele também sofre.”

Uma idosa que não quis se identificar contou que foi a quarta vez dela enfrentando a fila para tentar fazer a prova de vida. “Estou passando mal, no sol, em pé, mas tenho de aguentar firme para poder continuar a receber o benefício”.

Desde 1º de junho o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) voltou a exigir a prova de vida para aposentados e pensionistas, que estava suspensa desde março de 2020, em razão da pandemia.

Casal revoltado com a demora

Após cerca de duas horas na fila do banco, em Campo Grande, Cariacica, o casal de aposentados Maria Inês Silva e Arivaldino Nunes de Almeida, ambos de 68 anos, finalmente conseguiu uma sombra para esperar o momento do atendimento.

Ambos estavam revoltados com a situação. “É revoltante passar por isso. A gente trabalha a vida toda, aposenta e chega aqui sem ter nenhuma estrutura, um lugar para sentar, uma água para beber”, desabafou a aposentada.

“É um absurdo”

Quem também reclamou do tempo de espera na fila foi o casal de aposentados Oldar Laurindo, de 73 anos, e Adeir Alves Laurindo, 75.

“Estamos na fila por volta de duas horas e meia e devemos ficar mais porque está andando devagar. Saímos cedo, às 7 horas, de Padre Gabriel (Cariacica) para fazer essa prova de vida e achamos um absurdo passar por isso”, reclamou Adeir.

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