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SAÚDE MENTAL

“Diagnóstico não pode definir ou limitar a criança”, diz especialista

Apesar da divulgação de informações sobre os transtornos, ainda há preconceito que prejudica o tratamento, apontam especialistas

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O diagnóstico de transtorno, seja ele neurológico, emocional ou de aprendizado, não pode ser utilizado como rótulo ou como definição da criança ou adolescentes. É o que defendem os especialistas no assunto. 

Segundo médicos, psicólogos e psicopedagogos, apesar da divulgação de informações sobre os transtornos, ainda há preconceito que prejudica o tratamento. 

“Quando recebe um diagnóstico, a maioria das famílias passa por uma fase de luto do filho ‘perfeito’ e negação de que exista algo. Mas o importante é a família saber que um  diagnóstico não pode definir  ou limitar a  criança. Identificar o que ela tem pode abrir caminhos mais seguros e assertivos para ajudá-la em suas dificuldades”, frisa a psicopedagoga Roselaine Almeida, diretora acadêmica do Instituto NeuroSaber. 

Mestre em Educação e Saúde na Infância e na Adolescência, a psicopedagoga aponta que cada pessoa é múltipla em possibilidades de desenvolvimento e que todos podem aprender.

“Ainda que a criança ou o adolescente tenha um transtorno, essa não é a única característica que define essa pessoa. A diversidade faz parte da experiência humana e acolher a diferença com amor e empatia é algo que pode ser feito todos os dias”.

A neuropsicopedagoga Geovana Mascarenhas também observa que o  diagnóstico ainda é um obstáculo de aceitação para muitas famílias. “O laudo funciona como uma ferramenta para garantir o cumprimento dos direitos da criança e nortear acomodações na escola, por exemplo. É um norte, é um caminho”.

Nos últimos anos, as informações sobre os transtornos diversos têm sido bem difundidas, como observa  o  pediatra e neurologista infantil Clay Brites, fundador do Instituto NeuroSaber. 

“Os pais têm buscado muito mais a ajuda dos profissionais e se preocupado muito menos com o diagnóstico, mas  concentrado sim na ideia de que o diagnóstico pode ajudar o seu filho a melhorar na escola e melhorar nas relações dele com as pessoas e com a própria família”.

 Mas, para o psiquiatra Vinícius Pedreira, professor da Unime Lauro de Freitas, ainda há resistência e preconceito. “Buscam primeiramente ajuda comunitária em crenças, em práticas não efetivas que podem até ser culturalmente aceitas, mas que deveriam ser complementadas e não opostas ou excluir o atendimento psiquiátrico”.

Análise deve ser feita por equipe de profissionais

 













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A família e a escola são as primeiras a perceberem os sinais de transtornos em crianças e adolescentes. Mas o diagnóstico deve  ser feito por uma equipe multiprofissional  especialista no assunto.

 “O diagnóstico é clínico  e feito por profissionais especializados. O ideal é que a avaliação seja realizada por equipe multidisciplinar, composta por psicopedagogo, psicólogo, fonoaudiólogo e médico. O que os pais podem observar são os sinais característicos e obter um relatório da escola, no qual estejam descritas as dificuldades que a criança apresenta”, explica a psicopedagoga Roselaine Almeida. 

Segundo o psiquiatra Vinícius Pedreira, alguns testes são  disponíveis e podem ser feitos pelos pais ou responsáveis, como o M-CHAT, que ajuda a observar sinais de autismo,  ou ASRS 18 e o  SNAP-IV, que ajudam a identificação de sintomas do TDAH.  

O pediatra e neurologista infantil Clay Brites diz que a  maioria dos transtornos não é detectada por exame de sangue ou de imagem cerebral. “O diagnóstico se baseia na observação clínica, pedagógica e comportamental”.

Professores e escolas ajudam a identificar sinais em sala

Escolas e professores podem ser aliados das famílias na observação e identificação de sinais e sintomas de transtornos, mesmo aqueles que não são diretamente relacionados à aprendizagem, já que é o ambiente onde crianças e adolescentes passam grande parte do dia. 

“Procure  a escola, veja como é o comportamento dessa criança ou adolescente lá.  Os professores estando de acordo  com o que também têm percebido,  não hesite,  marque uma consulta com o pediatra”, recomenda a  neuropediatra Marcela Fraga.  

Para a  psiquiatra infantil Fernanda Mappa as escolas são as maiores parceiras nas percepções desse comportamento.


Algumas dicas


Procure a escola 

  • Converse com a escola para saber se o corpo docente também percebe algum comportamento de risco. Pergunte  se registra essas observações para que possa levar  o relatório a um especialista.
  • Se os sinais também são percebidos na escola e em outros ambientes em que a criança ou adolescente frequenta, busque ajuda especializada. A própria escola pode ajudar nessa orientação.

Observe hábitos e comportamentos

  • Observe por um tempo  o comportamento da criança ou adolescente e anote para que também seja levado ao especialista. Observe se é alegre, triste, desatento, muito agitado, desafiador, impulsivo. Veja também seu relacionamento com outras crianças ou adolescentes, se tem “grandes amigos” ou apenas “colegas”. Além, ainda,  da presença de hábitos e comportamentos não usuais e mudanças abruptas de comportamento.
  • Observe também os hábitos. Como é o padrão de sono da criança ou do adolescente? Como, quando e com que se alimenta? Houve algum fator importante na vida do indivíduo que  veio antes de observadas as dificuldades?

Cuidado com rótulos e comparações

  • Não se deve pressionar as crianças e os adolescentes e nem compará-los  entre os colegas. 

Fonte: Especialista consultados.

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