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Creche em que surto infeccioso teria iniciado suspende as aulas

A creche onde teria ocorrido o surto infeccioso na Praia da Costa, em Vila Velha, suspendeu as aulas ontem e, por precaução, permanecerá fechada até ...

Equipe que investiga o caso do surto em Vila Velha, durante coletiva

Última atualização

Equipe que investiga o caso do surto em Vila Velha, durante coletiva (Foto: Dayana Souza/AT)

A creche onde teria ocorrido o surto infeccioso na Praia da Costa, em Vila Velha, suspendeu as aulas ontem e, por precaução, permanecerá fechada até que os resultados dos exames fiquem prontos.

A informação foi passada pelo secretário de Saúde de Vila Velha, Jarbas Ribeiro de Assis Junior.
Entre as medidas adotadas até o momento estão vistoria na creche – uma delas aconteceu ontem –, e em outros possíveis locais de contaminação, além da coleta de água e alimentos para análise.

As equipes buscam respostas para saber se a infecção foi originada dentro da creche ou em um quiosque na orla de Vila Velha onde duas crianças, que apresentaram o quadro mais grave da doença, tomaram água de coco e comeram batata frita.

A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou ontem que existe a previsão de que os primeiros resultados sejam concluídos hoje. Disse ainda que caso isso não seja possível outras medidas serão adotadas, sem mencioná-las.

As primeiras amostras de exames laboratoriais estão em processamento no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen-ES) para análise de causa e posterior medidas de controle.

Em entrevista à reportagem na última terça-feira, o proprietário da creche, que pediu para não ser identificado, disse que não há surto na unidade. “Isso é externo. Se fosse realmente por contaminação alimentar daqui, todas as crianças estariam doentes porque todas comem aqui”, revelou, na ocasião.

Ele também garantiu que a escola tem adotado todas as medidas cabíveis, que inclui processo de higienização, e está auxiliando os órgãos para que tudo seja esclarecido.
Ontem à noite, a reportagem tentou um novo contato, sem êxito.

“Não é necessário ter pânico”

O infectologista Lauro Ferreira explicou que a maioria das infecções é resolvida por meio de tratamento (Foto: Rodrigo Gavini/AT)A internação de crianças de uma creche particular de Vila Velha, que levou à morte uma delas, deixou muitos pais preocupados. Médicos infectologistas explicaram, no entanto, que não é preciso ter pânico nesse momento.

O infectologista Lauro Ferreira Pinto, por exemplo, destacou que é preciso aguardar o resultado das investigações.

“Não se deve entrar em pânico porque existem situações excepcionais. Tem doenças que são muito graves e, sobre esse surto (das crianças que estudam na creche), é preciso dar um pouquinho de tempo para as autoridades sanitárias investigarem o que aconteceu para ocorrer uma coisa tão trágica”.

Lauro Pinto ressaltou que a maioria das infecções é resolvida. “Não adianta fazer especulações nesse momento. A Secretaria de Saúde está acompanhando isso com cautela, assim como as autoridades sanitárias de Vila Velha”.

Ele disse que, muitas vezes, as infecções bacterianas são descobertas com hemocultura com alguns exames específicos realizados nos hospitais. “Às vezes, o diagnóstico vem com cultura de sangue ou fezes ou testes de biologia molecular. Cada caso é um caso. Às vezes, é possível descobrir qual é a bactéria no hospital, mas nem sempre no primeiro exame”.

A infectologista Rubia Miossi também enfatizou que não é momento de pais ficarem apreensivos, principalmente ao ponto de deixarem de levar as crianças para a escola.

“As crianças que estavam em risco são as relativas àquela instituição onde ocorreu o surto. Não é algo que se transmite a distância, pelo ar. Então, pais de crianças de outras instituições não precisam deixar de levá-las à escola”.

A médica completou: “Pais de criança que tiveram contato com crianças doentes daquela creche, e que apresentarem sintomas como diarreia, vômito e febre, devem procurar o médico e pedir que seja feita a notificação imediata do caso”.

Apontar, ao certo, esse agente infeccioso não é uma tarefa simples, frisou a médica, já que muitos micro-organismos causam os mesmos sintomas.

“São necessários, muitas vezes, laboratórios mais especializados para fazer essa pesquisa, até de fora do Espírito Santo. Nesse caso, a Secretaria de Estado da Saúde não está medindo esforços para descobrir o agente causador do surto”.

Prefeitura afirma que monitora caso

Mesmo sem ter o resultado do que causou o problema, o secretário de Saúde de Vila Velha, Jarbas Ribeiro de Assis Junior, disse que não há risco de novas contaminações, mas ressaltou que o monitoramento tem sido diário.

“A situação foi localizada dentro de uma creche, não tem o risco de espalhar pela cidade. O que nos tranquiliza é o fato de não termos novos casos e de ter havido um bloqueio nesse sentido. Mas isso é avaliado diariamente.”

Falando em hipóteses, Jarbas disse que a gravidade do caso sinaliza que a contaminação possa ser em decorrência de infecção por bactéria, já que a infecção por vírus costuma ser mais branda.

Ele voltou a dizer que a demora na comunicação à prefeitura sobre o surto de diarreia ocorrido na creche pode prejudicar a investigação. A coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Vila Velha, Giovana Ramalho, também disse que, a princípio, não há risco de novas contaminações.

“É um surto que está bem restrito dentro da creche envolvendo cinco crianças. Graças a Deus, até hoje (ontem) a gente não tem informação de que o surto continua e que outras pessoas foram acometidas”.

Indagada sobre o motivo de a creche ter sido fechada até que o resultado seja conhecido e o quiosque em que duas crianças estiveram, não foi fechado, Giovana disse que “a Vigilância Sanitária visitou o quiosque e, a princípio, não identificou situações que levassem ao fechamento do estabelecimento”.

O secretário também lembrou que o quiosque fica em ambiente aberto. Ele disse que, até o momento, a areia do parquinho que fica na praia não passa por investigação, mas isso não foi descartado.

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