O filósofo grego Aristóteles já dizia, há mais de 2.300 anos, que a virtude está no meio-termo entre o excesso e a deficiência. O equilíbrio entre o elogio e a crítica é o que defendem especialistas em comportamento em relação aos filhos.
Apesar de a dica parecer simples, eles alertam que a missão não é fácil. Para saber a medida certa para cada criança, é necessário estar perto, observar, conversar e ajudar.
“Com a crítica, dos pais e na escola, as crianças e os adolescentes criam uma capacidade de aceitação e se tornam também autocríticos. Começam a aprender a analisar suas atividades. A crítica é tão importante quanto o elogio para o jovem”, destaca a filósofa e professora de Psicologia Tania Zagury.
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Escritora de vários livros sobre educação de filhos e alunos, como “Limites sem Traumas”, a especialista salienta que os pais não devem ter medo de criticar o filho, quando preciso.
“Existe o medo de criticar o filho e deixá-lo traumatizado. A verdade é que o ‘não’ tem o seu momento e é tão importante quanto o ‘sim’, tudo no momento certo. Compete à família incentivar, elogiar, motivar, mas quando houver o que tiver de ser elogiado”, frisa.
A psicóloga Ana Paula Cunha também destaca “equilíbrio” como palavra-chave. “Elogios são importantes na construção da autoestima. Não a todo tempo, nem por qualquer feito. Os pais precisam mostrar que nenhuma pessoa é boa em tudo. Isso me dá o direito de ser imperfeito e, ainda assim, ter afeto”.
A dica do psicólogo Cláudio Miranda é: mostrar ao filho as situações em que ele errou, e que não precisa sofrer por isso. “Ao fazer isso, você estará fortalecendo o seu filho, mostrando-o que ser imperfeito não é uma desonra ou vergonha. O desafio dos pais é estimular e elogiar o filho na medida certa, sem demasia ou falta”.
A tarefa não é fácil. Por isso, a psicóloga Thayse Espíndola diz que os pais têm de ser compreensivos consigo mesmos. “Melhor que uma pessoa boa em tudo é alguém que reconheça suas fraquezas e busque aprender com quem sabe mais”.
Para a psicóloga Maria Alice Fontes, especialista em Disciplina Positiva, não há, porém, crime em elogiar os filhos. “Não devemos ficar preocupados se, por acaso, um elogio sair despercebido. Ele funciona como um doce gostoso, que podemos saborear eventualmente. Mas o encorajamento deve ser o alimento essencial”.
Pais podem ajudar com afeto e diálogo
Encorajamento X elogio
– Elogiar é aprovar, julgar e poder se manifestar através de palminhas, “festa”, por exemplo. O elogio foca no produto perfeito.
O encorajamento estimula, incentiva, motiva a criança ou o jovem a agir com coragem. Desenvolve o senso de capacidade, de autoavaliação e de autonomia. Foca no processo e é centrado na tarefa, e não na pessoa.
Critérios para elogiar
– Priorize os resultados dos esforços. A criança superelogiada pode se tornar um adulto despreparado emocionalmente, que terá dificuldade para lidar com críticas negativas.
Elogios e críticas
– É na fase do desenvolvimento que a criança e o adolescente devem aprender a lidar com o certo e errado; e acertos e frustrações. Isso ajudará com os impasses na vida adulta.
Erros e frustrações
– A partir dos seus erros e das frustrações, a criança terá a possibilidade de conhecer as suas limitações e potencialidades.
– Demonstre afeto, em especial, nos momentos das frustrações.
Diálogo
– Ter um diálogo com os filhos, proporcionará aos pais entenderem como é a compreensão de mundo deles e como têm desenvolvido suas relações interpessoais. É nesse momento de conversas que os pais podem ajudar, caso haja algo errado.
Orientar sobre redes sociais
– Os pais devem ficar atentos sobre o que tem chamado a atenção de seus filhos nas redes sociais, para orientá-los a respeito do que é ou não é saudável e real.