Mulheres vítimas de violência doméstica podem pedir ajuda em farmácias de Guarapari. Para divulgar de maneira mais ampla a campanha “Sinal Vermelho”, a delegada Francine Bergamini, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) na cidade, incentiva a divulgação de fotos de apoio.
Muitas já aderiram e estão postando fotos, em suas redes sociais, em que exibem um “X” vermelho na mão, símbolo da campanha.
Em Guarapari são registradas de 80 a 120 ocorrências de agressão contra mulheres todos os meses. O que dá uma média de dois casos de violência por dia.
“Como estamos em período de pandemia, um local muito comum que as vítimas passaram a frequentar foram as farmácias e drogarias. E aí se criou o sinal silencioso, que é um X vermelho na palma da mão ou em um pedaço de papel, para que a mulher faça sua denúncia através da rede farmacêutica credenciada”, explica a delegada.
Francine destaca que as atendentes receberam treinamento para identificar o pedido de ajuda das mulheres vítimas de violência.
“Mesmo acompanhadas de seu agressor, as mulheres têm condi ção de pedir ajuda só através de um sinal na mão”, afirma a delegada.
Após o pedido de ajuda, os atendentes colhem discretamente o nome e o telefone da mulher agredida para que a patrulha Maria da Penha entre em contato.
Caso a vítima não tenha condições de passar maiores informações, pode escrever em um pedaço de papel o nome e o telefone, que a farmácia vai informar a guarnição para o contato direto com a polícia.
Cadastro
A medida vale para estabelecimentos cadastrados na campanha e a ação é vinculada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). A campanha conta com cerca de 10 mil estabelecimentos cadastrados em todo o País.
Em Guarapari, as drogarias credenciadas na campanha são Santa Lúcia, Drogasil, ElloMais, Rede Farmes e Pague Menos.
“A campanha é válida porque é algo silencioso. É uma forma de mostrar para as mulheres que a denúncia deve ser feita. O sinal vermelho é apenas mais um meio de denúncia, porque o 190 e o 181 continuam”, completa a delegada.
Denúncia deve ocorrer na 1ª agressão, diz delegada
A violência doméstica é caracterizada como um ciclo, segundo a delegada Francine Bergamini, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Guarapari. O ciclo da violência doméstica é composto pela crise, explosão, violência e reconciliação.
“A violência doméstica é cíclica. Primeiro acontece uma crise. Aí vêm a explosão e a violência. Depois, eles reatam e passam a viver a lua de mel. Até que voltam a crise, a explosão e a reconciliação”, explica a delegada.
Por isso, destaca Francine, ao primeiro sinal de violência, a mulher deve denunciar para romper o ciclo. Ela lembra que agressão verbal e xingamento já são crimes dentro da lei Maria da Penha.
“Houve primeiro xingamento e agressão psicológica, é preciso denunciar para romper o ciclo de violência, porque a tendência é que evolua até chegar em uma agressão física e, muitas vezes, no homicídio. O importante é denunciar no primeiro momento”, completa a delegada.
Embora Francine note uma conscientização da mulher de que a denúncia é a melhor forma de romper o ciclo de violência, o índice de retratação é muito alto.
“A cada 100 mulheres que pedem medida protetiva, 90 retiram. As questões afetivas e financeira influenciam muito. Gosta do cara e quer dar mais uma chance”, destacou a delegada, informando que quem decide pela retirada da medida protetiva é o judiciário.
