
A ciência ainda estuda as causas da depressão, mas já se sabe que no mundo há mais de 300 milhões de pessoas que sofrem com o problema, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, 7,6% da população adulta é diagnosticada com a doença, que não somente afeta o paciente, como também a todos aqueles que o cercam.
E, segundo psicólogos e psiquiatras, a terapia é uma das principais formas de tratamento. Por isso, faculdades e igrejas estão oferecendo vagas para consultas gratuitas ou a baixo custo para ajudar a população a superar não só esse mal, mas também o vício e a ansiedade, que podem levar a muitas doenças e até a morte.
Na Faesa, por exemplo, a Clínica-Escola do curso de Psicologia realiza atendimentos individuais e em grupo de forma gratuita para a comunidade. O atendimento é feito por alunos estagiários, sempre sob a orientação de professores supervisores e psicólogos.
Quem precisar de tratamento para a depressão ou ansiedade, tem de ir à clínica pessoalmente para realizar a pré-inscrição e passar por uma entrevista prévia.
A UVV também oferece tratamento para essas e outros doenças psicológicas. De acordo com o coordenador da Clínica de Psicologia da faculdade, Eduardo Barbosa, há atendimentos para crianças e adultos.
“Todos os nossos serviços cobram um valor simbólico bem abaixo do mercado, mas, caso a pessoa não possa pagar, pode solicitar a isenção do pagamento. O pedido será avaliado”, explicou.
Também há igrejas com vagas abertas para atendimento psicológico. Em Jardim Camburi, Vitória, o Centro de Atendimento Social da Primeira Igreja Batista em Jardim Camburi oferece atendimento com psicólogos para o paciente e a família.
“Não atendemos apenas pessoas do bairro, mas toda a Grande Vitória. É só procurar o atendimento e passar por uma triagem. Infelizmente, vemos que está crescendo o número de pessoas que procuram o serviço”, contou a assistente social e coordenadora do projeto, Denise Quiangala.
Ela contou que muitas pessoas que sofrem com depressão também procuram o Centro para aulas de artes, que acontecem em grupo, às quartas-feiras. “Faz muito bem para elas”, comentou.

Estado tem 75 anjos para evitar suicídio
A dor, a angústia e o desespero que muitas vezes levam as pessoas ao extremo de tentar tirar a própria vida podem ser amenizados com uma boa escuta. Sem julgamentos, com sigilo e apoio, os voluntários do Centro de Valorização da Vida (CVV) têm representado a esperança para essas pessoas.
No Estado são 75 voluntários dispostos a ouvir o que as pessoas que sofrem têm a dizer. De acordo com a voluntária Angela Beccalli, são dois postos nos Espírito Santo que fazem o trabalho.
No CVV Vitória, são 60 voluntários, enquanto em Linhares 15 pessoas atendem as ligações, respondem e-mails, ou falam pela internet com quem busca uma escuta amiga.
O suicídio é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. No Estado, de 2011 a 2015, foram registradas 936 morte por suicídio. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), em 2016 as mortes pela mesma causa chegaram a 146. “São cerca de mil ligações atendidas por mês no CVV de Vitória. O que oferecemos é um apoio emocional e uma prevenção do suicídio de forma voluntária, e sem nenhuma identificação da pessoa”, disse Angela.

Angela contou que tem aumentado o número de ligações para os centros e que os voluntários atendem por escala, mas que é preciso mais pessoas. “Para ser voluntário do CVV e ajudar outras vidas é preciso ser maior de 18 anos e se identificar com a filosofia. Todo voluntário passa por um treinamento para começar a atender”, disse.
Ajuda
Os números do CVV estão mudando em todo o Brasil. Com a ajuda do Ministério da Saúde, agora as pessoas que precisam compartilhar suas angústias e momentos difíceis podem fazer ligações gratuitas pelo número 188.
Ligando para o número digital, além de não ter que pagar, a pessoa será atendida por voluntários do Brasil inteiro.
Reportagem: Lorrany Martins
