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“Crianças precisam de limites até nas férias”

“Limite não tira férias”. A afirmação é da psicopedagoga Veridiana Toledo (SP), especialista em diagnóstico clínico de dificuldades de aprendizagem, ...

Veridiana Toledo

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Veridiana sugere brincadeiras tradicionais, como amarelinha e esconde-esconde, e jogos de tabuleiro para serem praticados entre pais e filhos (Foto: Arquivo Pessoal)“Limite não tira férias”. A afirmação é da psicopedagoga Veridiana Toledo (SP), especialista em diagnóstico clínico de dificuldades de aprendizagem, intervenção psicopedagógica e acompanhamento escolar. Para ela, até mesmo no período de férias escolares, as crianças podem e devem ser orientadas sobre os seus limites pela família.

“Eu acredito que as crianças precisam de limite durante as férias, sim. Uma, porque limite é uma coisa que não tira férias; e outra, porque quando você estabelece um padrão, uma rotina, o momento de transição e de volta às aulas, depois é mais fácil”, explica.

Veridiana ressalta que estabelecer limites durante este período também facilita a interação e convivência com outras crianças nos momentos de lazer.

Entretanto, ela afirma: “Férias não precisam ser sinônimo de ócio”. Os pais ou mesmo a pessoa responsável pela criança neste período devem se programar para oferecer uma programação diversificada, que não apenas evitará o uso excessivo de aparelhos eletrônicos, como também proporcionará interação entre crianças e adultos, além de facilitar o desenvolvimento motor e emocional, diz.

Em entrevista ao jornal A Tribuna, a psicopedagoga explicou a importância dos limites – não apenas nas férias – e, também, deu dicas de como se programar para curtir o tempo livre com a garotada, de forma simples e divertida.

Quem é:
Veridiana Toledo, é pós-graduada em Psicopedagogia Clínica e Institucional, pelas Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). Tem especialização em Neuroeducação pela Faculdade Unyleya. É especialista em Transtornos Comportamentais do Desenvolvimento, pelo CBI Of Miami (EUA).

A Tribuna – Os limites podem ser mais flexíveis no período de férias?
Veridiana Toledo – Embora os limites sejam necessários, no período de férias, algumas coisas podem ser negociadas, como horário para acordar, para dormir, horário da refeição e até mesmo horário para brincar.

No período de férias, a criança não tem essa obrigatoriedade de acordar cedo, por exemplo. Acho que tudo pode ser negociado.

A Tribuna – A ociosidade dos filhos no período de férias implica que os pais mudem também a própria rotina?
Veridiana Toledo – Sim. Hoje em dia, principalmente nas grandes cidades, o período de férias não precisa ser um momento de ócio. Até em shopping center e museus, às vezes, tem programação de férias. As grandes cidades se preparam para esse período. Programação para crianças, eu acredito que exista.

Muitas vezes, quando a criança está de férias, dependendo da dinâmica da rotina familiar, fica com uma babá, uma avó, ou tia, mas existem essas possibilidades.

A Tribuna – É necessário fazer alguma programação especial?
Veridiana Toledo – Acredito que sim. Os pais podem se planejar e aproveitar esse período para se aproximar dos filhos.

Querendo ou não, a rotina está mais flexível, eles já sabem da demanda, que a criança vai ficar em casa, e podem, sim, se programar. Para crianças que estão em processo de alfabetização, por exemplo, indico que a família faça um diário de férias, com anotações, fotos, desenhos.

Oriento fazer um trabalho em família, que instiga ambas as partes a se programarem para elaborar esse diário. Isso ajuda a criança a praticar a escrita e, também, já a deixa preparada para quando voltar para a escola e precisar fazer algum registro das férias.

A Tribuna – As crianças podem ajudar a definir a programação ou cabe somente aos pais decidir?
Acho que os pais podem dar opções. Por exemplo, tem criança que escolhe um passeio que os pais, às vezes, não têm condição. Então, os pais podem fazer uma pesquisa de lugares, de acordo com o orçamento da família, e dar as opções para as crianças escolherem. É interessante oferecer um leque de opções.

Tem famílias também que escolhem não viajar e aproveitam a própria cidade, que está mais calma. É importante que a criança ajude a escolher porque, às vezes, os pais escolhem algo que a criança não gosta, como um passeio de bicicleta para uma criança que não sabe ou tem medo.

A Tribuna – É importante que os pais escutem a opinião dos filhos, em geral?
Sim. Acho importante ouvir a opinião. Muitas vezes, pode haver uma troca, algo que talvez os adultos não tenham pensado, mas que a criança sugere e pode entrar na dinâmica familiar. É importante saber ouvir. As crianças têm muito a dizer. E ouvir faz parte do crescimento e do desenvolvimento da criança, que vai aprender a ouvir no futuro também.

A Tribuna – E quando os filhos estão de férias, mas os pais não? É necessário tomar algum cuidado específico?
Se não for um centro de recreação ou uma escola em período integral, é importante conhecer a pessoa que vai ficar com seus filhos, confiar, saber o que vai fazer com essa criança no tempo de férias. Tudo que será feito tem que ser combinado, horário de passeio, horário em que vai até essa casa.

De repente, os pais podem fazer uma programação no tempo livre, uma sessão pipoca à noite, uma festa do pijama com os amigos, um passeio no parque, uma praia no fim de semana.

A Tribuna –  Como evitar, por exemplo, que as crianças e até mesmo os adolescentes fiquem o tempo todo mexendo no celular ou jogando videogame?
É complicado, pois está na rotina deles. Todo mundo tem acesso a todo momento. Mas é claro que aquela criança que vai ficar num centro de recreação ou numa escola de tempo integral, por exemplo, não vai ficar com todo o tempo ocioso. Geralmente há uma programação, até para adolescentes.

Já para a criança que vai ficar na casa de uma terceira pessoa enquanto os pais estão trabalhando, seria interessante que essa pessoa programasse outras coisas para fazer. Nesta época de verão, por exemplo, dá para aproveitar ao ar livre, seja na praia, na piscina ou até mesmo em parques, para desvincular um pouco dos aparelhos eletrônicos.

Crianças em jogos eletrônicos: desenvolvimento motor pode ser afetado (Foto: Freeimagens)A Tribuna – A tecnologia está tirando alguma experiência das crianças?
Muitas. Um tempo atrás, trabalhei em um colégio tradicional de São Paulo, que tinha uma área enorme, e começamos a reparar que as crianças se machucavam demais. E, quando fomos analisar, reparamos que era porque as crianças não sabiam cair, não sabiam correr. Quando vão cair, não sabem se equilibrar. Em brincadeiras como pega-pega, esconde-esconde, não conseguem correr.

O jogo tecnológico atrapalha demais o desenvolvimento motor da criança. E quando algo interfere nesse desenvolvimento, outras áreas são prejudicadas, como a escrita, a fala. Hoje, há muitas crianças de 7 anos que não conseguem pegar no lápis para escrever, mas jogam joguinhos no celular como ninguém, e isso vem num efeito cascata, em que o desenvolvimento não acontece.

A Tribuna – Que atividades você considera legais para serem praticadas em conjunto, por pais e filhos?
Acredito muito nas brincadeiras tradicionais, como amarelinha e esconde-esconde, como fonte de desenvolvimento motor e social.

E também há jogos de tabuleiro, que são superdivertidos. O tempo passa e a gente não vê. Além disso, desenvolve uma série de habilidades na criança, trabalha a competitividade, a frustração e até o raciocínio lógico, que é muito necessário nesses jogos. Não é só uma questão de sorte.

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