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Néctar de flores desidratado pelas abelhas. Assim pode ser definido, tecnicamente, o mel. Mas sua doçura e seu aroma vão além do consumo no estado natural: ele é também uma importante matéria-prima para a produção de diversos produtos.
E o município que mais produz a delícia no Estado, quem diria, fica na Grande Vitória: é Fundão, que pode ser chamada de cidade das abelhas. Por lá, até os sabonetes são produzidos com o ingrediente.
A apicultora Eliane Soares de Paula, 48 anos, resolveu agregar valor à produção e, após fazer um curso, passou a fabricar sabonetes para vender. Ela explicou que os ingredientes básicos são glicerina e mel, além das essências.
“Faço os sabonetes com mel do meu próprio apiário. A essência utilizada varia de acordo com o pedido do cliente”, contou.
Ela foi convidada a ensinar outras mulheres a fazerem os sabonetes. Entre as alunas estão Adriane Borges, 47, Ariciana da Silva Eliziario, 36, e Alessandra Lopes, 44. “Vou fazer para vender. Vai ajudar na renda”, disse Ariciana.
Consultora de Gestão e Comercialização da Cadeia Produtiva do Mel da Federação de Apicultores do Estado, Lenimar Sedda disse que a iniciativa traz chances para mulheres com dificuldade de acessar o mercado de trabalho.
“Elas têm a possibilidade de se tornarem empreendedoras com produtos agregados à cadeia produtiva do mel e aumentar a renda da família”, enfatizou.
O apicultor André Antônio Lopes, 43, vive das abelhas. Ele produz enxame, rainha, mel e própolis. “Estou na atividade há 20 anos. Trabalho com a Apis mellifera, híbrido da africana com a europeia”.
Criando abelha com ferrão, ele produz 4,5 toneladas de mel por ano. “Ela acabou criando uma resistência. Não é necessário sequer um tipo de tratamento para controlar doenças e pragas. Então acaba sendo muito bem-vista por causa desse tipo de manejo”, frisou.
A professora do Departamento de Ciências Biológicas da Ufes Tânia Mara Guerra explicou que a indústria usa o mel para vários fins. Entre eles, a produção de alimentos e cosméticos, como hidratantes e xampus. Lembrou do uso da cera na confecção de velas. “Há muito mercado a ser explorado.”
Apicultor detalha como é o processo de criação
Para a produção do mel, durante a florada do café, por exemplo, as colmeias são colocadas próximas às plantas para que as abelhas se alimentem do néctar presente nas flores, conforme o apicultor André Antônio Lopes, de 43 anos.
“A gente monta o apiário. Organiza para colocar as colmeias. Tem uma série de fatores para a gente observar. Estar próximo de água e distante de residências e estradas. Quanto mais tempo ficar, mais prático para a abelha coletar néctar ou pólen e a produção acaba tendo maior rendimento”.
As abelhas coletam o néctar e levam para dentro da colmeia para fazer a desidratação, transformando-o em mel. “O néctar tem 40% de umidade. A abelha precisa deixar em 18%. Quando o mel está maduro, as abelhas fecham todos os alvéolos, com uma camada de cera”.
Percebendo que o mel está maduro, o apicultor explicou que ele é levado para a sala de extração, onde ela é realizada com os equipamentos adequados. “O armazenamento é feito em baldes. Primeiro decanta. Depois coloca em baldes para ser comercializado”.
As abelhas também gostam da florada de eucalipto, assa-peixe, quaresmeira, entre outras plantas.
SAIBA MAIS
Apicultura
– A apicultura é a criação de abelhas exóticas (Apis mellifera) com o objetivo de produzir mel, geleia real, pólen, própolis e cera de abelha. Ela não exige muito tempo e nem grandes áreas, e é uma atividade de baixo impacto ambiental, que contribui para preservação do ecossistema.
– 1.000 toneladas por ano é a média da produção anual de mel no Estado.
– Em torno de 250 apicultores capixabas estão organizados em associações, sendo cerca de 1.200 produtores envolvidos na atividade que recebem assistência técnica do Incaper.
Produtores
– Entre os principais municípios produtores de mel estão Fundão, Domingos Martins, Aracruz, Viana, Colatina e Santa Maria de Jetibá (Região Central); Pancas, Alto Rio Novo, São Gabriel da Palha, Águia Branca, Conceição da Barra, São Domingos do Norte, Ecoporanga, Jaguaré e São Mateus (Região Norte); e Dores do Rio Preto e Guaçuí (Região Sul).
Mel
– O mel é o néctar de flores desidratado pelas abelhas. Por isso, em cada florada, o mel tem uma cor e um sabor específico.
– As abelhas gostam, por exemplo, das floradas de café, eucalipto, assa-peixe, quaresmeira, entre outras plantas.
– O mel da abelha com ferrão (Apis mellifera) custa em torno de R$ 18 o quilo, para atravessadores.
Matéria-prima
– Além do consumo in natura e do uso para a produção de diversos alimentos como pães, bolos e biscoitos, o mel também é um importante ingrediente para a indústria farmacêutica e indústria de cosméticos.
Escolha das abelhas
– Quem vai iniciar a atividade de criação, deve comprar a colmeia com um produtor. É importante se informar quais são as espécies de abelhas do Estado para não trazer uma espécie de fora para cá. Essa é uma forma de proteger as abelhas, já que outras espécies iriam competir com elas pelo mesmo alimento, por exemplo, prejudicando-as.
Prós e contras
– A criação de abelhas é considerada um negócio de baixo investimento para implantação e manutenção, com a facilidade de não haver necessidade de o apicultor ser o dono da terra.
– Contudo, esse também pode vir a ser um problema, já que não é possível restringir o voo das abelhas e elas podem voar para plantações com agrotóxico e acabar morrendo.
– A criação de abelhas associada a culturas que elas polinizam pode trazer grande benefício para o produtor rural. O fruto polinizado pela abelha fica mais bonito, maior e mais doce. É um atrativo.
– Pode ser uma atividade desenvolvida por hobby ou como fonte de renda.
Vendas das abelhas
Além da produção de mel, também é possível trabalhar só com a criação das abelhas, vendendo colmeias.
Fonte: Incaper, Tânia Mara Guerra, Juliano Rocha de Souza Cordeiro e André Antônio Lopes.