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Cosmeticorexia: quais os riscos do vício de crianças e adolescentes por cosméticos

Comportamento obsessivo-compulsivo de adquirir e utilizar produtos de beleza precocemente já preocupa especialistas

Crianças e adolescentes estão cada vez mais cedo usando cosméticos
Foto de perfil de Will Anholetti

Will Anholetti

Will Anholetti é jornalista formado pelo Centro Universitário Faesa e pós-graduado em Língua Portuguesa e docência no Ensino Superior. Repórter multimídia, escreve para A Tribuna e Tribuna Online.

Última atualização



A pele está suscetível a diversas agressões durante o dia, principalmente a dos pequenos. Crianças e adolescentes estão cada vez mais cedo usando cosméticos, e em maiores quantidades, em busca de uma perfeição que se vê nas redes sociais.

Esse fenômeno, denominado “cosmeticorexia”, tem adquirido tamanha proporção que foi tema durante o IMCAS 2025, um dos maiores congressos sobre envelhecimento do mundo, que aconteceu entre 30 de janeiro e 1º de fevereiro em Paris.

Embora não seja reconhecido oficialmente pela medicina ou psicologia, o termo “cosmeticorexia”, formado a partir da fusão entre as palavras “cosmético” e “anorexia”, refere-se ao comportamento obsessivo-compulsivo de adquirir e utilizar produtos de beleza precocemente, o que pode trazer consequências para a pele.

“A barreira da pele de crianças e adolescentes é mais frágil do que a de adultos. Então, o uso de alguns produtos, especialmente quando feito de maneira exagerada, pode causar alergias, queimaduras, quadros de acne, cravos e até manchas”, explica a dermatologista Karina Mazzini.

Maria Eugênia Ayres, farmacêutica e gestora farma da Biotec, destaca ainda que dermatites e sensibilização da pele, com cor mais avermelhada, também são reflexos do uso desenfreado de cosméticos.

“Até os 12 anos, o uso de um sabonete neutro e um protetor solar adequado já são suficientes. Após, pode-se introduzir a aplicação em baixas doses de vitamina C e ácido hialurônico. É importante que esses cosméticos não contenham substâncias com potencial alergênico”.

A dermatologista Oliete Guerra defende que, antes dos 14 ou 15 anos, não há necessidade da utilização de outro produto. “No filtro solar já existe hidratante e tem a proteção do sol”.

A cosmeticorexia possui raízes em transtornos mentais como a dismorfofobia, que causa preocupação excessiva com a aparência física. “Nas redes sociais todos apresentam sua melhor versão. Isso lança os jovens em uma busca incessante para uma perfeição que não existe”, ressalta a psicóloga Bianca Martins.





Cosmeticorexia

É um comportamento obsessivo-compulsivo que leva crianças e adolescentes a utilizarem cosméticos e produtos de beleza de forma excessiva e precoce.

Esse fenômeno tem sido impulsionado, principalmente, pelo consumo de conteúdos em redes sociais, onde influenciadores e tendências estéticas promovem a necessidade de cuidados com a pele e o uso de maquiagem desde a infância.

Saúde mental

O acesso constante às redes sociais contribui para a disseminação de padrões irreais de beleza, levando crianças e adolescentes a desenvolverem preocupações excessivas com sua aparência. Esse comportamento pode desencadear a dismorfofobia, um transtorno psicológico caracterizado pela insatisfação exagerada com a própria imagem. Como consequência, há um aumento nos casos de ansiedade, depressão e baixa autoestima nessa faixa etária.

Cosméticos

A pele de crianças e adolescentes ainda está em desenvolvimento e possui uma barreira cutânea mais sensível e vulnerável. O uso de cosméticos formulados para adultos pode provocar alergias e irritações devido à presença de fragrâncias e conservantes agressivos.

Causam acne precoce e aumentam a oleosidade da pele. Também podem provocar sensibilização e dermatites, desencadeando inflamações e reações adversas.

Cuidados recomendados para cada faixa etária

Até os 12 anos: O único produto essencial é o filtro solar, que protege a pele contra os danos causados pelos raios UVA e UVB. A pele infantil já possui uma alta produção de colágeno, tornando desnecessário o uso de outros produtos.

Após os 12 anos: Introdução gradual de cuidados básicos, como sabonetes suaves, vitamina C em baixas concentrações e ácido hialurônico.

Alternativa segura

Os cosméticos manipulados são uma opção mais segura para adolescentes, pois permitem a personalização das fórmulas, garantindo ingredientes livres de alergênicos e comedogênicos, dosagens adaptadas à necessidade da pele jovem e texturas leves e adequadas para cada tipo de pele.



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