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Cais das Artes no ES é joia de arquiteto premiado

Projeto é de Paulo Mendes da Rocha, que foi um dos mais importantes profissionais da área do País

Foto de perfil de Francine Spinassé

Francine Spinassé

Graduada em Jornalismo pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua como repórter de A Tribuna desde 2008. Em 2011, passou a integrar a equipe responsável pelas reportagens especiais diárias do jornal, ao lado da jornalista Eliane Proscholdt.

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Além da expectativa de incluir o Espírito Santo no calendário cultural do País, o Cais das Artes ainda é considerado uma “joia” de um dos maiores arquitetos e urbanistas do País.
Colecionador de prêmios por todo o mundo, o capixaba Paulo Mendes da Rocha foi o idealizador da obra na Enseada do Suá, em Vitória, que se somará ao legado deixado por ele. O arquiteto morreu em 2021.

O complexo cultural Cais das Artes é composto por três edificações. A mais alta delas será um teatro, com capacidade para 1.300 pessoas.
Ao lado, fica o museu, que tem ainda um prédio administrativo anexo a ele.
Apesar do aspecto fechado das construções, cada detalhe foi pensado por Paulo Mendes da Rocha com uma finalidade.

O arquiteto coordenador do projeto do Cais das Artes, Martin Corullon, explicou que Paulo sempre teve fascínio pela obra e pela região em que estava.
“Trabalhamos juntos por muito tempo. A ideia dele era criar uma grande praça pública em que as pessoas pudessem ir até a beira do mar sem impedimento. Ele pensou em tudo para que a vista fosse preservada”.

Corullon revelou que, para isso, as edificações são suspensas. “Apesar do grande porte da obra, as construções são elevadas do chão e com poucos apoios, para criar leveza e permitir o uso térreo e a visualização do mar”.

Ele destacou ainda que, apesar desse aspecto “monolítico”, de um bloco, o Cais das Artes permite uma experiência completamente diferente para quem está do lado de dentro.

“De dentro para fora há muitas aberturas horizontais que ‘recortam’ a paisagem. Na parte inferior do teatro também tem uma parte que Paulo gostava muito, que é um espaço para bar ou restaurante na beira do mar. Como os pilares entram na água, é possível entrar com embarcação e ir ao restaurante.”

O arquiteto e urbanista Pedro Mendes da Rocha, filho de Paulo, avalia que não tinha como o complexo cultural não ser “fechado”.

“Um museu e um teatro são construções que precisam ser uma caixa cega para controlar som e luz. Imagina o barulho de navio passando em um Rigoletto (ópera). Ou imagina ter o sol entrando em uma exposição itinerante de um Van Gogh. O complexo foi idealizado para grandes espetáculos”.

Ele pontuou que o museu tem uma parede inclinada em vidro, voltada para baixo.
“Essa foi uma ideia muito bonita. Traz para dentro do museu o visual, a água e as pessoas passando. Além disso, meu pai pensou em captar a luz rebatida do chão, diminuída”.







““A ideia de Paulo era criar uma grande praça pública que as pessoas pudessem ir até a beira do mar sem impedimento””






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Nasceu em Vitória, em 1928.
É um dos arquitetos e urbanistas brasileiros mais importantes, reconhecido e premiado internacionalmente por suas obras.

Ganhou prêmios como o Mies Van der Rohe de Arquitetura Latino-Americana.

Em 2006, ganhou o Pritzker, considerado o “Nobel da Arquitetura”.

Em 2010, recebeu o prêmio Arquiteto do Ano, da Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas.

Em 2016, venceu o prêmio Leão de Ouro, da Bienal de Veneza, Itália, na categoria Arquitetura, pelo conjunto da obra. No mesmo ano, recebeu o Prêmio Imperial do Japão.

Um ano mais tarde, em 2017, ganhou a medalha Ouro Real, do Royal Institute of British Architects (RIBA).

Morreu em 2021, de câncer.

União do amor pelo mar e da técnica da arquitetura A admiração pelo mar e pela cidade em que nasceu fez com que o projeto do Cais das Artes fosse especial para o arquiteto e urbanista Paulo Mendes da Rocha. A filha do arquiteto, a cineasta Joana Mendes da Rocha, contou que terminar a obra é importante para a população e como herança do trabalho do pai.

“É um projeto em que eu vejo ele colocando em prática o pensamento dele a respeito da arquitetura e da engenharia e sua admiração pelo mar. O fato dele ter colocado os pilares dentro do mar é um exercício da técnica, do conhecimento, dominando a natureza”.Para Joana, o projeto do Cais das Artes é de uma beleza única.

“Ele foi projetado com uma abertura na parte inferior que permite quem está na rua ver o mar. A parte de baixo do complexo é uma grande praça. Esses espaços públicos eram o que mais ele gostava de fazer. Para as pessoas terem um novo olhar sobre aquele lugar. ”O arquiteto e urbanista Pedro Mendes da Rocha, filho de Paulo, também falou sobre o carinho do pai pela cidade.

“Ele sempre comentava que era uma região que ele passava quando ‘moleque’, de calça arregaçada e chapéu, nas regiões de pedra. Ele pensou muito ao projetar algo tão perto do mar. Ele tinha fascínio pelo mar e pelas embarcações”, revelou.














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