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Cidades

Coronavírus: Médicos alertam para falta de vagas em UTIs

Agora classificado como pandemia, o novo coronavírus traz uma preocupação para médicos: a falta de vagas em leitos de Unidades de Terapia Intensiva ...

Luiz Gustavo Favoreto Genelhu, presidente da Cooperati

Última atualização

Agora classificado como pandemia, o novo coronavírus traz uma preocupação para médicos: a falta de vagas em leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). No País, dos 16 mil leitos adultos do Sistema Único de Saúde (SUS), 95% estão ocupados.

Para suprir a crescente demanda, a capacidade deveria aumentar 20%, ou seja, seriam necessários ao menos 3.200 novos leitos de UTI, segundo o membro do conselho da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), Ederlon Rezende.

No Estado, o SUS conta com cerca de 425 leitos – 1,08 leito para cada 10 mil habitantes. Enquanto no sistema particular este número é de cerca 545, ou seja, 4,80 para cada 10 mil habitantes.

“Temos que pensar em equipe, espaço e equipamento. É preciso perguntar: que espaços do hospital tenho para abrir leitos extras? Com o possível adiamento de cirurgias eletivas, o centro cirúrgico pode ficar ocioso e virar opção. Além disso, anestesistas podem ajudar no tratamento dos doentes infectados”, reflete Rezende.

Como os pacientes precisam ficar isolados, a demanda aumenta. “São pacientes com tempo de internação longo, o que sobrecarrega o sistema”, completa o médico.

“Equipes também estão no limite. É preciso pensar em aumentar carga horária, cancelar férias, recrutar profissionais de outras especialidades. E claro, cuidar da saúde da equipe, para evitar o que aconteceu na Itália, em que 10% dos profissionais de saúde adoeceram”, aconselha Rezende.

"Medidas estão sendo tomadas  para preparar o Estado a lidar com o aumento de caso", afirna Luiz Gustavo Favoreto Genelhu, presidente da Cooperati

O presidente da cooperativa dos Médicos Intensivistas do Espírito Santo (Cooperati), Luiz Gustavo Favoreto Genelhu, disse que a falta de leitos preocupa, mas segundo ele, está havendo uma mobilização na rede privada e pública para adequação do número de leitos.

Paralelo a isso, ele diz que medidas estão sendo tomadas na rede pública e privada para preparar o Estado a lidar com o aumento de casos, entre as quais treinamentos e orientação a equipe assistencial, além de reserva de leitos.

A Secretaria Estadual de Saúde elegeu os seguintes hospitais de referência para atendimento a casos graves do coronavírus: Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória; Jayme Santos Neves, na Serra; Roberto Arnizaut Silvares, em São Mateus; Silvio Avidos, em Colatina; Santa Casa de Misericórdia de Cachoeiro de Itapemirim; e Hospital Infantil de Cachoeiro de Itapemirim.


Opiniões

“Com o possível adiamento de cirurgias eletivas, o centro cirúrgico pode ficar ocioso e virar opção. Além disso, anestesistas podem ajudar” – Ederlon Rezende, membro do conselho da Associação de Medicina Intensiva Brasileira

“Medidas estão sendo tomadas para preparar o Estado a lidar com o aumento de casos de coronavírus, entre as quais treinamentos e orientação para a equipe assistencial” – Luiz Gustavo Favoreto Genelhu, presidente da Cooperati


“Fiquei com um pouco de medo”

Vivian Cortez, 36 anos (Foto: Dayana Souza/AT)Foi pensando em proteger outras pessoas e a si mesma que a advogada Vivian Cortez, de 36 anos, decidiu fazer o uso de máscaras. Ela vem apresentando alguns sintomas do coronavírus, como febre e coriza, há uma semana, e decidiu ir ontem ao Pronto Atendimento da Praia do Suá, em Vitória.

“Fiquei com um pouco de medo de ir a um lugar com muita gente e ter alguém infectado. Estou usando máscaras também porque não sei se posso estar com esse vírus”.


SAIBA MAIS

Unimed Vitória

Informou que desde janeiro segue um protocolo de atendimento alinhado aos critérios definidos pelo Ministério da Saúde para casos suspeitos de Covid-19. O documento é difundido e atualizado diariamente entre os profissionais de saúde das suas unidades.

Também possui um comitê responsável por realizar reuniões periódicas para discutir assuntos relevantes à saúde da população, como no caso do coronavírus.

A cooperativa ressalta ainda que o Hospital Unimed possui um total de 34 leitos de terapia intensiva adulta e 10 leitos de terapia intensiva pediátrica. Além disso, a Unimed Vitória conta com uma ampla rede credenciada de atendimento aos seus clientes.

Rede Meridional

Sobre o Coronavírus, a Rede Meridional informou que está atenta e acompanhando todos os desdobramentos da pandemia que atingiu o mundo. Para isso, criou um Comitê de Gerenciamento composto por funcionários de diversas áreas de saúde para assegurar qualidade assistencial aos pacientes em geral e, em especial, aos pacientes com suspeita da doença. Seus funcionários e equipe médica também atuam conforme o protocolo de segurança definido.

O abastecimento do hospital é outra preocupação da Rede Meridional. O objetivo é assegurar insumos para o dia a dia das unidades e para as demandas específicas dos pacientes que possam estar com o coronavírus.
Faz parte do Plano de Ação estabelecido receber e tratar todos os seus pacientes, com excelência, em todo o seu tempo de internação no hospital.

Adianta, ainda, que possui 210 leitos de UTI, no total, e mantém sua rotina com foco na agilidade e eficiência no atendimento que presta aos seus pacientes, de forma geral.

Vila Velha Hospital

Garante que tem mantido contato contínuo com a Secretaria de Saúde do município de Vila Velha e também do Estado do Espírito Santo.

O hospital afirma que tem buscado construir, diariamente, um diálogo contínuo com as autoridades, buscando cumprir todos os protocolos de atendimento estabelecidos para casos suspeitos do coronavírus.

Acrescenta possuir hoje 100 leitos de UTI, sendo 80 de UTI adulta, 20 de UTIn e 20 UTI adulta em estágio pré-operacional, e mantém-se aberto a negociações com os poderes públicos para a utilização das unidades em caso de necessidade.

Vitória Apart Hospital

Possui 50 leitos de UTI, sendo 40 voltados para alta gravidade, com ventilação mecânica. Pacientes com suspeita são atendidos com prioridade. Estratégia prevê paciente isolado em leito particular.

Acredita que uma boa retaguarda nos cuidados médicos evita casos de gravidade e lotação de leitos.

Foi desenhado fluxo de atendimento após equipe passar por sete treinamentos. Há uma rota unidirecional que evita o contato do paciente com os demais que circulam pelo hospital. Do momento em que ele pega a ficha até a alta, faça um circuito que não coloque mais pessoas em risco.

Fonte: Hospitais citados.

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