Prematuro e com 860 gramas de peso, o pequeno Wallace Spada Marques de Souza demostrou desde as primeiras horas de nascimento a sua vontade de viver, após permanecer 94 dias em uma unidade de terapia intensiva neonatal (Utin) de Cachoeiro de Itapemirim.
A alta do bebê, que estava internado na Maternidade Unimed, foi comemorada pelos seus pais, a atendente Vanessa Pinto Spada, de 37 anos, e o servidor público José Marcos de Souza, de 40 anos.

A mãe relembra os momentos de aflição: “meu filho foi muito guerreiro. Esse período foi bem cansativo e havia momentos em que me sentia exausta. A gente vivia na incerteza do amanhã. Mas eu via meu filho lutando pela vida e os médicos também me encorajavam com palavras positivas. Isso foi fortalecendo a gente. Não foi fácil, mas a gente venceu”.
De acordo com a enfermeira coordenadora Gabriela Fraga, a mãe entrou em trabalho de parto prematuro devido a um sangramento uterino. “Como houve uma piora do sangramento, a equipe médica decidiu realizar a cesariana. A paciente teve diabetes gestacional e fez uso de insulina durante a gestação”, contou.

“Ele evolui muito bem às terapias utilizadas e conseguimos que a hemorragia intracraniana regredisse de grau 3 para 1. Os cuidados humanizados, o método canguru, o envolvimento dos pais no cuidado desde a internação na utin e a utilização do protocolo de prevenção de hemorragia intracraniana foram fundamentais”, avaliou Gabriela.
A mãe conta que a gestação, aparentemente, estava correndo bem: “os exames de pré-natal não apontavam qualquer problema. A gravidez foi tranquila. Não senti nem enjoo nesse período”, relembrou.
No entanto, veio o susto: “num domingo à noite, comecei a sangrar e no hospital os exames mostraram que a placenta estava totalmente descolada. Fizeram o parto no dia seguinte. Eu não vi nada. Estava muito nervosa”.
Ela disse que foi uma sensação muito ruim sair do hospital sem poder levar seu filho. “Senti medo e insegurança. Fiquei muito mal e muitas vezes me culpei por achar que tivesse feito algo errado. A sensação é horrível ao pensar que o pior pode acontecer. Entreguei a vida do meu filho a Deus. Eu sabia que Ele nos abençoaria e faria o melhor para nós”.
