Somente neste ano, 15 jacarés-de-papo-amarelo foram resgatados nas ruas da Grande Vitória. A quantidade, em dois meses, é quase a registrada em todo o ano passado, quando foram 23. O número, aliás, deve aumentar ainda mais, já que o calor intenso que está fazendo provoca a “invasão” dos répteis nos bairros.
Veterinário e coordenador do Projeto Caiman, Yhuri Nóbrega explica que o calor potencializa o problema. “A Mata Atlântica está espremida entre os bairros, o que fragmenta o habitat dos jacarés com o crescimento imobiliário.”
Ele disse que nesta época do ano, a seca intensa das lagoas e o calor fazem com que o metabolismo desses bichos aumente e eles vão em busca de novos ambientes.
De fato: Vitória registrou a maior temperatura desde os últimos quatro anos com os 37,7°C no último domingo.
Com isso, os jacarés aparecem, sobretudo, em Jardim Camburi e na Reta do Aeroporto, em Vitória, e em Carapebus, Novo Horizonte e Manguinhos, na Serra.
“São regiões com mais lagoas na Grande Vitória. Está mais quente e a urbanização está cada vez mais agressiva. Então, os índices aumentam”, explicou o veterinário.
Por isso, quem encontrar um jacaré-de-papo-amarelo nas ruas deve manter no mínimo 20 metros de distância e ligar imediatamente para o Projeto Caiman no número 98823-2334.
O projeto é uma iniciativa pioneira de pesquisa e conservação das populações da espécie, gerando dados técnicos-científicos de saúde e ecologia no Brasil e fica em Jardim Camburi, na capital.
“O animal é capturado, medido, marcado e recebe um microchip. Temos cerca de 250 jacarés marcados na Grande Vitória. Se ele tiver bem de saúde, é devolvido para uma região próxima onde foi encontrado, em matas ou lagoas”, explicou.
A novidade é que jacarés passarão a ser monitorados por um GPS. Um já está sendo vigiado e, no total, oito serão até o final deste ano.
“Por um aplicativo, conseguimos achar o jacaré 24 horas, em qualquer lugar, entendendo a forma como ele usa o ambiente, a forma de vida e assim mitigar os conflitos entre natureza e urbanismo, e gerar políticas públicas para conservação dessa espécie animal da Mata Atlântica”.
