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Na noite da última sexta-feira, 15, a estudante de Oceanografia e modelo Luísa Lopes, 24 anos, perdeu a vida após ser atropelada na Dante Michelini, em Camburi, Vitória.
O número de atropelamentos é crescente. Dados do Observatório da Segurança Pública do Espírito Santo revelam que, antes mesmo da jovem ser atropelada, havia um aumento de 59,1% no número de atropelamentos com vítimas fatais, com 35 mortes nos três primeiros meses deste ano e 22 no mesmo período do ano passado.
Considerando todas as causas de acidente, foram 162 mortes até março deste ano. A maioria das vítimas é do sexo masculino.
Para o advogado Kamylo Costa Loureiro, o número de atropelamento com vítimas fatais está aumentando por uma série de fatos, como a utilização de celulares ao volante, aumento da velocidade dos veículos e descuido principalmente com pontos cegos por parte dos motoristas. Assim como descuido dos próprios pedestres ao atravessar as vias, sendo na maioria das vezes atrelado, também, à utilização de telefones celulares.
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Cruzamentos
Segundo dados do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, 60% dos acidentes de trânsito no Brasil ocorrem nos cruzamentos de vias. Outra especificidade: principalmente nas transversais, quando dois veículos andam em direções que se cruzam, são os locais onde mais acontecem colisões.
Em Vitória, entre os principais locais de acidentes estão as avenidas Desembargador Santos Neves e Nossa Senhora da Penha, Fernando Ferrari e Dante Michelini.
“Os acidentes de pequeno porte acontecem mais nos cruzamentos. Nas vias citadas, são acidentes de grande porte”, disse o gerente de fiscalização da Guarda Municipal de Vitória Brunno Xavier.
Chefe do setor de comunicação do Batalhão de Polícia de Trânsito, capitão Anthony Moraes Costa, cita três fatores que podem provocar sinistro (acidente): o viário, conforme as condições das estradas, sinalização, condições climáticas; o veicular (estado de preservação do veículo) e o fator humano que, segundo ele, é o principal.
“Ele está relacionado ao comportamento, no sentido negligenciar as normas de trânsito, não obedecer a sinalização, utilizar bebida e dirigir, entre outros exemplos”.
No caso dos acidentes e atropelamentos, ele fala da responsabilidade de todos para um trânsito mais seguro, incluindo os condutores, pedestres, ciclistas e agentes de trânsito (na fiscalização e orientação).
Tempo curto de travessia
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A representante do Coletivo Pedalamente, Yasmin Rodrigues, de 26 anos, cobra para que o poder público fique atento à alta velocidade dos veículos nas vias da capital e com o curto tempo de travessia nas faixas de pedestres e ciclistas.
Ela relata que já sofreu um acidente nesse tipo de situação. “Eu fiquei debaixo do pneu do carro e o motorista saiu para me culpar, sem se preocupar se eu estava bem”.
“Minha fé ficou abalada”, diz mãe
Com gritos, faixas e cartazes pedindo Justiça, os manifestantes presentes na avenida Dante Michelini se solidarizaram pela família da estudante de Oceanografia e passista da escola de samba Unidos de Jucutuquara Luísa Lopes, de 24 anos. As duas vias ficaram interditadas por duas horas e meia.
Os familiares da vítima estiveram na manifestação, muito emocionados pelo fato de retornarem ao local do acidente, onde receberam o carinho e o apoio de quem esteve no ato.
Visivelmente emocionada, a mãe de Luísa, Adriani Luiza da Silva, de 54 anos, fez um desabafo sobre a morte da filha. Ela cobra Justiça e mudanças no trânsito de Vitória.
“Esse movimento representa não só a minha filha, mas também várias famílias que perderam seus entes queridos no trânsito por imprudência, pois uma pessoa que bebe não pode sair por aí dirigindo. Precisamos melhorar a cidade, Vitória precisa de melhor sinalização. Minha fé ficou muito abalada. Eu quero Justiça”, disse.
De acordo com a Polícia Militar, cerca de 500 pessoas estiveram nesta terça-feira, 19, na região do acidente, em frente ao Clube dos Oficiais, em Jardim da Penha.
Manifestantes também pontuaram que o município tem construído corredores para motoristas, como na própria avenida Dante Michelini e na Leitão da Silva. Eles alertam que os carros, a qualquer momento do dia, percorrem essas vias em alta velocidade.
A estudante Isabelly Silva, de 25 anos, reforça a falta de respeito dos motoristas nas vias da capital. “Não acho seguro pedalar, somente em locais onde eu possa me sentir segura, sabendo que não vai ter um carro para me atropelar”.