
Na noite de quinta-feira (30) foi realizada a audiência na qual a Justiça definiu para que a categoria retornasse ao trabalho na manhã de sexta-feira (1º), com pelo menos 30% da frota da viação Tabuazeiro, responsável por começar a greve, e com 100% da frota das empresas Viação Grande Vitória e Unimar, que apoiaram o movimento. Mas a decisão não foi cumprida.
Segundo presidente do Sindirodoviário, José Carlos Sales, o sindicato levou a decisão para a assembleia dos trabalhadores realizada na manhã de sexta-feira, mas os trabalhadores não aceitaram as condições e decidiram manter o movimento.
“O sindicato passou a definição da audiência aos trabalhadores, mas a gente não pode obrigá-los a voltar a trabalhar. A assembleia é soberana, e eles decidiram continuar parados até que haja uma garantia de que receberão os salários atrasados”, afirma o sindicalista.
Na decisão da Justiça, também foi encaminhado o pedido para que a Prefeitura de Vitória adiantasse o repasse de parte das verbas de custeio para a Viação Tabuazeiro, que assim poderia pagar os salários de motoristas e cobradores.
Em nota, a prefeitura informou que recebeu a solicitação e pretende antecipar a compra de vale-transporte para que a empresa possa minimizar os efeitos desse movimento de paralisação dos motoristas.
Segundo o presidente do Sindirodoviários, os trabalhadores estão abertos ao diálogo e esperam que, com a ajuda da prefeitura, possa ser viabilizada a quitação dos débitos salariais. “Não se trata de um movimento pedindo aumento salarial, mas sim de trabalhadores que estão passando fome por não receber há quase dois meses”, afirma José Carlos.
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Espírito Santo (Setpes), que entrou na Justiça solicitando a suspensão da greve, informou que aguardava para sexta-feira a retomada da frota.
“O Setpes alertou para que o sindicato laboral desse cumprimento à liminar proferida pelo tribunal para deliberar com a categoria o retorno das atividades na sexta-feira, 01 de maio. As partes manterão aberto o diálogo durante todo o final de semana e levarão possíveis soluções para uma nova rodada de conciliação que ocorrerá na segunda-feira”, diz a nota.
Entenda o caso
A greve dos ônibus do transporte público municipal de Vitória teve início no dia 23 de abril. Os cerca de 390 funcionários da viação Tabuazeiro cruzaram os braços após não receber salários e benefícios há 50 dias.
A empresa alega dificuldades financeiras devido a diminuição da circulação de pessoas durante a pandemia do coronavírus. Trabalhadores das outras duas viações responsáveis pelo transporte municipal – Grande Vitória e Unimar – decidiram parar para apoiar o movimento da classe, o que culminou com 100% da frota do “verdinho” parada.

