
A avó paterna de Kauã Salles Butkovsky, de 6 anos, Marlúcia Butkovsky, de 56 anos, concedeu uma entrevista para o repórter da TV Tribuna sobre a prisão de Juliana e do pastor Georgeval Alves Gonçalves. Confira a entrevista completa:
Dona Marlúcia a senhora recebeu a notícia ontem. Como foi? O que contaram para a senhora?
Sim. Recebi por meio de um dos advogados da acusação porque até então, todas as notícias presentes sempre foram passadas pela mídia e nunca foi algo direcionado para nós. Então ontem, a promotoria ligou para meu filho e admitiu que já estava com o mandato de prisão da Juliana. Nós não divulgamos porque as coisas estão correndo em segredo de Justiça.
E como vocês receberam a notícia da prisão de Juliana?
Recebemos essa notícia com muita tristeza porque nós convivemos com ela mais de 3 anos. O amor que ela passava para o meu neto, Kauã, era muito grande! Ela cuidava muito do Kauan. Não dá pra entender como uma mãe pode ser conivente com qualquer crime com criança, não tem como aceitar.
A senhora já suspeitava de alguma participação dela?
Na realidade não. Mas com o andar das investigações a gente começou a ficar com dúvidas… O silêncio de uma mãe não se justifica em hipótese alguma. Eu sou mãe de dois filhos, o Kauã é meu neto. Estou aqui com o coração partido de não poder fazer nada e naquele dia não poder estar lá, sem saber que tudo ia acontecer, para proteger meu neto e o Joaquim também, que era uma criança maravilhosa. Eram crianças que viviam rindo, um cuidava do outro então não dá pra entender. Não tem justificativa a omissão de uma mãe, não tem!
Com o caminhar disso tudo, com a prisão de Juliana, vocês acreditam que ela sabia de todo esse risco?
Olha pra dizer a verdade eu nunca pensei nisso. Agora eu deixo a investigação ser feita pelas pessoas que estudaram para isso. E eles estão fazendo esse papel, estão investigando a fundo. Tanto que se não estivesse acontecendo essa investigação, esse monstro estaria na rua. Se ele fez isso com um filho e um enteado, ele faz com qualquer um! Com o decorrer da situação, nós percebemos que mais coisas nessa história.
A senhora chegou a conversar com a Juliana depois de tudo o que aconteceu?
Não. Só vi a Juliana pela última vez no enterro. Eu estive perto dela e ela estava abraçada com o pai. E o que eu falei com ela foi: “Agora é a hora de você se firmar com o noss Deus vitorioso”. Isso eu falei pra ela. Porque a pessoa perder os dois filhos e no caso dela, seria o terceiro filho, só dá para viver pela obra de Deus. É muita tristeza! Eu não entendo como ela não acredita que foi ele que fez isso tudo. Isso deixa a gente ainda mais constrangida.Eu vi um vídeo na internet, depois disso tudo, no qual esse maldito pastor falava de traição, de estupro com criança e dizia que tem que ser perdoado. Eu acredito em Deus e se Deus quiser perdoar, é obra Dele. Eu, Marlúcia, não perdoo aquele crápula nunca na minha vida. Nunca! Eu quero que ele morra na cadeia. Por mim ele deveria ir para a cadeira elétrica. É uma pena que no Brasil não tenha isso. Porque é injustificável uma situação dessas! Saber a barbaridade que ele fez e mesmo assim, uma mãe e uma irmã dela dizerem que acreditam na inocência dele. Onde está o Deus deles? A única coisa que eu quero agora é justiça, porque a perda daquele anjo foi um perda que pra mim é imensa! É como se fosse o meu filho porque o Kauã veio do meu filho. E pra mim, não tem outra coisa a não ser esse homem pagar. Peço justiça, muita justiça e quero pedir as autoridades que possam mudar a lei no Brasil. Esses caras fazem o que querem e ficam impunes. Ficam na cadeia e saem. E ai, adiantou alguma coisa? E os outros? Os outros vão achar que é muito fácil e que podem fazer o que querem.
Dona Marlúcia como está o coração da senhora? Como a senhora está tentando passar os dias, mesmo que seja difícil? Como estão todos vocês agora?
Esquecer pra nós vai ser impossível! Eu durmo e acordo pensando nisso e pedindo justiça. Agora até não tem nada que possamos fazer a não ser pedir justiça. Fazer protestos, inclusive já tem um protesto marcado para o dia 1 de julho. Queremos que esse caso não seja esquecido porque a mídia todos os dias mostra outros crimes e não queremos que esse crime tão bárbaro seja esquecido. É muito triste saber que hoje acontece isso com tantas outras crianças. Queremos justiça para todos que estão envolvidos nesse crime. E mesmo depois de toda a omissão, que eles sejam punidos. Criança veio ao mundo para ser amada e não para sofrer. Não tem explicação pra isso, não tem!