Bastou o presidente Jair Bolsonaro assinar o decreto que facilita a posse de arma de fogo para instrutores de tiros receberem uma “enxurrada” de ligações de pessoas interessadas em adquirir armamento. Eles acreditam que, a partir de agora, haverá uma corrida para a compra de armas.
O despachante de armas e instrutor de armamento e tiro Marlos Borges disse que ontem recebeu o dobro de ligações que nos dias anteriores. Três delas eram de mulheres.
“Recebi 12 ligações após o decreto ser assinado. O pedido de aquisição vai crescer de forma significativa. Vai haver uma corrida, disparar a venda de armas, especialmente pistolas calibre 380. Produtores rurais e empresários são os maiores interessados.”
O engenheiro mecânico e empresário Darlan Jader Melotti, 47 anos, buscou informações. Ele tem interesse em comprar uma arma de fogo este ano.
Na tarde de ontem, o empresário recebeu orientações de Borges que, com segurança, mostrou o armamento sem munição.
“Eu já fui assaltado quatro vezes a mão armada em um período de 20 anos. Por isso, além da posse de arma, acho importante facilitar o porte também”, disse Darlan.
Mas ele fez uma observação sobre a importância de ter treinamento. O empresário acredita que, sem preparo, a arma pode representar um risco para a vida do proprietário.
O despachante de armas e instrutor de tiro Victor Boechat disse que seu celular não para de tocar. As ligações começaram na segunda-feira. Na lista de clientes dele, além de empresários e produtores rurais, estão médicos, advogados e outros profissionais liberais.
“As pessoas ligam para saber o que esse decreto realmente mudou e se facilitou mesmo. Elas têm interesse na redução da burocracia. A partir de agora, vai haver corrida para comprar uma arma para defesa pessoal.”
Ele disse que algumas pessoas ficaram frustradas, pois achavam que também haveria flexibilização do porte de arma, o que ainda não aconteceu.
Mulheres
Victor Boechat ainda contou que a procura de mulheres por uma arma aumentou 70%, em comparação com o ano passado.
“Algumas mulheres chegam mais acuadas, mas elas passam a frequentar os clubes de tiros e já começam a se sentir mais íntimas com o armamento.”
O especialista em segurança Jorge Aragão também afirmou que tem aumentado a procura de mulheres por cursos em clubes de tiros do Estado.
