A fila de pacientes que aguardam para realizar alguma cirurgia na coluna aumentou cerca de 30%, de acordo com especialistas. Isso se dá por conta do número de pessoas que deixaram de procurar os consultórios, durante a pandemia, e por isso tiveram um agravamento no caso.
“Se adiar, a doença que não era caso cirúrgico, passa a ser. Temos tido casos de pessoas que evoluíram e passaram a ter indicação cirúrgica de uma hérnia, por exemplo, porque ficou um tempo sem buscar atendimento médico”, explica o médico cirurgião Charbel Jacob, que atende no Hospital Infantil de Vila Velha, na Santa Casa de Vitória, e na rede privada.
Jacob disse ainda que os pacientes não podem deixar piorar a situação para procurar um especialista. “No hospital ou consultório, todos possuem uma proteção. O risco de pegar Covid dentro de lugares como esses é muito baixo, basta respeitar as normativas do Ministério da Saúde”, explicou.
Segundo o médico ortopedista Lourimar Toledo, cirurgias que eram possivelmente evitadas com um tratamento clínico tiveram um aumento por falta de diagnóstico e tratamento adequado. Um exemplo são os novos tumores.
“A mulher tem um tumor de mama e, por deixar o tratamento de lado ou não procurar um especialista para saber o que é, esse tumor invade a coluna, causando lesões ósseas e neurológicas”, explicou.
Toledo disse ainda que, no caso de doenças degenerativas, como artrose, a qual a maioria possui tratamento clínico – remédios e atividade física – muitos desses pacientes não foram ao médico, por receio ou medo da Covid-19, e por isso houve um agravamento das lesões.
O aumento de casos também se dá por conta da mudança de rotina das pessoas por causa da quarentena. Antes, 36% das pessoas faziam atividade física. Esse percentual caiu para 14%. O sedentarismo, somado ao estresse do confinamento, acaba gerando dores na coluna por conta da tensão.
Os especialistas alertam ainda que os atendimentos ortopédicos e as cirurgias, não só trauma, como as degenerativas (artroses, estenose, hérnias de disco) já voltaram a ser realizadas com todo o protocolo de segurança.
Tipos de cirurgias e tratamentos
Cirurgias convencionais
- Apresentam acessos maiores na pele, para separação da musculatura e visualização direta da coluna a ser operada. Há maior possibilidade de lesão, sobretudo os músculos, com maior sangramento associado e maior tempo de recuperação.
Cirurgia endoscopia
- A diferença para a cirurgia tradicional é que a endoscopia usa pequenas incisões e o risco de danificar musculatura é muito menor.
Indicações de cirurgia na coluna
- Uma patologia ou quadro de dor não tem indicação de cirurgia imediatamente. A cirurgia só é indicada após a análise criteriosa e uma bateria de exames. É sempre indicado o tratamento conservador. Fisioterapia aliada ao fortalecimento muscular promove alívio das dores.
- O tratamento do caso não acaba com a cirurgia em si. O engajamento do paciente para a reabilitação pós-cirúrgica é fundamental e nesse quesito, a fisioterapia é fundamental.
Cirurgia da Coluna Lombar
- Paciente sente fortes dores há mais de um ano, toma analgésicos mais de duas vezes na semana, e tratamentos não têm efeito, a cirurgia vira opção.
Cirurgia de Hérnia de Disco
- Tipo mais comum. Indicada quando o tratamento não surtir efeito.
Cirurgia para Escoliose
- Deformidade que causa curvatura nas vértebras, dores e desconforto.
Dicas para sucesso da operação
- Escolha um bom profissional, com experiência no assunto.
- Cuide de outros transtornos como depressão ou alterações de humor, assim como diabetes ou alterações endócrinas, obesidade ou hábitos deletérios como fumar.
Fonte: Médicos consultados e pesquisa AT.
