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CRIANÇAS E ADOLESCENTES

Brincar em família reduz a ansiedade de jovens

Atividades como exercícios físicos, ler e assistir a filmes são algumas das opções simples de serem colocadas em prática

Lavagem excessiva das mãos é um dos principais sintomas do transtorno obsessivo compulsivo

Última atualização

Para diminuir a frequência de tiques nervosos e manias das crianças e dos adolescentes, especialistas defendem que os esforços das famílias devem se concentrar em diminuir o grau de ansiedade dos filhos.     

Algumas das opções simples de serem colocadas em prática, por exemplo, são as brincadeiras junto aos pais, através dos jogos de tabuleiros, os exercícios físicos, aprender a tocar  instrumentos, além de ler e assistir a filmes.   

A psiquiatra infantil Fernanda Mappa destaca que essas atividades não eliminam a chance de a  criança ou o adolescente desenvolver os tiques, mas podem ajudar no controle do transtorno. “Qualquer coisa que leve à distração, reduzindo o estresse, acaba sendo favorável”, afirmou.

Segundo a psicóloga Marina Miranda,  uma das principais atitudes a serem tomadas é controlar o tempo dos pequenos em frente às telas, como celular e computador, uma vez que as redes sociais têm provocado danos ao bem-estar das crianças.

“O uso excessivo dos eletrônicos atrapalha a rotina delas, levando-as a interagirem menos com as pessoas ao redor. A socialização fica prejudicada. Crianças a partir dos 7 anos também já estão preocupadas com os padrões estéticos, e esse é um fator que gera ansiedade e estresse”, avaliou. 

Para o psiquiatra Valber Dias Pinto, outra sugestão seria diminuir – ou cortar, por completo –o consumo de produtos estimulantes. “Seria bom evitar café, refrigerantes, bebidas com chá-verde e  energéticos, entre outros”, listou.

Na opinião do psicopedagogo e colunista de A Tribuna Cláudio Miranda, também dá para prevenir os tiques com a adoção de práticas saudáveis, como exercícios de relaxamento e meditação.

“Além disso, toda tensão e excesso de cobranças nos ambientes escolar e familiar podem agravar o quadro. Quando necessário, o médico deverá indicar um medicamento e iniciar um atendimento terapêutico”, recomendou.

O mesmo é defendido pela hebiatra (que cuida de adolescentes) e médica pediatra Bruna Bressanelli. A especialista destacou ainda a importância de as crianças se dedicarem a  atividades lúdicas.

“Normalmente, quando a criança está focada em uma atividade que gosta, os tiques diminuem. É essencial olhar o seu filho com carinho e atenção, para reparar em quais momentos ele melhora ou piora”, salientou.

 













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TOC também piorou na pandemia

Além das manias que cresceram durante a pandemia entre crianças e adolescentes, outra doença que também ficou em evidência neste período foi o transtorno obsessivo compulsivo (TOC).

Uma pesquisa da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, divulgada em novembro de 2020, apontou que a maioria das crianças diagnosticadas com essa condição teve os sintomas agravados por causa da covid-19.

O TOC é caracterizado por pensamentos irracionais que levam a comportamentos compulsivos. Entre os principais sintomas, estão o medo de bactérias e a lavagem excessiva das mãos, por exemplo.

Ao todo, 102 jovens foram entrevistados, entre os meses de abril e maio do ano passado. 

O levantamento foi feito em dois grupos. O primeiro era composto por quem havia descoberto a doença recentemente; e o segundo, por quem tinha passado pelo quadro clínico há mais de um ano. 

No primeiro grupo, metade relatou piora nos sintomas; 32% informaram que tiveram mais crises de ansiedade; e cerca de 33%, sintomas de depressão. Já no segundo grupo, 73% relataram um agravo da doença.

“Contudo, embora se pareçam, o TOC é diferente do tique. Nesse caso, a criança não percebe o que está fazendo, e é involuntário. Já no TOC, a pessoa faz aquele ato de forma consciente, apesar de ser algo que cause sofrimento”, explica o médico psiquiatra Vicente Ramatis. 

Diferentemente da maioria dos tiques, como afirma a psicóloga Marina Miranda, ele exige um tratamento medicamentoso e não tem cura. “Sem acompanhamento, a pessoa se torna refém do comportamento repetitivo”, frisa.

 













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Sessão de cinema e livros

Para evitar o surgimento de vícios e manias prejudiciais na família, o pastor Walter Ries Junior, de 43 anos, e a administradora Ana Müller Ries, 39, criaram um novo hobby para os filhos Gabriel, de 17 anos, Fátima, de 11, e Gustavo, 10.

Juntos, eles se reúnem todas as sextas-feiras para uma “sessão de cinema” e para ler livros, como os da saga infantojuvenil Harry Potter.

Além disso, como garante Ana Müller, o tempo dos filhos em frente à televisão, ao celular e ao videogame também passou a ser controlado. “Aconteceu de forma muito natural. Com isso, eles acabaram sentindo menos a ausência da escola e de outros familiares”, diz a administradora.

 













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Luta contra o estresse

Confinados devido à pandemia, o gerente de vendas Jorge Moysés, 37, decidiu inserir um esporte na vida da filha Marina, de 4 anos, para mantê-la livre da ansiedade e do estresse. Ela, que agora é praticante de jiu-jítsu, junto com outros colegas da mesma idade, melhorou suas relações interpessoais. 

“Houve uma fase em que ela fazia muita pirraça, chorava por não poder brincar. Foi só a gente colocá-la no esporte, que tudo mudou. Como eu já praticava judô, resolvi fazer o jiu-jítsu junto”, conta Jorge.

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