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Comerciante salva cadela e vive história de aventura

Algumas pessoas acreditam na lei do retorno. O que é feito de bom ou ruim, um dia vai retornar. E não foi diferente para um comerciante de Mimoso do ...

Heuberth com Sukita: relação de amizade, companheirismo e lealdade em caminhada pelas estradas

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Algumas pessoas acreditam na lei do retorno. O que é feito de bom ou ruim, um dia vai retornar. E não foi diferente para um comerciante de Mimoso do Sul, no Sul do Estado. Ele resgatou uma cadela recém-nascida do lixo e, em retribuição, recebeu carinho e lealdade.

Há sete anos, Sukita é uma amiga presente na vida de Heuberth Lopes, de 40 anos. Juntos, viveram aventuras, enfrentaram perigos e percorreram cerca de 2 mil quilômetros a pé ou de carona, entre Santa Catarina e o Espírito Santo.

Heuberth com Sukita:  relação de amizade, companheirismo e lealdade em caminhada pelas  estradas (Foto: Beto Barbosa)Ele era garçom na época em que encontrou Sukita. Contou que, naquele dia, estava triste, com muita saudade dos filhos, que ficaram nos Estados Unidos, após ele ser deportado para o Brasil. A amizade inesperada mudou sua vida.

O comerciante, que hoje tem um quiosque, o Botequim da Cultura, trabalhava em um hotel em Florianópolis, capital catarinense, na ocasião que encontrou a cadela.

Na volta para casa, algo lhe chamou a atenção. “Era de madrugada, tinha acabado de trabalhar numa festa, quando, caminhando na rua, ouvi um choro. Ela estava em uma caixa, no contêiner de lixo. Cabia na palma da minha mão”, lembra.

Heuberth contou que morou nos Estados Unidos por 10 anos. Mas foi deportado, deixando mulher e um casal de filhos. Voltou sozinho para Ipatinga (MG).
Depois de dois anos, mudou-se para Florianópolis (SC). Na ocasião, descobriu que sua ex-namorada, em Ipatinga, estava grávida. Hoje, a menina tem 7 anos.
Após quatro meses, começou a ficar depressivo, com saudade dos filhos. Foi quando encontrou Sukita. Passou mais algum tempo até decidir retornar para Minas Gerais.

“Decidi ir caminhando, mas não tive coragem de deixá-la para trás. Doei o que eu tinha no apartamento, móveis, panelas e saí com alguns pertences na mochila e uma Bandeira do Brasil”, relembrou.

Saiu no dia 28 de fevereiro de 2014 e terminou a caminhada em 16 de agosto de 2016, em Anchieta, no litoral Sul do Estado, pois sua mãe havia se mudado de Ipatinga para o balneário capixaba.

Em cada lugar que parava, arrumava um jeito de conseguir doação de comida e água para ele e Sukita. Durante a caminhada, fez amizade e chegou a morar por meses em algumas cidades.

Heroísmo ao salvar mãe e filha

A esperteza da cadela Sukita evitou que mãe e filha morressem afogadas na Praia da Fortaleza, na Ilha do Mel, ponto turístico no estado do Paraná, uma das cidades em que Heuberth Lopes e sua amiga de quatro patas pararam ao longo da caminhada.

O comerciante lembra que estava seguindo por uma trilha com um amigo e Sukita. No caminho, enquanto os dois pegavam caju no pé, a cadela percebeu o perigo e começou a latir, chamando a atenção dos dois.

“Achei estranho. Ela não é de latir e me chamou a atenção. Olhei para a praia. Era um lugar raso. Nunca imaginaria que elas estivessem se afogando. Pensaria que fosse uma brincadeira ou algo assim. Foi Sukita quem me alertou”.

Os dois correram em direção à praia. “A mãe estava se afogando e mantinha a filha nos braços para fora da água. Peguei a criança e passei para meu amigo. Depois, segurei a mulher no colo e a levei para a areia”, relembrou.

Heuberth conta que, até hoje, guarda com carinho a carta escrita pela mãe em agradecimento. Ela também lhe deu uma imagem de Nossa Senhora. Sukita e ele moraram oito meses na ilha, em uma casa de veraneio na beira da praia.

Aventureiro vira dono de quiosque em Mimoso

Após sete anos entre caminhadas e uma temporada em Anchieta, no litoral Sul do Espírito Santo, Heuberth Lopes se mudou para Mimoso do Sul, onde, atualmente, administra um quiosque em que vende frutos do mar, o Botequim da Cultura.

Entenda como foi a viagem (Foto: Reprodução)São cinco meses vivendo na cidade, aos pés do Cristo Redentor. A ideia de viver no município capixaba surgiu por acaso, segundo Heuberth Lopes.

O comerciante conta que estava morando em Anchieta, onde chegou a arrendar um hotel, mas o movimento no local caiu muito em função da pandemia de Covid-19 e, com isto, ele precisou entregar o ponto.

Foi na rodoviária de Anchieta que o comerciante conheceu Mimoso do Sul. Viu a imagem do Cristo Redentor, a natureza e decidiu se mudar.

Nos últimos dias, Heuberth recebeu a visita de sua filha Viana dos Santos, de 7 anos, que veio de Ipatinga, Minas Gerais, com a mãe, a produtora de eventos Natália Viana, de 34 anos.

“Está sendo um momento muito importante em minha vida”, salientou o comerciante.


COMO FOI A VIAGEM


De Santa Catarina ao Espírito Santo

  • A aventura começou em 28 de fevereiro de 2014, em Florianópolis (SC). Heuberth Lopes pegou uma mochila com algumas roupas, a Bandeira do Brasil, e iniciou a viagem ao lado da cadela Sukita.
  • Após 16 dias de caminhada, a dupla chegou a Navegantes (SC), onde os dois conheceram um comerciante que ajudou com comida, água. Lá, Heuberth conseguiu um tênis e continuou a viagem.
  • Em São Francisco do Sul, divisa com o estado do Paraná, Heuberth arrumou trabalho e a dupla parou durante três meses.
  • Em Matinhos, Sukita e Heuberth acamparam perto de um vilarejo de pescadores, onde ficaram um mês, ajudando a empurrar barcos de pesca na praia e se alimentando de peixe. No caminho, conheceram duas argentinas.
  • Uma das argentinas deixou a caminhada e ele continuou até a Ilha do Mel, ilha turística situada no Paraná. Lá, conseguiu moradia em uma casa de praia de veraneio, na Praia do Forte, onde acabou ficando por oito meses.
  • A caminhada continuou até Morretes, no Paraná, onde os dois ficaram dois meses vivendo com moradores de rua.
  • Continuando a caminhada, eles conseguiram carona e chegaram a São Paulo, onde Heuberth foi visitar parentes em Santo Amaro. Dentro de São Paulo, caminharam 64 km num só dia, com muito medo, à beira da rodovia Ayrton Senna.
  • De São Paulo, eles seguiram a pé até Anchieta, no litoral Sul capixaba, onde chegaram no dia 16 de agosto de 2016. Durante um tempo, Heuberth e Sukita ficaram na casa da mãe dele.
  • De lá, eles foram a pé até Regência, no Norte do Espírito Santo. No caminho, Heuberth fez os passos de Anchieta e foi ao Convento da Penha, em Vila Velha. Foi até Itaúnas e depois os dois retornaram a pé até Anchieta, onde ele abriu uma pousada.
  • Após 3 anos na pousada, Heuberth e Sukita seguiram, de carro, para Mimoso do Sul, onde ele abriu um quiosque na Praça das Mangueiras e continua até hoje.

Fonte: Comerciante Heuberth Lopes.

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