As ruas da Grande Vitória se tornaram um palco aberto e muitos artistas aproveitam para mostrar seus talentos em praças, semáforos, parques e outros ambientes públicos.
Música, dança, malabarismo, teatro, poesia e grafite se misturam em uma sinfonia que precisa ser perfeita para atrair a atenção do público, que passa sempre com pressa ou com os olhos vidrados nos celulares.
Os artistas de rua Carlitos Cachoeira, de 30 anos, e Amora Gasparini, 28, são casados e têm formação artística em Teatro. Eles se conheceram por meio da arte e hoje trabalham juntos em sinais de trânsito, praças e comunidades, entregando sempre bom humor e felicidade às pessoas.
“Fazemos uma pesquisa de forma delicada, com relação à imagem, e investimos em boa maquiagem, postura e trabalho de corpo. Isso chama a atenção, faz muita diferença”, contou Amora.
Entre os maiores desafios que o casal enfrenta, estão a jornada intensa – eles trabalham mais de oito horas diárias – e também o fato de que muitas pessoas ainda não conseguem diferenciar artistas de rua de pedintes.
“Já aconteceu de a gente se apresentar e as pessoas contribuírem com um pedinte, e não com a gente. No início era mais difícil, mas agora muita gente percebe que investimos nisso e nos apoia”, destacou Amora.
Carlitos toca acordeon na perna de pau e isso, por si só, já desperta a curiosidade de quem para nos semáforos. Um dos maiores desafios é conseguir equilibrar de forma perfeita o tempo da apresentação, agradecimento e ainda passar o chapéu. “Tudo é pensado nos mínimos detalhes e é muito gratificante viver da arte, que tanto amamos”, ressaltou.
Os circenses Ronnie Antônio Fernandes, 27, e Raíza Dietrich dos Santos, 24, participam do Circo Infinito, que nasceu no Espírito Santo em 2013 com objetivo de levar as diversas linguagens artísticas, de forma lúdica, ao cenário urbano.
Ronnie contou que eles usam equilibrismo, malabarismo e a comicidade do palhaço, mescladas à música, teatro e à dança para enaltecer valores como afeto, respeito e consciência sobre direitos e responsabilidades.
“O maior desafio que um artista de rua enfrenta no Estado é conseguir a parte financeira e também atingir as pessoas com a mensagem enquanto artista. Muita gente está bloqueada para a arte, inclusive as crianças”, lamentou.
Dose diária de alegria a desconhecidos
Na rua, todo público é alvo: mães, pais, filhos, empresários, moradores de rua, outros artistas. Todos no mesmo plano, sobre o mesmo chão, contagiados pela energia positiva que a arte emana.
Esse grande palco aberto quebra a monotonia da metrópole e atrai olhares curiosos, muitas vezes apressados e até dispersos. Mas, no final, gratos por terem ganhado uma dose diária de alegria, vinda de um desconhecido, em meio à correria do dia a dia.
A empresária Lourdes Gama, 60, contou que do trajeto de sua casa para a empresa que administra – um trecho de aproximadamente 20 km –, encontra vários artistas de rua nos semáforos e faz questão de absorver a apresentação e colaborar para que esse trabalho seja mantido.
“Muita gente ignora que eles existem: param no semáforo e já pegam o celular, olham para baixo, mexem no rádio. Muitas dessas apresentações são bem feitas e não perdem nada para as que são pagas, então eu valorizo o trabalho artístico porque eles passam o dia levando alegria a mais para a gente que está sempre no corre-corre”, comentou.

“Dava aulas de violão para internos, como forma de reabilitação, e trouxe para as ruas essa ideia. Decidimos promover oficinas nas comunidades periféricas e levamos mensagens positivas para quem passa horas dentro dos ônibus, indo e vindo do trabalho”, contou.
Os jovens do Coletivo Entreter têm outras ocupações e não aceitam colaborações em dinheiro. “Queremos mostrar que a arte importa e levar alegria a essas pessoas. Esse é o espírito do Coletivo Entreter”, ressaltou Hapino.
O psicólogo Vinícius Grassi destacou que esse tipo de trabalho faz bem para todos, tanto para os artistas quanto para quem tem a oportunidade de assistir à apresentação.
“A resiliência com que eles lidam com as adversidades da profissão é louvável e deve ser um exemplo para todos nós”, destacou o especialista.
Confira a reportagem completa no jornal A Tribuna deste domingo.

