Em um dia sem movimento, uma vendedora de rede fez um atendimento que iria mudar a sua vida. A jovem Samay França, de 25 anos, atendeu um agente de moda do Estado e, em seguida, recebeu um convite dele para seguir a carreira de modelo.
A oferta foi feita em 2017, em uma loja de Porto Seguro, Bahia, onde a ex-vendedora trabalhava. No mesmo ano, Samay se mudou para Bairro de Fátima, na Serra, e deu início a uma preparação. Agora, a baiana de coração capixaba vai viajar para Milão, na Itália.
“Ele disse que, na hora que eu levantei e sorri, viu em mim um potencial. Foi uma coisa simples”, descreveu a modelo sobre o encontro com o diretor de produção e fotógrafo Claude Coimbra.
Samay vai viajar para o Rio de Janeiro no próximo dia 30, onde pega outro voo e chega em Milão no dia 1º de setembro. Ela fará uma temporada de três meses no exterior com o intuito de conseguir uma vaga para o desfile da Semana de Moda de Milão.
“Vou fazer campanhas e testes para o Fashion Week. Será o trabalho mais importante da minha carreira. Todas as modelos querem ir a Milão, é um lugar referência no mundo da moda. Estou ansiosa”.
Para conseguir comprar duas malas, itens básicos e uma passagem de avião até o Rio, a modelo disse que vendeu brigadeiro na Praia de Camburi, em Vitória, durante um mês. No valor de R$ 1 cada, ela conseguiu juntar R$ 1.200.
Descoberta por acaso, ela contou que os amigos e parentes já tinham enxergado nela o perfil de uma verdadeira modelo. Porém, antes, foi necessário aprender a aceitar o seu próprio corpo.
“Eu aprendi a gostar de mim. Não usava short e blusa de alça. Tenho 1,80m e sou muito magra. Entendi que cada pessoa nasce com um talento e características específicas. Hoje eu gosto do meu cabelo e uso qualquer roupa”.
Com os frutos da carreira de modelo, Samay deseja comprar uma casa e ajudar a sua família. Além disso, ela revelou que sonha em empreender e fazer uma faculdade de Administração.
A modelo chegou a morar em São Paulo, mas não conseguiu se acostumar com o local e teve crises de ansiedade que refletiram em problemas de pele, como acne. “Quis voltar para o Espírito Santo. Sou apaixonada por esse estado que me acolheu. Aprendi muito aqui. Esse clima tropical me faz bem”, salientou.
“Quero ajudar minha família”, diz Samay França
Você já tinha pensando em ser modelo?
Todo mundo falava que eu tinha jeito, tanto os meus amigos como a minha família. Eles achavam que poderia seguir a carreira de modelo, mas não tinha recursos para viajar e investir nisso. Fiz o meu primeiro trabalho aos 17 anos. Foi um ensaio sobre a beleza negra para um revista da Bahia. Depois disso, fiz alguns desfiles na cidade e fazia fotos para algumas boutiques.
É uma carreira difícil?
Graças a Deus fui abraçada por pessoas maravilhosas. Mas, para viajar a Milão, por exemplo, tive de comprar a minha passagem até o Rio de Janeiro. Vendi brigadeiros por um mês para juntar dinheiro. Cheguei a vender em lojas e até na rua, na Praia de Camburi. Vendia a R$ 1 cada brigadeiro e consegui juntar R$ 1.200.
Quais são os seus sonhos?
Quero ter a minha casa e ajudar a minha família. Trazer eles para perto de mim. Também quero empreender e fazer uma faculdade de Administração. Sempre recebi ajuda e quero retribuir isso, criando oportunidades e estendendo a mão para outras meninas que sonham em ser modelos.
Tem alguma modelo que te inspira?
Para mim, a Gisele é única. Admiro muito ela, porque além de uma supermodelo, é uma referência de ser humano. Ela faz a diferença na vida das pessoas e eu também quero ser assim.

“Quero ajudar minha família”, diz Samay França