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Defesa Civil confirma 94 mortes durante chuvas em Petrópolis

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, disse na quarta-feira (16) que Petrópolis teve sua pior chuva desde 1932.Atualização: segundo números ...

Bombeiros, moradores e voluntários trabalham no local do deslizamento no Morro da Oficina, após a chuva que castigou Petrópolis, na região serrana fluminense.

Última atualização

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, disse na quarta-feira (16) que Petrópolis teve sua pior chuva desde 1932.

Atualização: segundo
números recentes da Secretaria Estadual de Defesa Civil do Rio de
Janeiro, já foram confirmadas 94 mortes em decorrência dos deslizamentos
e enchentes na região.

 













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Até a noite desta quarta-feira, 21 pessoas
foram resgatadas com vida nas áreas atingidas da cidade localizada na
região serrana do estado.

“Foram 240 milímetros em duas horas. Foi uma
chuva altamente extraordinária”, disse Castro. O volume supera a média
histórica atribuída a todo o mês de fevereiro que é, segundo a Defesa
Civil municipal, de 238,2 milímetros. 

Até o momento, há registro de 26
deslizamentos. São 372 pessoas desabrigadas e desalojadas. O Ministério
Público do Rio de Janeiro (MPRJ), através do programa de localização e
identificação de desaparecidos, já recebeu solicitações para localização
de 35 pessoas. 

Castro defendeu os investimentos feitos pelo
seu governo nos últimos anos em obras de contenção de encostas e de
melhoria do asfalto e em programas habitacionais. Segundo ele, há um
foco em ações preventivas. “Não se resolve 40 anos em um ou dois anos”,
disse. 

O governador acrescentou que há problemas
estruturais que existem desde outras tragédias. A história da região
serrana é marcada por outros desastres envolvendo temporais. 

Em 1988, após dias ininterruptos de chuva,
134 pessoas morreram em deslizamentos de terra, desabamentos ou levadas
pelas águas da enchente em Petrópolis. Já em 2011, 918 pessoas perderam a
vida em um dos maiores desastres socioambientais do país: o impacto foi
maior nas cidades de Nova Friburgo e Teresópolis, mas Petrópolis também
foi bastante castigada.

“Há sim um caráter excepcional na tragédia
de ontem. A união de uma tragédia histórica com um déficit que realmente
existe causou esse estrago todo. Que sirva de lição. Que as obras
aconteçam e que possamos minimizar esses estragos”, disse Castro, se
comprometendo com os investimentos para recuperação das áreas críticas
da cidade.

“Não estamos aqui há dois dias de bobeira. A
gente sabe da dificuldade financeira do município. O governo do estado
vai entrar com o que for necessário. Se tiver mais ajuda, ótimo. Mas não
será por falta de recurso que nós deixaremos de fazer as obras
necessárias”, acrescentou. 

Mais cedo, ele havia dito que o apoio do governo federal seria importante.
O presidente Jair Bolsonaro anunciou que pretende estar em Petrópolis
na sexta-feira (18), quando apresentará um plano à prefeitura.

As chuvas se intensificaram por volta de 16h de ontem
(15). No final da tarde, imagens de enchentes das ruas do centro
histórico de Petrópolis e de outros bairros alagados no Rio de Janeiro
começaram a circular nas redes sociais. O temporal deixou assustados os
moradores da cidade da Região Serrana do estado fluminense.

“São muitos pontos destruídos. Muita gente
vai perder tudo. Lojas inteiras inundadas praticamente até o teto. Chove
muito, coisa que não se vê em Petrópolis há muitos anos”, contou à
Agência Brasil o comerciante Vagner Bruno Christ Ferreira.

Um dos vídeos que circulou pela internet
flagrava a formação de uma cachoeira no centro da cidade. Imagens de
ruas comerciais mostraram a correnteza arrastando uma diversidade de
objetos nas ruas comerciais. Houve também compartilhamento de fotos de
carros submersos e sendo arrastados.

O Morro da Oficina, no Alto da Serra, foi um
dos pontos mais impactados. No local, houve um grande deslizamento de
terra que atingiu várias moradias. A prefeitura estima que cerca de 80
casas tenham sido afetadas no local, que fica próximo à Rua Tereza, área
comercial do município perto do centro histórico.

Os bairros mais atingidos foram Quitandinha,
Alto da Serra, Castelânea, Centro, Coronel Veiga, Duarte da Silveira,
Floresta, Caxambu e Chácara Flora. A Concer, concessionária de trecho da
rodovia federal BR-040, chegou a informar quedas de barreiras afetando o
trânsito na serra de Petrópolis.

A Defesa Civil municipal informou que todas
as 18 sirenes de alerta instaladas próximas a áreas de risco foram
acionadas. O governador afirmou que o dispositivo tecnológico reduziu as
perdas humanas. “Funcionaram muito bem as sirenes. Muita gente
conseguiu sair a tempo. Infelizmente ainda há pessoas que resistem a
sair. Mas a Defesa Civil municipal conseguiu salvar muitas vidas com a
manutenção das sirenes.”

Cooperação

Mais de 500 bombeiros estão atuando nas
buscas por desaparecidos e no apoio às vítimas. Diante do grande volume
de água, a Defesa Civil municipal acionou ainda ontem (15) o Estágio de
Crise. A prefeitura decretou estado de calamidade pública e luto oficial
de três dias. A orientação das autoridades municipais é para que as
pessoas só saiam de casa quando for essencial e que os desabrigados e
moradores de áreas de risco procurem os pontos de apoio criados para o
acolhimento. Vinte e cinco escolas foram designadas para recebê-los.

O governador disse esperar que, até a
próxima semana, seja concluído o atendimento de todas as famílias
desabrigadas, para que comecem a receber o aluguel social e o cartão
Recomeçar, benefício destinado para ajuda na compra de móveis e
equipamentos domésticos. Ele afirmou, no entanto, que o aluguel social é
um paliativo e que o programa habitacional Casa da Gente deverá dar
prioridade para pessoas que vivem em áreas de risco.

Ainda ontem (15), Cláudio Castro cancelou
sua agenda e se deslocou para Petrópolis para acompanhar os trabalhos. O
governo fluminense determinou o deslocamento de bombeiros da capital e
colocou oito ambulâncias e dez aeronaves a serviço da cidade para atuar
no socorro de eventuais vítimas.

O Ministério da Defesa, através do Comando
Conjunto Leste, também anunciou o emprego de tropas, viaturas e
equipamentos especializados para auxiliar os trabalhos na cidade. Uma
zona de pouso para helicópteros envolvidos na operação foi preparada em
um campo do futebol do 32º Batalhão de Infantaria Leve de Montanha (32º
BIL Mth), sediado na região.

O ginásio da Universidade Católica de
Petrópolis (UCP), no bairro do Bingen, tornou- se ponto de apoio. No
local, a prefeitura montou uma base para reunir os equipamentos e
caminhões que estão sendo utilizados nas operações na cidade.

O prefeito Rubens Bomtempo destacou que,
passadas 24 horas da chuva, já existe um alinhamento estreito entre o
município e o estado. “Conseguimos trabalhar de forma integrada,
amplificando a nossa reposta”, pontuou.

Além do governo estadual, municípios
vizinhos também se uniram em ações de apoio. Integrantes da Defesa Civil
de Vassouras, São João de Meriti, Areal e Araruama foram liberados para
se unirem, de forma voluntária, aos trabalhos.

Doações na capital

Governos e instituições estruturaram variados pontos para recebimento de doações às vítimas da catástrofe na capital. Estão sendo aceitos roupas, kits de higiene pessoal, cobertores, colchões e colchonetes, travesseiros, toalhas, alimentos e água.

As unidades do Departamento de Trânsito do
Rio de Janeiro (Detran-RJ) estão entre os locais designados pelo governo
estadual para este fim. São quatro pontos: a sede do órgão no centro,
além de imóveis nos bairros São Cristóvão, Largo do Machado e Barra da
Tijuca. Há um quinto ponto na cidade de Duque de Caxias, na baixada
fluminense.

A prefeitura da capital fluminense colocou à
disposição dez pontos de coleta de doações junto às Coordenadorias de
Assistência Social (CAS) localizadas nas diferentes regiões da cidade. A
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) se movimentou com o mesmo
intuito. Doações poderão ser deixadas até a próxima segunda-feira (21)
na recepção da Prefeitura Universitária.

A população também pode entregar donativos
em batalhões da Polícia Militar, em igrejas, nas sedes de alguns clubes
de futebol, na quadra de algumas escolas de samba e no edifício da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB-RJ).

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