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Biólogo consegue fotografar cometa Neowise na Serra: “Dei sorte”

Apesar dos milhões de quilômetros de distância, alguns fenômenos astronômicos podem ser vistos a olho nu da Terra. Nesta semana, o cometa Neowise ...

Última atualização

 (Foto: Christiano Bongiovanni)

Apesar dos milhões de quilômetros de distância, alguns fenômenos astronômicos podem ser vistos a olho nu da Terra. Nesta semana, o cometa Neowise está de passagem pelo hemisfério Sul e o biólogo Christiano Bongiovanni conseguiu registrá-lo de um ponto de observação na Serra, na noite de quinta-feira (23). 

O biólogo faz parte de um coletivo de fotografia chamado “Expedicionários”, que se dedica a registrar a natureza, e fez as imagens do cometa em uma estrada de chão, às margens da Rodovia do Contorno, na Serra, próximo a um condomínio. 

Christiano revelou que, na quarta (22), ele havia tentado fotografar o fenômeno em um local de Vitória, mas não teve sucesso. Depois da primeira tentativa falhar, no dia seguinte, ele partiu para esse ponto às margens da Rodovia do Contorno.

“O horizonte estava livre, o ambiente tinha um pouco menos de luz e ficou um pouco mais fácil de localizar, porque ele não estava visível a olho nu. Foi na tentativa e erro, mesmo com o auxílio de um aplicativo para tentar localizá-lo no céu”, explicou ele.

O biólogo disse que contou com um pouco de paciência e sorte para registrar o momento. De acordo com ele, desde quando foi anunciado que o cometa poderia ser visto, ele passou a ter em mente alguns locais onde poderia fazer essa foto.

“Esse local é um deles, porque não tem tanta iluminação. Me programei antes e dei sorte, mas, na hora, é muita satisfação. Amigos meus em outros pontos na Grande Vitória tentaram e não conseguiram de primeira fotograr o cometa”, afirmou ele.

A passagem do cometa ainda deve se prolongar até o final deste mês. Christiano informou que tentaria fazer um novo registro nesta sexta-feira (24),  o céu estava nublado fez com ele desistisse, mas ele disse que no sábado (25) deve fazer uma nova tentativa.

O coletivo do qual ele faz parte trabalha na finalização de um livro com imagens da natureza. Por conta do tempo, a foto do cometa não vai entrar nesse álbum, porém uma das imagens foi compartilhada nas redes sociais e rendeu bastante elogios e compartilhamentos. 

A reportagem do Tribuna Online  enviou a foto para o professor do Departamento de Física da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e diretor técnico-científico do Planetário de Vitória, Sérgio Bisch. 

De acordo com ele, as características parecem ser sim do cometa. “Um aspecto nebuloso, com um pouco de cauda, bem baixo, próximo do horizonte, e, pela claridade do céu ao fundo, num horário logo depois do pôr-do-Sol”, explicou ele.

Como ver o cometa

O professor Sérgio Bisch ressalta que o cometa Neowise pode ser visto desde a última quarta-feira (22) e essa passagem  acontece até o final do mês de julho.

“O cometa estará visível durante pouco tempo, bem no início da noite, após às 18h e antes das 19h, bem baixo, próximo do horizonte noroeste, na constelação da Ursa Maior”, destacou ele.

Contudo, o professor destaca que para conseguir ver o cometa, a olho nu, há algumas condições bastante limitantes. A primeira delas é que o tempo deve estar bom, sem nuvens na direção do horizonte.

O segundo ponto é que a observação deve ser feita de um local em que o horizonte noroeste seja desimpedido, sem prédios ou árvores na frente, pois o cometa aparecerá muito baixo no céu, e antes das 19h já terá se escondido no horizonte.

O último ponto é que o local de observação deve ter um céu bem escuro, de preferência longe da cidade, pois a luz de qualquer centro urbano produz o que podemos chamar de “poluição luminosa”, que impede que vejamos objetos com pouco brilho.

“Se o observador tiver a sorte de estar no horário certo, num local de céu escuro, horizonte noroeste desimpedido e o tempo não estiver nublado, haverá uma boa chance de conseguir ver o cometa. Se esse observador puder contar, ainda, com um binóculo para ajudar na visualização, será bem melhor”, ressalta ele.

Diferença de cometa e meteoro

Muitas pessoas têm a ideia de que a passagem de um cometa ocorre como algo que é rápido e passageiro. No entanto, o professor Sergio Bisch explica que o trajeto desse fenômeno é lento.

“Um cometa passa a milhões de quilômetros de distância da Terra e, por isso, parece ‘parado’ no céu com relação às estrelas, com o aspecto de uma estrela meio difusa, nebulosa, com uma cauda que, às vezes, se torna visível. Apenas lentamente, de um dia para o outro, percebemos o seu deslocamento com relação às estrelas. Ele não se move rápido no céu”, frisou.

Já o meteoro, ele conceitua como como um pequeno fragmento de rocha que vem do espaço e cai na Terra, é um fenômeno que acontece perto de nós, na atmosfera da Terra.

“Devido à altíssima velocidade dessa sua queda, o meteoro sofre um grande atrito com o ar, se aquece e fica incandescente, movendo-se muito rápido, deixando um rastro luminoso no céu que só dura segundos ou fração de segundos. É o fenômeno que, popularmente, é chamado de ‘estrela cadente’. Alguns meteoros resistem à queda e, quando são encontrados no chão, são denominados ‘meteoritos'”, finaliza.
 

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