Quando um bebê, uma criança ou até um adolescente presencia com frequência brigas entre os pais, por exemplo, o ambiente se torna inseguro para ele, contribuindo para o desencadeamento de reações como ansiedade, depressão, comportamento agressivo e até mesmo culpa.
A psicóloga Paula Santos afirma que os filhos sempre vão ser reflexo do que os pais são ou fazem.
“Quando os pais convivem harmonicamente, sendo casados ou não, isso gera benefícios. Mas quando o relacionamento é conturbado, haverá malefícios para o desenvolvimento da criança”.
Ela lembra que os sintomas desse relacionamento conturbado podem aparecer de formas diversas.
“A criança pode começar a sentir ansiedade, depressão, ter alteração comportamental, dificuldade de aprendizado na escola… Cada pessoa reage de uma forma, mas existem prejuízos no desenvolvimento psíquico delas”.
Para a advogada familiarista Geovanna Lourenzini, vice-presidente da Comissão de Direito de Família da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Vila Velha, as disputas judiciais também prejudicam as crianças.
“Inúmeros estudos sociais indicam que as crianças são prejudicadas durante a disputa judicial. Ela reflete no convívio com as crianças, onde questões simples de rotina se tornam grandes na visão dos pais, que acabam querendo levar esses problemas para o judiciário em vez de conversarem sobre o assunto”, ressalta a advogada.
Já para Paula Santos, a principal medida que os tutores devem adotar para garantir uma guarda compartilhada harmônica é ter a comunicação como base. “Existem algumas orientações que percebo que funcionam, como manter uma rotina similar em ambas as casas, mas a comunicação é fundamental”.
DICAS PARA LIDAR COM A SEPARAÇÃO
Como compartilhar com equilíbrio
- Para os filhos, a separação representa uma mudança e, muitas vezes, traumática, já que reflete a perda da família.
- A principal dificuldade, no entanto, é entender, na prática, como a sua vida vai mudar.
- Por isso, é fundamental conversar com os filhos, independente da idade, sobre os motivos que levaram à separação.
Diálogo e bom senso
- O divórcio é realizado, muitas vezes, para amenizar os problemas do casal.
- No entanto, na maioria das vezes, quando envolve uma criança, os problemas acabam aumentando porque os responsáveis precisam continuar convivendo um com o outro e não conseguem resolver as questões referentes à criança.
- Nesses casos, o relacionamento acaba sendo conturbado e os filhos saem como os maiores prejudicados da situação.
- Para impedir que isso aconteça, especialistas afirmam que o diálogo e o bom senso devem sempre prevalecer quando o assunto é a guarda compartilhada das crianças.
- Manter o diálogo não significa falar todos os dias, mas sempre que necessário, principalmente quando os assuntos são mais importantes e delicados, como reuniões escolares ou consultas médicas.
- Outro ponto fundamental é que exista respeito entre os pais, mesmo havendo diferenças de visão e carregando mágoas entre si.
- Isso porque é necessário levar em consideração que a convivência harmônica e respeitosa deve ser uma obrigação para que os filhos se sintam seguros.
- A rotina dos filhos também precisa ser mantida o máximo possível, mesmo em casas diferentes.
- Isso evita que ocorram competições entre os pais, gera harmonia e uma coparentalidade mais funcional.
Falando sobre o divórcio
- É essencial que a informação sobre a separação do casal seja dada aos filhos pelos pais e não por terceiros.
- Também é importante não colocar culpados para a nova situação.
- Assegure aos filhos que eles não têm nenhuma responsabilidade pelo que ocorreu.
- Cuidado para não criar expectativas de reconciliação. Explique claramente que o divórcio é definitivo.