Prevendo aumentos que podem chegar a 42% na conta de água de algumas unidades, condomínios do Estado já cogitam entrar na Justiça contra o novo plano tarifário da Companhia Espírito Santense de Saneamento (Cesan).

Além de um aumento de 9% na tarifa de água e esgoto, a agência determinou uma alteração na metodologia de cálculo, o que eleva ainda mais a fatura.
A partir de agora, o serviço deixa de ser cobrado com base no volume mínimo faturável (10m³ multiplicado pelo número de apartamentos), e passa a ter uma parcela fixa e uma variável.
Na prática, significa que o valor da conta será calculado de acordo com o porte do imóvel e o volume de água consumido. Com isso, alguns condomínios vão pagar mais caro do que pagam hoje, mesmo com o consumo semelhante ao atual.
Presidente do Sindicato Patronal de Condomínios do Estado, Gedaias Freire explicou que o aumento vai variar entre cada condomínio. Para exemplificar o tamanho do impacto, o sindicato usou como base algumas contas do mês de setembro para projetar o valor da próxima fatura, levando em conta o mesmo consumo.
Um condomínio com seis apartamentos que teve a conta de R$ 527 no último mês, iria aumentar a despesa para R$ 629 no próximo, com o mesmo consumo – um aumento de 19%.
Em outro condomínio, de porte maior, com 599 apartamentos, a conta de R$ 51 mil subiria para R$ 73 mil – um acréscimo de 42%.
“O reajuste está sendo muito elevado. Em muitos condomínios, se gastar menos, vão pagar mais do que pagam hoje. Não podemos concordar com isso. Não há lógica e nem razão para esse aumento exagerado”, afirmou Gedaias Freire.
O Sindicato Patronal de Condomínios fez um ofício para a Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Espírito Santo com o objetivo de buscar uma solução.
“Se não resolver politicamente, só resta a ação judicial. É preciso buscar uma solução técnica que equilibre os reajustes dos condomínios que estão tendo impacto muito elevado, para chegar em média de, no máximo, 10%”, ressaltou Freire.