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Uma viagem que deveria durar 20 dias se prolongou por 33. Um casal de pastores capixabas fez uma viagem missionária a Moçambique, na África, mas, devido a restrições para conter a variante ômicron, não conseguiu retornar ao Brasil na data prevista, em 1º de dezembro.
Tânia Márcia de Oliveira Carvalho Fontes, de 53 anos, e Cidrac Ferreira Fontes, de 52 anos, são pastores da Igreja Assembleia de Deus em Itapuã, Vila Velha. Hoje é o 14º dia que eles se encontram no país além do tempo previsto.
Mas, apesar do sufoco, o casal recebeu ontem, às 15h, a confirmação de que conseguirão voltar hoje ao País. Eles precisaram se arrumar às pressas para não perder o voo.
“É desesperador. Estar longe do seu país, perguntar à empresa e eles não terem previsão de quando vai ter (voo), ver que o dinheiro está acabando, que não tem mais roupa, Natal e Ano Novo chegando, família e igreja esperando. Foi muito difícil”, contou Tânia.
Para Cidrac, a situação toda foi uma mistura de emoções. “Um sentimento de frustração, de impotência, ficamos sem saber o que fazer”, afirmou o pastor.
O casal chegou a Moçambique no dia 12 de novembro, para ministrar cursos e treinamentos bíblicos a pessoas moçambicanas.
Mas o problema com o retorno ao Brasil foi porque a empresa aérea Qatar Airways, com quem eles tinham comprado as passagens, não estava autorizada a transportar passageiros vindos de Moçambique.
Após negociações entre a embaixada brasileira, a Qatar e agências aéreas locais do país, o casal conseguiu um voo para serem levados à Tanzânia, onde a companhia poderá transportar os pastores e seguir com o trajeto rumo ao Brasil.
Procurado, o Itamaraty não se pronunciou sobre o caso até o fechamento desta edição.
Tânia Márcia de Oliveira pastora
“Se não fossem os amigos, seria pior”
Desespero e frustração foram as sensações que o casal de pastores Tânia Márcia de Oliveira e Cidrac Ferreira Fontes, moradores de Vitória, teve enquanto ficaram 14 dias sem conseguir voltar ao País. Mas, apesar do sufoco, eles tiveram auxílio de familiares e amigos, que deram suporte financeiro para ajudar com as despesas extras.
A Tribuna – Inicialmente, quando voltariam ao Brasil?
Tânia Márcia de Oliveira – Nós chegamos em Moçambique em 12 de novembro e nosso voo de volta estava marcado para 1º de dezembro. Mas, foi remarcado para o dia 16 de dezembro. No último domingo, olhamos o site da embaixada e vimos que todos os voos foram cancelados, sem previsão de retorno, até dia 31 de dezembro.
Por que vocês não conseguiram retornar ao Brasil?
O governo do Catar não autorizou a empresa aérea (Qatar) pegar passageiros em Moçambique. Mas o Brasil aceita pessoas de Moçambique.
Como conseguiu o retorno?
Hoje (ontem), fomos até o consulado e à empresa Qatar. Quando falamos com eles, às 11h (horário local), nos informaram que estavam em negociação com a embaixada do Brasil, o Catar e empresas aéreas locais. Às 15h, nos ligaram e disseram para fazermos o teste de covid-19 o mais rápido possível, porque conseguiram nos encaixar em outro voo amanhã (hoje). Vamos para Tanzânia, onde o Catar poderá nos buscar.
Como foi a sensação de lidar com a situação?
Foi muita aflição, porque foram acabando os recursos financeiros. Programamos uma viagem de 20 dias aqui. Se não fossem amigos, igreja e família, iríamos passar um aperto muito grande.
Vocês já tinham ido para Moçambique?
Moçambique foi a primeira vez, mas fazemos muitas viagens missionárias. Essa é 9ª vez na África.