Conhecido como o mal do século, a depressão não atinge somente adultos. Apesar de não constar na pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), médicos afirmam que há uma percepção de aumento de casos entre crianças e adolescentes durante a pandemia do novo coronavírus.
O médico psiquiatra Jairo Navarro confirmou que esse aumento da incidência entre crianças e adolescentes tem sido observado.
“As crianças estão mais estressadas, com maior demanda acadêmica, mais confinadas, com menos lazer”, enfatizou.

“As manifestações de depressão infantil podem não cursar com sintomas de melancolia e tristeza profunda, como acontece no adulto. A criança não sabe dar esse tipo de informação”, disse.
Ela alertou para que pais fiquem atentos a quadros de irritabilidade e de sensação de nervos à flor da pele.
“A criança pode ficar mais aérea, podendo ter queda no rendimento escolar usual, e recusa escolar, devido à dificuldade de se separar de figuras de segurança. Alterações de sono são comuns, com presença de mais medos”.
Sinais que podem indicar depressão infantil
Mudanças de comportamento
Diferente dos adultos
> As manifestações de depressão infantil podem não se apresentar com melancolia e tristeza profunda, como acontece no adulto.
> A criança não sabe nomear essas sensações. Uma forma comum de “falar” é usando o próprio corpo, ou seja, somatizando.
> Somatização nada mais é do que uma forma de expressão física de sensações e sentimentos: dor abdominal, dor de cabeça, febres sem fator detectável.
Sinais de alerta
> Problemas para dormir.
> Aumento de medos incomuns para a idade.
> Voltar para cama dos pais ou necessitar de companhia.
> Agressividade.
> Irritabilidade.
> Apatia.
> Falta de prazer em brincar.
> Excesso ou falta de fome.
> Recusa em interagir.
> Atraso na comunicação (verbal ou mesmo por olhar).
> Pesadelos recorrentes.
> Problemas repetidos de escape de xixi ou cocô após já ter aprendido.
queda no rendimento escolar usual.
Fonte: Fernanda Mappa, psiquiatra da infância e adolescência e presidente da Associação Brasileira de Neurologia e Psiquiatria Infantil e Profissões Afins no Espírito Santo.