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Bordados para brilhar nas passarelas

Adeptas a um novo conceito de bordado e querendo promover o empoderamento de mulheres em vulnerabilidade social, cerca de 30 artesãs do projeto ...

Artesãs Kézia, Joelma, Kelly e Maria, do projeto Semearte, estão confeccionando vestidos, macacões e blusas

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Artesãs Kézia, Joelma,  Kelly e Maria, do projeto Semearte, estão confeccionando   vestidos, macacões e blusas (Foto: Antonio Moreira/AT)

Adeptas a um novo conceito de bordado e querendo promover o empoderamento de mulheres em vulnerabilidade social, cerca de 30 artesãs do projeto Semearte, do bairro Feu Rosa, na Serra, agora estão em busca de um novo desafio: levar a sua arte para as passarelas.

Já em fase de desenvolvimento, elas estão criando peças que serão incorporadas a uma nova coleção da marca Justa Trama, do Rio Grande do Sul, que já desfilou em eventos como o Brasil Fashion Eco Week, um dos maiores do segmento de moda sustentável do País.

A expectativa é que sejam confeccionados vestidos, macacões e blusas estampados com bordados de ervas medicinais, além de plantas típicas da flora brasileira. O resultado da parceria ainda não tem data para ser lançado.

Coordenadora do grupo e uma das bordadeiras, Kézia Alice dos Prazeres explica que o Semearte busca captar microempreendedoras que precisam de apoio para entrar no mercado de trabalho.

Ela, que foi vítima de violência doméstica em 2013, encontrou no projeto uma forma de ajudar tanto a própria família quanto outras mulheres, de vários bairros do município, cujo maior sonho é a independência financeira.

“Antigamente, o bordado era associado aos panos de prato, às toalhas de banho, tudo que remetesse ao lar. Mas, hoje, ele é um lugar de voz, das mulheres colocarem para fora o que querem dizer”, afirma.

Também integrante do grupo, a artesã Joelma de Souza Matos, de 50 anos, conta que conseguiu superar uma depressão pós-parto com o bordado, além de levar renda para a família, que passava por dificuldades financeiras.

“Mais do que uma terapia para mim, bordar virou uma forma de autoconhecimento. Cada uma de nós descobriu um potencial que nem sabia que tinha”, frisa Joelma, que, no projeto, ainda tem a companhia das colegas Kelly Conceição, 22, e Maria de Fátima Silva, 65 anos.

Uma das principais apoiadoras do Semart, a Agência de Desenvolvimento das Micro e Pequenas Empresas e do Empreendedorismo (Aderes), destaca a colaboração entre as integrantes.

“São mulheres guerreiras, que mantêm o sustento da família a partir da economia solidária (em que dividem os lucros com o resto do grupo), e ainda se preocupam em transformar a comunidade de onde vieram”, diz o diretor-presidente da Aderes, Alberto Gavini.

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