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“Busca é por igualdade”, diz 1ª capixaba a mudar de sexo

A capixaba Sandy Vasconcellos, de 47 anos, se olhava no espelho e não se reconhecia. Sua luta para corrigir o órgão sexual começou em 1990, mas ...

Sandy Vasconcellos: "Eu gosto de sentir saudade, de dar e receber carinho"

Última atualização

A capixaba Sandy Vasconcellos, de 47 anos, se olhava no espelho e não se reconhecia. Sua luta para corrigir o órgão sexual começou em 1990, mas somente em 1998 uma equipe médica realizou o procedimento que mudou a sua vida para sempre e que, até então, era inédito no Espírito Santo.

Sandy Vasconcellos: "Eu gosto de sentir saudade, de dar e receber carinho" (Foto: Leonardo Bicalho / AT)
Hoje, 21 anos depois, a primeira mulher transexual do Estado está mais realizada do que nunca: é produtora cultural, ministra oficinas e palestras e trabalha com cinema, sua grande paixão.

“Ser trans é muito difícil. Imagina descobrir que você não se encaixa? Sofri muito para manter a minha busca. Quando eu falava que queria fazer a cirurgia, as pessoas me incentivavam a ser gay, a ser travesti, e eu não era nada disso!”, contou.

“Foi uma luta muito grande, porque não era algo materializado para as pessoas”, acrescentou.

Mais de 20 depois da cirurgia, Sandy acredita que o maior desafio hoje é a falta de esclarecimento sobre o assunto. “As pessoas ainda ficam confusas. Ele é uma mulher? É um homem? As pessoas não entendem o que é ser transexual. É se olhar no espelho e não se identificar com o que vê”.

Nascida em Vila Velha, a produtora cultural destaca que não optou pela operação para levantar uma bandeira. “Não é isso: foi para resolver uma questão pessoal. Eu não queria chegar aos 50 anos como uma mulher frustrada. A busca é pela igualdade”, frisou.

“Se a gente sempre lutou pela igualdade, por que voltamos a limitar tudo? Negro só pode se relacionar com negro, trans com trans. Criaram muros, paredes”, completou.

Solteira há um ano e meio, ela acredita no amor sem cobranças. “Ninguém é perfeito. Você não precisa assinar um papel para viver uma história bonita. Eu gosto de sentir saudade, de dar e receber carinho. Acredito no amor, mas não quero me casar mais. A vaga é para namorado”, divertiu-se.

Sandy Vasconcellos produtora cultural

A Tribuna – Por que a cirurgia era tão importante para você?
Sandy Vasconcellos – É uma questão individual, mas para mim, era insuportável estar naquele corpo. Eu não conseguia me identificar com aquela imagem masculina no espelho, porque eu sempre fui feminina.

Teve medo?
Essa briga era só minha, porque ninguém tinha feito nada parecido antes aqui no Estado. Tive de convencer os médicos a fazer uma adequação para eu viver melhor. Levei tudo pronto, então tinha total certeza do que queria.

Chegou a se arrepender da cirurgia nesses 21 anos?
Não, minha vida é absolutamente normal. Engraçado que a gente vê casos de pessoas que vão à televisão dizer que são ex-travestis, ex-gays. Para mim, é tudo balela. Se você é ex e não se identifica mais com aquilo, é porque nunca esteve de fato lá. Não existe isso!

Como as pessoas reagem à sua história? Há preconceito?
Engraçado que, para mim, o preconceito não é alguém chamar você de “bicha” ou de “travesti”. Ele está no olhar, em um detalhe, a pessoa não precisa dizer nada. Ainda existe muita resistência às pessoas trans.

O que considera mais difícil nas suas relações amorosas?
A primeira coisa é o aprisionamento. Tenho liberdade, uma cabeça aberta, que as pessoas não entendem muito. Quando me apaixono, vou levando a relação da melhor forma possível, me dedico, mas tem aquele momento em que visto a pele de liderança, porque esse é o meu perfil. Sou uma mulher guerreira, segura, e vejo muitos homens empurrando as relações com a barriga. Isso me incomoda muito.

E os projetos futuros?
Estou rodando o filme do Rodrigo de Oliveira. Neste mês vai rolar o Festival de Cinema de Vitória. Estou trabalhando muito!

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