Em meio às 12.720 mortes pela covid-19 no Estado, estavam pais e mães capixabas. Assim, ao menos 263 crianças e adolescentes ficaram órfãos de um dos pais ou de ambos vítimas da doença no Espírito Santo.
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Desse total, 258 são crianças de até 6 anos que perderam o pai ou a mãe pela doença; três crianças de até 6 anos que perderam os dois pais antes mesmo de nascerem; e duas pessoas de 0 a 18 anos que perderam o pai e a mãe.
O número, apresentado em um levantamento da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen Brasil), leva em conta o período de 16 de março de 2020 e 24 de setembro deste ano.
Considerando que um pai/mãe pode ter mais de um filho, o número deve ser ainda maior.
O relatório foi feito pelo cruzamento de dados dos CPFs nos registros de nascimentos e de mortes que constam no Portal da Transparência do Registro Civil, com a série histórica do estudo Estatísticas do Registro Civil.
De acordo com a registradora civil e presidente da Arpen/ES, Nelisa Galante, o número no Estado, além de impactante, soma-se às outras causas de mortes (como doenças, acidentes e homicídios) que ocorrem todos os anos e deixam jovens órfãos.
“Acredito que o impacto emocional contamina o núcleo familiar todo, afeta o psicológico e desestrutura as famílias”, afirmou.
Nelisa destacou que o cartório é o local onde há o primeiro contato da família após a morte. Assim, procuram realizar um acolhimento mais afetivo, diante do impacto.
Segundo a psicóloga Roberta Torres, no caso das crianças de até 6 anos, apesar de elas perceberem o fim da vida de forma diferente de um adulto, também sentem a ruptura afetiva.
“É importante que no momento dessa quebra de vínculo a criança seja acolhida, possa expressar o que sente e tenha alguém de referência, para que possa encontrar o afeto e o amparo”, ressaltou.