Uma outra epidemia, silenciosa e subestimada, atinge cada vez mais os brasileiros: a depressão. No País, mais de 24 milhões de pessoas sofrem com a doença, que já ultrapassa os números da diabetes. A pandemia da covid-19 e a instabilidade econômica agravaram o problema, dizem especialistas.
A projeção foi divulgada pela Pesquisa Vigitel 2021, do Ministério da Saúde. De acordo com o levantamento, 11,3% dos brasileiros relatam o diagnóstico da depressão, porcentagem superior aos 9% da diabetes. O número de pessoas acometidas pela depressão pode ser até superior.
De acordo com o psiquiatra Vicente Ramatis, muitos deprimidos não são diagnosticados. A pandemia é a circunstância alavancadora do problema, analisa.
“A pandemia afetou muito as pessoas. Muitos ainda não se recuperaram e vivenciam consequências emocionais até hoje”.
O psiquiatra Jairo Navarro explica que outros fatores, como a instabilidade econômica e o estresse da vida cotidiana, estão por trás dessa conjuntura.
“Já havíamos observado esse aumento nos últimos anos, mas com a pandemia, atendo quase o dobro do número de pacientes de antes”, afirma.
A psicóloga clínica Mariana Spelta argumenta que a desigualdade social está ligada aos altos números da depressão no país.
“O Brasil é muito desigual e a instabilidade econômica alimenta a insegurança de não suprir as necessidades básicas. Além disso, muitas pessoas se percebem insatisfeitas com o emprego, por diversos motivos”, diz.
De acordo com a pesquisa, as mulheres são mais acometidas pela depressão do que os homens: 14,7% são diagnosticadas, contra 7,3% deles.
A psicóloga pontua, no entanto, que a discrepância pode ocorrer porque as mulheres tendem a validar mais as emoções e, por isso, buscam atendimento médico e psicológico.
O psiquiatra Vicente Ramatis acrescenta que os homens demoram mais a buscar ajuda.
“As mulheres têm maiores alterações hormonais e são mais abertas a falar sobre sentimentos. Homens têm mais resistência a buscar ajuda”, explica.
“Meus filhos renovaram o sentido da minha vida”
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Quando se viu sozinha e com um filho para criar após o término de um relacionamento, a sensação de que vida não fazia sentido era diária para a cabeleireira Jayne Nunes, 30.
O choro, o medo e a falta de apetite se intensificavam cada vez mais e, em poucos meses, ela perdeu 10kg.
Ao buscar ajuda e realizar o tratamento com um antidepressivo dos 19 aos 22 anos, Jayne iniciou a mudança em sua vida e, hoje, conta: “Superei a depressão”.
Seus três filhos, Jhon Bryan, Sophia e Rebecca, dão motivação para os planos de vida da cabeleireira.
“Meus filhos renovaram o sentido da minha vida. Agora, tenho força para viver”, revela.
SAIBA MAIS
Pesquisa
- A Pesquisa Vigitel é realizada pelo Ministério da Saúde e é um dos maiores inquéritos de saúde do Brasil.
- O levantamento demonstrou que 11,3% dos brasileiros sofrem com depressão. Os números variam entre as capitais. Em Vitória, 10,92 % das pessoas relatam o diagnóstico da doença. Entre as mulheres da capital, a porcentagem atinge 15,67%.
Depressão
- É uma doença psiquiátrica crônica em que há uma sensação recorrente de tristeza acompanhada de irritabilidade, angústia, desânimo, apatia, falhas de memória, baixa autoestima e ansiedade, além de distúrbios do sono e do apetite e de diminuição do desejo sexual.
- Quando grave, o paciente relata cinco ou mais sintomas presentes, que se estendem por mais tempo e se manifestam todos os dias.
- O diagnóstico é feito por psiquiatras, a partir do relato dos pacientes.
- O tratamento envolve a ingestão de medicamento antidepressivo, além de psicoterapia. Atividade física frequente é, também, uma indicação médica no tratamento.
Fonte: Especialistas consultados e Ministério da Saúde.