Usuários das bicicletas e patinetes compartilhados da Grow estão com dificuldades para conseguir o reembolso do dinheiro colocado no aplicativo para utilizar o serviço. O aluguel deixou de ser oferecido no Estado no dia 22 de janeiro e, desde então, as pessoas tentam o reembolso.
A empresa é uma fusão de outras duas companhias, a Yellow e a Grin, antigas proprietárias dos equipamentos.

A analista de e-commerce, Aline Dias, 31, tinha R$ 18,50 de crédito no aplicativo da Grin, quando o serviço foi suspenso.
Ela decidiu entrar em contato com a empresa um dia após a suspensão dos serviços. Recebeu uma resposta no dia 26 de janeiro, informando que o dinheiro seria devolvido. Quase dois meses depois, ainda não teve o reembolso.
“Pediram compreensão devido aos reajustes da operação, pois o reembolso seria feito nos próximos dias. No entanto, não tive meu dinheiro de volta. Pretendo acionar uma advogada e ver meus direitos”, contou Aline.
O servidor público Carlos Augusto de Almeida Neto, de 33 anos, assim que soube que o serviço estava suspenso, procurou a empresa e fez um pedido para conseguir o seu reembolso.
“Vi que eu tinha dinheiro no aplicativo e fui tentar pegar de volta. Eles falaram que iam responder. Esperei para saber o que seria feito, mas até hoje não obtive retorno”, explicou o servidor.
Apesar de não receber nenhuma resposta, Carlos Augusto preferiu não procurar nenhum outro meio para ter o reembolso.
“Era uma quantia pequena e preferi deixar de lado, mas me senti lesado como consumidor. Acho uma falta de respeito com o cliente, pois romperam o contrato sem prévio aviso”.
No portal especializado em reclamações “Reclame Aqui”, há depoimentos de consumidores de diversas regiões do Brasil sobre o mesmo problema.
Nas respostas às reclamações no site, a empresa Grow informou que acaba de entrar em vigor um novo processo de devolução para agilizar a situação.
Procon orienta cliente a registrar reclamação
O Procon Estadual explicou que ainda não recebeu nenhuma reclamação ou denúncia a respeito de problemas com reembolso do aluguel de bicicletas e patinetes elétricos por parte da empresa Grow.
O serviço de defesa do consumidor, no entanto, destacou que, havendo prejudicados pelo encerramento das atividades, a orientação é que procure o órgão para que o mesmo possa tomar as providências cabíveis.
A Grow suspendeu as atividades das bicicletas e patinetes elétricos da Yellow e Grin, no Estado, em janeiro e informou aos clientes que tinham créditos no aplicativo que deveriam pedir o reembolso através do site. No entanto, alguns clientes relataram que não conseguiram o dinheiro de volta.
De acordo com o diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, o consumidor deve registrar a reclamação e solicitar a restituição dos valores pagos. “Vá ao Procon mais próximo à sua residência ou registre uma denúncia pelo aplicativo do Procon-ES, que está disponibilizado somente em aparelhos com sistema Android.”
Ainda segundo Rogério, o consumidor que se sentir lesado precisa buscar seus direitos. Para registrar a reclamação no Procon, ele deverá apresentar cópia dos seus documentos pessoais como Carteira de Identidade, CPF e do contrato de prestação de serviço.
O outro lado: prazo de 90 dias
A empresa Grow informou, por nota, que o reembolso pode levar até 90 dias.
“Após os procedimentos internos necessários para efetuar o pedido de reembolso – que podem levar até 30 dias –, o prazo para que o valor seja compensado junto ao banco do usuário é de até duas faturas (60 dias). Os usuários que adquiriram créditos via boleto, PayPal e em dinheiro em um ponto de venda serão reembolsados via transferência bancária”, destacou.
“Como esse procedimento será realizado manualmente, toda a operação poderá levar pelo menos 30 dias corridos até a efetivação do reembolso na conta do usuário”, disse a Grow.