O dia delas começa às 4 horas da manhã, com a limpeza de ruas de Guarapari. As garis Maria Estel Gomes de Medeiros Motinho, de 38 anos, e Maria Luiza Lopes Loureiro Vieira, 37, se desdobram para dar conta das praças, calçadas, ruas e avenidas que são de responsabilidade delas.
Quando a tarde chega, é hora de trocar de roupa e assumir as outras profissões. Maria Estel é professora de Educação Infantil e Fundamental I, e Maria Luiza é enfermeira-chefe do hospital infantil da cidade.
“Eu me formei em Pedagogia em 2017 e comecei a dar aulas este ano. É muito gratificante ver os rostinhos das crianças aprendendo coisas novas. E sigo na profissão como gari também. Passei no concurso em 2013. A rotina é cansativa, mas sou muito grata”, contou Estel.
Luiza se formou em Enfermagem em 2018. No ano passado, ela começou a trabalhar na área e logo assumiu o cargo de chefia. “Sou chefe do pronto-socorro e da ala de pediatria. Fico no hospital das 13 às 19 horas”.
As duas ainda fazem as atividades domésticas, como cozinhar, arrumar a casa, lavar roupa, e também estudam. Estel cursa uma segunda faculdade, de Matemática, e Luiza faz pós-graduação em Urgência e Emergência. As duas estudam à distância.
“Parece que não sobra tempo, mas, organizando direitinho, a gente dá conta. No final do dia, é hora de colocar algumas tarefas de casa em dia e, antes de dormir, é momento para estudar. Os estudos mais longos ficam para os finais de semana. Quando dá, a gente se diverte também, porque é preciso”, destacou Estel.
Elas trabalham 12 horas por dia e não deixam os estudos de lado

“Sempre quis trabalhar na área da saúde, era um sonho. Mas não tive oportunidade quando era mais nova. Sou filha de pais analfabetos e sempre busquei o melhor através dos estudos.”
Já Maria Estel Gomes de Medeiros Motinho, que, além de gari, é professora, se preocupa em fazer planejamento individual para o desenvolvimento de cada aluno. “Eles têm idades e dificuldades diferentes, e eu tenho o cuidado de dar a atenção que cada um necessita”.
Estel dá aulas de forma voluntária na Associação Crescer com Viver, que atende crianças e adolescentes no contraturno escolar.
Ela ainda estuda para concursos e faz faculdade de Matemática. O novo sonho é cursar Engenharia. “Ainda não decidi qual engenharia, mas quero fazer. O importante é não desistir”.
