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Calor do Super El Niño pode matar 13 mil no Brasil, aponta revista

Diante da projeção de meteorologistas, Espírito Santo e municípios já estão em alerta e criando ações para lidar com o fenômeno

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Camila Lima

Jornalista formada pela Faculdade Estácio de Sá de Vitória, atua há 7 anos no jornal A Tribuna. Integrante da editoria de Cidades, tem como principal foco a cobertura de saúde, área na qual construiu sólida experiência em reportagens, entrevistas e coberturas de eventos pelo Brasil. Apresenta o podcast Fala, Doutor, dedicado a levar informação acessível e de qualidade sobre medicina e bem-estar ao público.

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O calor extremo do Super El Niño pode provocar, apenas no Brasil – um dos cinco países mais afetados –, uma média de 13 mil mortes até fevereiro de 2027, aponta projeção publicada na revista Climate Impact Lab.

Diante da previsão, feita após projeções de mais calor, pancadas de chuvas e maior risco de eventos extremos, Espírito Santo e municípios já estão em alerta e criando ações para lidar com o evento climático.

Destacam-se entre elas operação de combate a incêndios em vegetação, construção de barragens, contenção de encostas, distribuição de equipamentos para produtores rurais e até monitoramento de aumento de doenças, como a dengue.

Lizandro Gemiacki, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que enquanto o Sul do Brasil tem uma relação bem definida com o fenômeno, com chuvas mais intensas, o Espírito Santo fica em uma faixa de maior incerteza.

“As chuvas estão dentro da média. Mas em relação às temperaturas, elas devem ser mais elevadas em toda região Sudeste”.

Está previsto um aumento de temperatura de 1,5°C a 2°C acima do normal. Também são esperadas para a primavera, segundo Lizandro, pancadas de chuvas intensas ao final da tarde, com possibilidade de ventos fortes, raios e até queda de granizo em pontos isolados.

Wesley Correa, professor de Climatologia do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), ressalta ainda que as chuvas irregulares podem reduzir a vazão dos rios, levando ao desabastecimento, além do tempo seco favorecer os incêndios florestais.

O impacto, de acordo com Wesley, pode afetar questões econômicas e sociais, como no setor de energia e na produção de alimentos, aumentando a inflação.

Por conta dessas possibilidades, o coronel Benício Ferrari Junior, coordenador estadual de Proteção e Defesa Civil, afirma que o Estado já vem se preparando tanto para cenários de chuva quanto de estiagem antes da confirmação do El Niño.

As ações incluem operação de combate a incêndios em vegetação, construção de barragens, distribuição de equipamentos para produtores rurais e até preparação para um possível racionamento de água. “Vamos soltar um nota técnica avisando todos os órgãos para fazerem planos para enfrentar uma estiagem mais severa em agosto ou setembro do ano que vem”.

Já em Vitória, segundo Tarcísio Förger, coordenador-chefe da Defesa Civil do município, entre as ações práticas já executadas estão a limpeza das faixas sem vegetação que barram incêndios.

Também foram investidos recursos, desde 2021, em mais de 90 obras de contenção de encostas e de macrodrenagem.

Fique por dentro 

O que está sendo feito

Espírito Santo

  • Ações em andamento: operação de combate a incêndio em vegetação, construção de barragens e distribuição de equipamentos para ensacamento de silagem (alimentação animal em periodo de seca).
  • Alerta aos órgãos para se prepararem para uma possível estiagem mais severa em agosto e setembro de 2027, com risco de racionamento de água, a depender do volume de chuva em novembro, mês considerado decisivo para recarga hídrica.

Vitória

  • Conta com um Comitê de Governança Climática desde 2025, com ações interligadas entre Assistência Social, Meio Ambiente, Obras, Defesa Civil e outras secretarias.
  • Entre as ações estão o combate a incêndios florestais e campanhas educativas para população evitar colocar fogo em lixo ou quintais; ações nas unidades de saúde para monitorar a qualidade do ar e da fumaça; ampliação de áreas de atendimento a pacientes com dengue e aumento de postos de hidratação.

Cariacica

  • O Plano de contingência específico para os efeitos do El Niño está em fase de adaptação.
  • Cerca de R$ 100 milhões estão sendo destinados para obras de contenção de encostas (obras já concluídas e outras já licitadas), além de serviços contínuos de limpeza de córregos e de manutenção da rede de drenagem.

Vila Velha

  • Entre as ações está a criação de Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil em áreas rurais de risco (Xuri e Córrego Sete), com moradores capacitados para atuação preventiva contra queimadas.
  • Também Elaborou um Plano de Preparação e Resposta do Setor Saúde, para organizar a atuação da rede municipal diante de situações climáticas que possam impactar a saúde da população.

Serra

  • Afirma ter um plano de enfrentamento ao El Niño, com um comitê que reúne representantes de todas as secretarias acompanhando, por exemplo, a estiagem prolongada, as altas temperaturas e os possíveis impactos nas escolas.



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