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As crianças têm sido diretamente as mais afetadas com a falta de medicamentos, como antibióticos.
O aumento na demanda desses remédios para o uso infantil, segundo especialistas, tem uma explicação: a volta do convívio social após fim do isolamento social.
“Na pandemia a demanda tinha diminuído porque as crianças estavam em casa e não estavam ficando tão doentes com quadros infectocontagiosos”, explica a pediatra Rachel Mocelin.
“Mas com o fim do isolamento e o aparecimento de novos quadros (novos tipos de agentes infecciosos) houve um boom de consumo de medicamentos”, afirma a médica. Ela explicou ainda que o subsídio vem do exterior, e devido à guerra, os laboratórios não conseguiram suprir a demanda a tempo.
Segundo os médicos, a falta de medicação é preocupante.
“Sem a medicação correta a criança pode ter piora do quadro. Também com a falta tem casos de crianças que tiveram que usar antibióticos mais potentes ou até mesmo injetáveis para tratar quadros que poderiam ser tratados com antibióticos menos potentes, aumentando a resistência bacteriana”, destaca a pediatra.
De acordo com a pneumologista Ciléa Victória Martins, o desabastecimento causa preocupação, já que há casos em que um paciente poderia ser tratado por medicamento via oral, mas com a falta do remédio, pode ser necessário recorrer à internação.
“Tenho feito várias indicações de remédios semelhantes ou similares para que o paciente não fique sem opção. Essa época de mudança climática dá muita reação alérgica e infecções pulmonares que necessitam de antibiótico”.
O cardiologista Diogo Barreto ressalta que a falta de medicação pode tornar uma doença crônica, aguda.